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Steve Outing > Parem as máquinas

01/10/2002 13h39

Google News pode mudar o setor de notícias online

O popular serviço de buscas Google causou sensação no começo da semana ao lançar uma versão revisada de seu serviço de notícias Google News. A nova versão, ainda em teste beta, é um avanço significativo sobre a anterior -extraindo notícias de mais de quatro mil fontes na Web, ante as 150 anteriores, e atualizando seu conteúdo a cada 15 minutos, em lugar de a cada hora ou meia hora.

O Google News interessa em diversos níveis, entre os quais por ser inteiramente automatizado. O Google não tem editores, apenas algoritmos de computador que selecionam as principais reportagens do dia e a melhor cobertura desses temas, e oferece links para esse conteúdo.

Por que os jornais e as operações online de notícias deveriam se importar

Ele é a realização prática do conceito de banca de jornais digitais

Escrevi no passado que um dos desdobramentos mais significativos da era da Internet seria o desenvolvimento da "banca de jornais digital e global", da capacidade dos consumidores para lerem veículos de mídia publicados em qualquer lugar do mundo.

Com o novo Google News, acredito que estejamos vendo a melhor implementação já conseguida do conceito de banca de jornais mundial. O serviço calcula quais são as histórias mais importantes dentre as publicadas a qualquer dado momento, e as classifica de acordo com o horário de publicação, o número de links para a reportagem e a credibilidade da organização noticiosa. A seguir, essas reportagens são apresentadas de forma que destaque sua importância. A home page do Google News é uma espécie de "primeira página" de um jornal online mundial (uma analogia mais precisa seria "agência de notícias"), com material dividido em categorias como principais notícias, notícias norte-americanas, notícias mundiais, esportes, negócios, ciência & tecnologia, saúde e entretenimento.

Quais sãs os temas jornalísticos mais importantes no mundo e nos Estados Unidos agora? Quais são as reportagens de esportes, negócios ou entretenimento mais importantes? O Google News nos informa sobre isso estudando o conteúdo das suas quatro mil fontes de notícias e organizando-o por relevância.

A primeira crítica que você vai ouvir sobre o Google News é que ele é completamente mecânico -não existem editores humanos, e editores são necessários para fazer com que o processo noticioso funcione adequadamente. O Google admite que haverá erros ocasionais -reportagens acrescentadas a uma categoria noticiosa ou assunto em que não se enquadram. Os algoritmos serão reajustados continuamente para melhorar sua precisão, mas porque não existe processo de verificação humana, alguns erros provavelmente escaparão.

(Uma coisa que precisa ser consertada é que algumas das matérias distribuídas pela agência de notícias Associated Press surgem repetidas vezes nos retornos -publicadas por sites diferentes. O consultor de serviços de arquivos de notícias e conteúdo na Internet Gary Price oferece este exemplo do problema.

Até agora, o serviço parece estar fazendo um trabalho bastante bom. Seria difícil, na maior parte dos casos, dizer que não há editores humanos tomando as decisões sobre a colocação das matérias.

Eu na verdade alegaria que esse serviço emprega inteligência humana para a seleção de notícias. Afinal, ele recolhe e analisa as decisões editoriais de profissionais humanos em quatro mil organizações noticiosas. Não é ilógico sugerir que esse sistema "colaborativo" de classificação de conteúdo é um reflexo mais acurado quanto às principais matérias do dia do que as decisões de um único veículo de mídia. Quer estejamos falando da primeira página do "Contra Costa Times", de Walnut Creek, Califórnia, quer do "New York Times", ou das home pages dos sites desses jornais, as decisões quanto ao destaque das reportagens são tomadas por um pequeno grupo de editores. O Google News baseia suas decisões de classificação na inteligência coletiva, de modo que há menos probabilidade de que as inclinações de editores individuais influenciem a colocação das histórias.

De acordo com Marissa Mayer, gerente de produto do Google que supervisiona o projeto noticioso, o Google News emprega processo semelhante ao de "classificação de página" usado pelo principal serviço de busca do Google. A tecnologia estuda o número de links a um determinado conteúdo, de outros sites, e depois o classifica de acordo com a "credibilidade" do site indicador (assim, uma referência do Yahoo! vale mais do que um link oriundo de uma página ou blog pessoal.) O conceito, explica, é que cada link se torna um "voto", mas nem todos os votos têm o mesmo peso. A classificação de páginas é apenas um da "centenas" de outros fatores envolvidos na determinação da classificação de uma determinada matéria no Google News, diz.

Isso é novidade?

O que o Google News faz não é inteiramente novo, claro. A AlltheWeb.com tem um serviço de notícias que recolhe links noticiosos de três mil publicações online. Mas ela exige que um termo de busca seja digitado em um formulário. Não dispõe de uma página com links para notícias acessíveis sem busca. A Notthern Light oferece serviço semelhante. Outros empreendimentos comparáveis incluem a Rocketinfo e a Newsseer. O conceito de um serviço centralizado de notícias remonta à metade dos anos 90, quando empresas como a TotalNews surgiram no mercado, tirando vantagem de todas as notícias disponíveis online gratuitamente.

Nenhum desses serviços conquistou o coração dos internautas, mas acredito que o Google News tenha o potencial de atrair uso generalizado -graças à combinação da poderosa marca Google e de sua tecnologia cada vez mais avançada, que parece funcionar bem para analisar e categorizar as notícias.

