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28/11/2002 13h21

Convergência entre mídias diferentes é alternativa para o jornalismo

As alianças entre mídias diferentes estão em alta hoje em dia. À medida que o setor de mídia continua a caminhar rumo à futura convergência das notícias em papel, televisão, rádio e online, mais e mais empresas do ramo noticioso começam a formar alianças.

Embora a cooperação entre veículos noticiosos de televisão e jornais aconteça com freqüência entre organizações controladas por uma mesma empresa, há cada vez mais alianças entre empresas independentes. Na semana passada mesmo, o jornal "Miami Herald" anunciou um aliança com o canal de televisão WFOR, a afiliada local da rede CBS. As duas operações noticiosas do sul da Flórida planejam cooperação de longo alcance na obtenção de notícias, na criação de conteúdo online, na promoção de suas iniciativas e até mesmo nas instalações e pessoal. Para a Knight Ridder, a cadeia de jornais que controla o "Miami Herald" e no momento não tem nenhuma estação de televisão, unir forças com um parceiro no setor de mídia eletrônica aberta faz todo sentido.

No clima mais frio do interior do Estado de Nova York, surgiu outra colaboração entre empresas de mídia não relacionadas, e ela vem ganhando cada vez mais força. O "Rochester Democrat and Chronicle", um diário com 175 mil exemplares de circulação controlado pela cadeia jornalística Gannett, está enfronhado em uma aliança de convergência com a afiliada local da rede de televisão ABC, a WOKR TV, controlada pela Clear Channel Communications. Essa colaboração está levando adiante determinadas idéias que parecerão estranhas aos jornalistas de televisão e de mídia impressa que costumavam se ver como ferrenhos adversários.

Em Rochester, a idéia de cooperar seriamente com a estação local de televisão surgiu dois anos atrás. As coisas esquentaram pouco mais de um ano atrás, quando o "Rochester Democrat and Chronicle" contratou Anthony Moor como seu diretor de novas mídias, e abandonou uma parceria com outra estação local de televisão em favor da WOKR. Moor é um antigo jornalista de televisão que se envolveu com a Internet, e sua experiência em ambas as mídias o tornou a escolha lógica para comandar a colaboração com estações locais de TV, bem como para conduzir uma iniciativa na redação para levar notícias urgentes ao site do jornal o mais rápido possível.

Existem diversas facetas na iniciativa de convergência em Rochester -algumas internas, na redação, envolvendo a divisão de mídia impressa e a de novas mídias, e algumas envolvendo a relação externa com a WOKR:

  • Abordagem de agência de notícias: a cultura da redação do jornal está passando por uma transição e adotando um caráter mais assemelhado ao de uma agência de notícias. As notícias locais mais urgentes devem ser colocadas no site do jornal o mais rápido possível. Em lugar do velho sistema de produzir uma matéria para a edição em papel e só, espera-se agora que os repórteres gerem também uma versão para a Web -freqüentemente uma versão reduzida que sirva para informar rapidamente os trabalhadores que acompanham o site do jornal ao longo do dia. Um editor de Web na redação trabalha com os repórteres diretamente ao longo do dia para criar a cobertura online, enquanto os repórteres trabalham também com os editores da edição em papel para a cobertura das matérias do dia.

  • Divisão dos serviços de meteorologia: a WOKR oferece conteúdo meteorológico para a página de clima do jornal, e o meteorologista da TV tem uma coluna de respostas sobre seu trabalho no site do jornal.

  • Tempo de exposição na TV: os jornais do "Rochester Democrat and Chronicle" aparecem agora nos telejornais da WOKR, e são entrevistados pelos âncoras sobre as reportagens que escreveram.

  • Matérias exclusivas das 23h: E na mais significativa das colaborações até agora, os editores do jornal fornecem à estação de televisão as notícias mais importantes e as reportagens de negócios que sairão na manhã seguinte em tempo para o noticiário das 23h, sem publicar esse material no site do jornal na Web. Isso dá ao canal de TV notícias exclusivas que ninguém mais tem.

    Esse último item talvez seja o mais inovador. Como explica Karen Magnuson, editora do "Rochester Democrat and Chronicle", a cada noite os editores do jornal fornecem à WOKR matérias exclusivas da publicação. Muitas vezes, a estação oferece apenas uma breve descrição da reportagem -o que serve para promover a edição matutina do jornal, mas em outros casos dá aos seus telespectadores uma visão mais aprofundada de um assunto. A televisão pode gravar imagens para acompanhar a matéria, ou se ela for realmente importante, pode usá-la como manchete de seu telejornal noturno.

