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Steve Outing > Parem as máquinas

01/11/2002 13h15

Os sites de notícias precisam de dieta

O site do jornal Washington Post, que nos últimos anos venceu consistentemente em importantes competições de sites de notícias online, obtendo os maiores prêmios, em um dia recente oferecia:
  • 217 links (incluindo 42 títulos de artigos e 52 títulos de seção)
  • quatro fotos
  • 13 logotipos e gráficos
  • quatro campos de texto
  • seis botões
  • um cardápio em formato pop-up
  • dois anúncios


  • Se compararmos esse conteúdo ao que um típico jornal em papel oferece em sua primeira página, teremos, usando como exemplo a capa do USA Today daquele dia:
  • oito manchetes
  • 15 destaques acompanhando as manchetes
  • dois artigos de texto
  • quatro fotos
  • duas ilustrações
  • um infográfico
  • dois logotipos
  • duas tabelas
  • um anúncio


  • (E o USA Today tem uma das primeiras páginas mais sobrecarregadas dentre os jornais em papel. A maioria das demais publicações diárias oferecem bem menos elementos em suas páginas.)

    Agora, compare essa situação à do Google, o muito celebrado serviço de busca na Web e uma das empresas de maior destaque no mundo da Internet no momento, que em sua home page oferece:
  • 13 links
  • uma arte
  • um campo de texto
  • dois botões


  • Como é que as coisas chegaram a esse ponto? Será que um site noticioso realmente precisa de centenas de elementos em sua home page? Acredito que não. As regras de design para a Internet são tão diferentes das regras em papel que as empresas que operam sites online podem rotineiramente despejar centenas de elementos em uma única página sem causar cansaço á sua audiências? Creio que não. O Google sabe de alguma coisa que as empresas de notícias ignoram? Provavelmente.

    Mas todo mundo mais faz a mesma coisa!

    Escolhi destacar a washingtonpost.com não como forma de denegri-la. O site faz com sua home page aquilo que a maior parte de seus concorrentes fazem. De fato, nas competições de jornalismo online, os sites com home pages inchadas muitas vezes conquistam os principais prêmios. Os jurados não parecem penalizar os sites que sobrecarregam suas home pages. Já há alguns anos, tenho participado como jurado de competições como o EPpy Awards e o Online Journalism Awards, e consistentemente vejo os jurados selecionados os sites que incluem tudo e mais um pouco em suas home pages -ainda que isso talvez se deva em parte ao fato de que não existem muitos sites que ofereçam home pages compactas e possamos premiar.

    Enquanto relembro minhas experiências como jurado, percebo que houve um aumento gradual nos elementos aglomerados nas home pages de sites noticiosos. A cada ano, elas ficam mais e mais ocupadas -ao ponto de beirarem o absurdo. Essa tendência à obesidade não pode continuar. Ela precisa ser revertida, e as páginas noticiosas precisam começar a ser enxugadas.

    Não sou o único que pensa que chegou a hora da dieta. Em seu mais recente boletim Sensible Internet Design, o jornalista e Web designer Jay Small tratou do assunto, ponderando à vista de todos se os sites de noticiosos não teriam uma coisa ou duas a aprender da abordagem discreta que o Google emprega quanto ao design de sua home page. Small sugeriu que um dos problemas é o espaço ilimitado disponível na Web. Sem as restrições de uma página em papel de imprensa ou um bloco de 25 minutos para um jornal de televisão, é fácil demais para os criadores de páginas e editores empilhar conteúdo para além do limite razoável -porque não há nada que os detenha.

    Small diz que na Belo Interactive, sediada em Dallas, onde ele é diretor regional de notícias e operações, a equipe que ele dirige iniciou um esforço para determinar se os designs de home pages super simples ou os mais sofisticados atendem melhor às necessidades dos usuários. Não há nenhuma certeza de que as home pages compactas saiam vencedoras dessa disputa, diz Small. Ele quer compreender qual é a melhor maneira de conduzir as pessoas da primeira página ou das capas de cadernos até os artigos individuais do site. Mas pelo menos a questão da obesidade das home pages está merecendo alguma atenção da comunidade de notícias online.

    Em busca dos bons exemplos

    Não tenho como mencionar muitos sites noticiosos que adotem a abordagem de uma home page menos congestionada. Um dos meus favoritos costumava ser a MSNBC.com, que tinha uma home page pouco maior que uma tela de computador. Sua coluna de navegação, à esquerda, emprega cardápios ativados pela passagem do mouse, mas que não ficam visíveis até que o mouse passe pela área ativa.

    O velho design da home page da MSNBC.com continua mais ou menos intacto, mas recentemente ele foi prejudicado pelo acréscimo de ferramentas de navegação da MSN, cujo objetivo é atrair mais usuários para conteúdo disposto em outras partes da rede MSN. Essa mudança transformou uma das páginas mais originais da Web -um marco de simplicidade e de brevidade no design de home pages noticiosas- em uma confusão congestionada. Mas se você fingir que o material da MSN não está lá, terá um bom exemplo de como abrir um site noticioso na Web sem sobrecarregar os usuários com um excesso de opções.

    Mas é preciso cuidado com a abordagem da MSNBC, adverte Small. Quando as escolhas ficam ocultas sob cardápios ativados pela passagem do mouse, os testes com usuários demonstram que elas raramente são acionadas. As pessoas tendem a tomar suas decisões de navegações usando links e conteúdo que vêem imediatamente, e só se não conseguem encontrar aquilo que estão procurando recuam para usar os cardápios hierárquicos.