Se estou certo e o Google News vai mesmo ganhar popularidade, ele pode alterar os hábitos de consumo de notícias dos usuários da Internet. Em vez de seguir a tradição e escolher um veículo de mídia, navegando pelo seu conteúdo, os usuários do Google News entrarão em temas específicos por meio de um selecionador externo (Google) e não irão às home pages das organizações noticiosas. Embora isso não seja novidade, o que mudou é a existência de uma organização poderosa o bastante na Web para atrair número substancial de usuários das home pages dos sites de notícias.

Os leitores cuidadosos talvez percebam a semelhança entre o que o Google News faz e um dos serviços da extinta New Century Network, um consórcio de sites de jornais norte-americanos na Web que oferecia um serviço que selecionava as melhores matérias do dia em seus jornais membros. A New Century Network jamais conquistou muita popularidade; já o Google, por outro lado, se tornou um gigante da Internet, com marca muito popular.

O que as organizações noticiosas podem fazer?

Uma questão interessante aqui é a tendência dos sites noticiosos a exigir registro dos usuários para que obtenham acesso a seu conteúdo. O Google News só inclui links para reportagens acessíveis com um clique -de modo que material protegido por trás de muralhas de registro ou assinatura paga não é incluído no serviço a não ser que haja um arranjo especial entre o site noticioso o Google, para atender aos usuários do Google.

Os sites de notícias que insistem em exigir registro de seus usuários podem sair prejudicados pelo Google News, diz Chris Sherman, analista do setor de serviços de busca na Web, porque seu conteúdo seria invisível ao Google e potencialmente a milhões de usuários da Internet que por ele passam. O que os responsáveis mais espertos por sites que exigem registro deveriam fazer, aconselha ele, é trabalhar com o Google para que sejam incluídos nas novas buscas.

O Google News já fez arranjos com alguns dos mais importantes sites de notícias que exigem registro -como o do "New York Times". Os usuários do Google News que clicam em links para reportagens da NYTimes.com no Google são encaminhados diretamente ao artigo -sem tela de registro intermediária- mesmo que ainda não estejam registrados no site do jornal. Isso funciona, explica a gerente de produto Mayer, porque o site permite que os spiders do Google pesquisem seu conteúdo e incluam links no site do Google. Quando um usuário não registrado recebe em retorno uma página da NYTimes.com, o site reconhecerá que ele vem encaminhado pelo Google e lhe fornecerá o conteúdo solicitado -retardando o pedido de registro em uma página. Mas se o usuário do Google News tentar ir a outra página do site do NYTimes.com, terá de se registrar. Se ele já estiver registrado, o sistema da NYTimes.com lê o cookie instalado na máquina do usuário e não solicita novo registro.

Sherman sugere uma variação dessa técnica para sites que empreguem registros e queiram trabalhar com o Google. Eles deveriam permitir que o Google enviasse spiders ao site e verificasse os links nele instalados. Quando um usuário do Google News solicitar um artigo, forneça uma página com pelo menos os primeiros parágrafos da reportagem -com um bilhete no final pedindo que o leitor se registre caso queira ler o resto do artigo.

Sherman adverte que os sites noticiosos precisam ser espertos a esse respeito, e não conduzir os visitantes diretamente do Google News para uma página de registro. "Isso só irrita as pessoas", que podem clicar mais uma ou duas vezes e encontrar conteúdo semelhante em outro site noticioso, diz.

O conteúdo pago é outro ponto preocupante. A sugestão de Sherman de fornecer os primeiros dois parágrafos de uma matéria poderia se aplicar igualmente bem ao conteúdo pago -o usuário encaminhado pelo Google receberia parte do conteúdo e depois veria opções de pagamento para lê-lo por inteiro. Da parte do Google, porta-vozes da empresa dizem estar considerando esquemas para lidar com o conteúdo pago em sites noticiosos, mas não querem ainda discuti-los em público.

Os sites de assinatura paga perderão os usuários encaminhados pelo Google -a menos que o Google News se torne um serviço de notícias pago. É uma possibilidade clara, mas representantes do Google preferiram não responder quando perguntados sobre planos futuros. A resposta para os sites de notícias que desejem cobrar pelo conteúdo é, por enquanto, simplesmente evitar proteger seu conteúdo por trás de assinaturas, deixando conteúdo gratuito de qualidade para que os usuários do Google News possam encontrar o site e ver anúncios do conteúdo pago especial. (Você encontrará no Google News links para artigos na Salon.com e TheStreet.com, dois sites com áreas de acesso pago.) Mais tarde, não me surpreenderia que o Google News se tornasse o maior dos serviços noticiosos pagos.

A melhor coisa desde o pão de forma?

Como eu diz antes, o Google News é um desdobramento importante. O analista Sherman mostra igual entusiasmo. "Acredito que isso virará de cabeça para baixo o setor de notícias online... Tudo será mudado... A paisagem das notícias na Web será transformada... Estou atônito com a novidade".

Sherman considera o Google News "um presente para o setor de notícias", e insta as empresas do ramo a aproveitá-lo. A distribuição de notícias pode ser ampliada enormemente, sugere. O sistema favorece as organizações noticiosas com melhores reputações, porque seu conteúdo tipicamente surge no topo da lista do Google. E é também ótima notícia para os pequenos sites noticiosos, que podem ser expostos a uma imensa audiência quando o seu conteúdo surgir ocasionalmente entre os itens selecionados.

O Google News é também um excelente recurso para repórteres que queiram saber o que outros jornalistas escreveram sobre um determinado tópico.





 

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