    Evidentemente, o "Rochester Democrat and Chronicle" recebe crédito por essas reportagens, e isso é uma excelente oportunidade de marketing para o jornal, já que encoraja os telespectadores a comprar o jornal na manhã seguinte para ler a "história completa". O que a WOKR recebe nessa transação é a oportunidade de ser a primeira a transmitir a notícia aos seus telespectadores -porque se trata de reportagens exclusivas do jornal, e os telejornais concorrentes não têm acesso a elas.

    Magnuson diz também que foi tomada a decisão de não publicar essas matérias no site do "Rochester Democrat and Chronicle" na noite anterior à publicação em papel -o que confirma que as notícias que a WOKR divulga chegam primeiro aos seus telespectadores. O raciocínio que justifica essa idéia é que se as matérias fossem divulgadas na Web, os concorrentes da estação de TV no mercado de Rochester poderiam acompanhá-las e talvez fornecer cobertura própria sobre o mesmo tema antes que o jornal em papel chegue às bancas e aos assinantes, e permitindo reportagens concorrentes nos demais telejornais das 23h. Magnuson diz também que o site do jornal tem tráfego muito baixo no final da noite -a maior parte das visitas acontece cedo na manhã, no horário de almoço e no final de um dia típico de trabalho -de modo que não é uma grande perda manter essas matérias fora do site até a manhã seguinte.

    A Web vem primeiro

    As matérias exclusivas para a TV e mantidas fora do site da Web são uma categoria separada das notícias locais urgentes, que devem ser postadas no site do "Rochester Democrat and Chronicle" o mais rápido possível, segundo Moor. A equipe de reportagem do jornal trabalha tendo a Web em mente, e se uma reportagem for importante o suficiente ela entra online assim que estiver redigida e editada. Os repórteres têm um fluxograma que podem consultar para determinar se a reportagem merece ser colocada online ao longo do dia, em lugar de ser retida para publicação no jornal da manhã seguinte.

    Moor diz que essas decisões cabem a um editor transferido de tarefas relacionados ao jornal em papel para o site. Os repórteres trabalham em contato direto com esse editor -por exemplo, ligando para informar sobre uma importante decisão judicial de modo que a notícia possa ser colocada online o mais rápido possível. Os repórteres também trabalham simultaneamente com os editores do jornal em papel para os seus artigos mais tradicionais.

    Moor diz que "estamos fomentando uma cultura de notícias urgentes". E a editora Magnuson diz que o clima da redação está mudando e se tornando mais parecido com o de uma agência de notícias com prazos de fechamento contínuos, em lugar do fechamento diário único comum nos jornais.

    Ajeite a gravata

    Outra coisa que está mudando no "Rochester Democrat and Chronicle" é que os repórteres do jornal estão aparecendo com freqüência muito maior na televisão. Tornou-se mais comum que um repórter seja entrevistado no ar pelos âncoras da WOKR para que fale sobre as notícias significativas que esteja cobrindo.

    Esta semana, por exemplo, Richard Mullins, um repórter de negócios do "Rochester Democrat and Chronicle", compareceu à reunião anual da Xerox com seus investidores, em Nova York. (A Xerox é um empregador importante em Rochester.) Além de escrever para jornal, ele ligou com informações sobre o que aconteceu durante o dia e a gravação foi usada em uma breve reportagem no noticiário de almoço da WOKR. Mais tarde, ele foi a um estúdio da ABC para entrevista ao vivo com o âncora da WOKR, a fim de falar sobre o que havia acontecido ao longo do dia. A entrevista foi transmitida no jornal das 17h.

    Outro exemplo recente surgiu quando um repórter e um fotógrafo do "Rochester Democrat and Chronicle" viajaram à baía de Guantánamo, em Cuba, onde pessoas de Rochester estão envolvidas nas operações de segurança dos combatentes do Taleban e da Al-Qaeda que estão detidos lá. Os repórteres do jornal foram entrevistados no telejornal matutino da WOKR para falar sobre suas experiências.