    O mundo, com menos links

    Um bom modelo de brevidade para uma home page é o site do International Herald Tribune. É um projeto mencionado como exemplo de design de home page compacto, inteligente e eficiente por diversos especialistas em novas mídias que consultei para esta coluna., A home page, em um dia recente, oferecia seis manchetes e destaques, oito pequenos links, três fotos, duas tabelas, seis anúncios e sete títulos de seções. O número total de links na home page do International Herald Tribune é de 67. (Se você se lembra, a washingtonpost.com, como informei acima nesta coluna, oferecia 217 links).

    Da mesma forma que a MSNBC.com, o International Herald Tribune oculta boa parte de seu conteúdo sob cardápios ativados por mouse. Clique em "regiões" no topo da página, e receberá uma lista de categorias: África e Oriente Médio, Américas etc.

    Existe um recurso interessante na home page do jornal: um mapa mundi que, quando clicado, altera a carta climática posicionada logo abaixo dele. Uma variação interessante desse recurso -que conserva a brevidade de home page que estamos defendendo aqui- seria ter um clique no mapa alterando as manchetes regionais para refletir as principais reportagens para a parte do mundo selecionada. Uma variação dessa idéia poderia funcionar para sites de notícias locais na Web: clique em uma parte da cidade e as principais reportagens sobre a área serão exibidas.

    O que gosto na página do International Herald Tribune é que ela dá ao leitor uma indicação rápida do que os editores do jornal acreditam sejam as principais reportagens do dia, em apenas seis manchetes. Trata-se de uma abordagem mais jornalística -os editores indicam o que consideram sejam os mais importantes acontecimentos do dia, e as reportagens menos importantes ficam para as páginas "internas" do jornal. O que é comum em diversos outros sites de notícias é uma home page com dezenas de artigos e links, com escassa hierarquização, se excetuarmos a matéria mais importante do dia.

    Martha Stone, consultora de novas mídias noticiosas e presidente do Comitê de Novas Mídias na Society of News Design, diz que sites demais sobrecarregam suas home pages com dezenas de itens, e não se incomodam em criar uma hierarquia visual que indique o que é mais importante. Quando todos os links têm peso igual, o volume imenso de conteúdo pode sobrecarregar o usuário.

    "As pessoas não querem mais de seus sites de notícias, elas querem melhores sites", diz Stone, e recomenda que os projetistas de sites parem de aumentar o tamanho de suas páginas e se dediquem mais a encontrar o tamanho certo. "Precisamos repensar a forma pela qual organizamos nossos sites na Web", e abandonar a idéia de colocar tudo na home page. Ela acredita que número excessivo de sites sejam "fazendas de links", mas seria precisa uma imensa mudança de atitude para que a maioria dos projetistas de sites abandonasse essa abordagem.

    O que é mais necessário, diz Stone, é pesquisar o que querem os usuários. Se, como é típico, 10% das páginas de um determinado site atraem 90% de seu tráfego, pode bem ser que esses 10% mais populares de conteúdo sejam o material correto para a home page -e parte dos 90% adicionais poderia ser removida.

    Categorias demais

    O que alguns sites noticiosos fizeram a fim de incluir número excessivo de manchetes em uma home page foi dividi-la em grande número de categorias. A recente reforma no projeto gráfico da CNN.com adotou essa abordagem, criando na metade inferior da página 12 categorias de notícias, cada uma das quais apresentando duas manchetes e links para material adicional. Minha recomendação à CNN.com é que ela faça uma dieta e adote uma apresentação mais hierárquica para evitar aquele ar cansativo, de índice, que sua home page oferece.

    Small diz que a categorização de manchetes é uma boa idéia, mas que é preciso limitar as categorias -digamos, entre quatro e seis. E, dentro desse número, usar cerca de três manchetes em cada categoria, com um link de "mais reportagens" em cada uma. A idéia é oferece aos usuários uma idéia do melhor conteúdo em cada categoria noticiosa e permitir que eles cliquem para ir mais fundo, em lugar de apresentar tudo na home page. O erro que muitos sites noticiosos cometem é sobrecarregar a home page para mostrar de quanto material eles dispõem.

    Não há acordo completo quanto a isso. Andrew Devigal, que opera uma empresa de design na Web e é professor assistente de Jornalismo na Universidade Estadual de San Francisco, aponta que as home pages têm de servir como "capas de caderno" para todo o conteúdo do site. Home pages longas com muitos links não são necessariamente ruins, diz Devigal, desde que sejam bem organizadas, apresentem conteúdo de maneira hierárquica e não contenham uma mixórdia de manchetes indistintas.

    O Google é a resposta?

    Anteriormente, mencionei a abordagem discreta do Google quanto ao design de interfaces. Como disseram os designers que entrevistei, a comparação entre o Google e sites noticiosos é pouco relevante, mas ainda assim acredito que haja algo a ser aprendido com a abordagem do Google. Não é por acidente que o Google lidera o mercado de serviços de busca -comparado aos concorrentes, é uma delícia de usar e muito simples. Outros serviços de busca não contêm tantos links quanto as home pages de notícias, mas comparados ao Google eles parecem sobrecarregados e confusos. (Compare o Google ao MSN Search ou ao Lycos.)

    Seu site noticioso não precisa ter uma home page espartana como a do Google, mas talvez se você oferecesse página mais enxuta, seu site teria vantagem sobre os concorrentes obesos.

    Tradução: Paulo Migliacci





     

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