    Kent Beckwith, vice-presidente e diretor geral da WOKR, diz que está satisfeito com o acordo, e que espera que os repórteres do jornal apareçam com mais freqüência na TV à medida que a aliança entre a estação e o jornal evoluir. No caso da Xerox, o evento -importante para a população de Rochester- não teria sido coberto diretamente pela TV de outra maneira, diz Beckwith. E a estação também não teria podido enviar um repórter a Cuba, ainda que a matéria tivesse um forte aspecto local. A aliança com o jornal permite que a WOKR mantenha seus telespectadores informados sobre acontecimentos que de outra forma ela talvez não tivesse recursos para cobrir, e que ela aproveite os conhecimentos especializados dos repórteres do jornal.

    Beckwith diz que a relação ajuda especialmente na obtenção de cobertura mais profunda em seus programas locais de TV, Embora seus repórteres cubram periodicamente a Kodak, por exemplo, o jornal tem um repórter que dedica seu tempo quase que exclusivamente à empresa, o maior empregador em Rochester. É esse conhecimento especializado que ele espera aproveitar mais no ar à medida que a aliança evoluir.

    Em algum momento, a redação do "Rochester Democrat and Chronicle" deve ser equipada com uma câmera para facilitar essas entrevistas ao vivo, bem como potenciais projetos conjuntos armados pelas equipes de jornalistas de televisão e mídia impressa.

    O diretor de novas mídias, Moor, diz que os repórteres de jornal não têm obrigação de aparecer na televisão. Ele espera aproveitar o entusiasmo dos "primeiros convertidos" da redação, que desejam se integrar o mais cedo possível à tendência setorial de cruzamento entre as mídias (também conhecida como "convergência"). De fato, Moor acredita que no futuro "haverá poucos repórteres de plataforma única" na profissão. "A maior parte dos jornalistas se sente lisonjeada por mostrar seus conhecimentos" na televisão, diz.

    Moor também se colocou à disposição para preparar os jornalistas do "Rochester Democrat and Chronicle" quanto aos pontos básicos de aparições na televisão. Mas como aponta Beckwith, da WOKR, a idéia não é fazer desses repórteres de mídia impressa apresentadores de televisão, mas em lugar disso aproveitar na TV os seus conhecimentos especializados. Moor diz que suas dicas de treinamento não têm por objetivo fazer com que eles pareçam profissionais de TV, mas apenas que se sintam confortáveis enquanto transmitem seus conhecimentos especializados a uma audiência de TV, e projetem uma imagem cuidadosa e profissional que represente o jornal devidamente.

    Moor acredita que certos cargos da estrutura noticiosa do jornal serão os melhores candidatos a tempo de televisão: colunistas, críticos de entretenimento, editores e editorialistas e jornalistas políticos.

    Onde está o dinheiro?

    Existe um imperativo financeiro para essa colaboração entre TV e mídia impressa? Os envolvidos em geral encaram a iniciativa de convergência em Rochester como a coisa mais inteligente a fazer em termos jornalísticos -fornecer uma cobertura melhor e mais profunda para as audiências da mídia impressa e eletrônica, e reagir ao ambiente de mídia digital em que os consumidores dividem seu tempo entre diversos formatos de mídia em lugar de se concentrarem em apenas um. A idéia é levar as marcas "Rochester Democrat and Chronicle" e WOKR a outras plataformas de mídia, reconhecendo que as pessoas hoje em dia dedicam menos tempo a cada uma delas.

    Os executivos do "Rochester Democrat and Chronicle" dizem que não gastaram nenhum dinheiro adicional na iniciativa de colaboração -os objetivos do programa foram atingidos por meio da transferência de algumas pessoas e alterações em cronogramas, principalmente para acomodar os prazos de edição na Web. Embora isso não seja visto como maneira de gerar novas receitas em curto prazo, o projeto dá sustentação aos objetivos de longo alcance, de manter a importância junto aos moradores locais mesmo que o ambiente da mídia digital se fragmente e divida ainda mais.

    Moor chega a sugerir que em prazo mais longo a dependência maior da estação de TV quanto aos repórteres do jornal pode significar que a TV tenha mais editores e apresentadores mas menos repórteres de rua. Nem todo mundo concorda com isso, porém.

    Não importa como isso se resolva, o jornal e os jornalistas de TV envolvidos podem deixar de se ver como competidores. Esperem por novas alianças desse tipo, com o tempo, especialmente se a Comissão Federal de Comunicações enfim relaxar as regras sobre propriedade cruzada de veículos de mídia -algo que de acordo com alguns analistas talvez aconteça em 2003.

    Tradução: Paulo Migliacci






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