Publicidade

Boletim grátis
Fique por dentro do que acontece no mundo da tecnologia
Divulgação



AVISO:
Mundo Digital agora é UOL Tecnologia; conheça o novo site
 ÚLTIMAS NOTÍCIAS

18/12/2002 07h00

Internet grátis ameaça setor, diz Telefônica
Disputa entre empresas pode elevar tarifas de telefone, prejudicando usuários de menor poder aquisitivo


Elvira Lobato
Folha de S.Paulo

O acesso gratuito à Internet virou instrumento de disputa de mercado entre as empresas de telefonia. A guerra, que está apenas começando, pode colocar em risco a produção nacional de conteúdo para Internet, afirma o vice-presidente de estratégia corporativa e regulatória da Telefônica, Eduardo Navarro de Carvalho.

"Se o acesso à Internet virar um jogo entre empresas de telecomunicações, todas terão seu próprio provedor gratuito para não serem engolidas na competição pelo tráfego. Mas o foco delas não será o conteúdo. Vejo risco dessa disputa contaminar o mercado de Internet", afirmou Navarro.

A polêmica começou com o contrato assinado entre a Telemar e o provedor de acesso gratuito iG, no ano passado [parte dos sócios controladores da Telemar são também acionistas do iG, como o GP, Opportunity, grupo La Fonte e a Andrade Gutierrez Telecomunicações". Em seguida, foi a vez da Brasil Telecom, com o iBest. A Telefônica acaba de lançar o i-Telefônica, no interior de São Paulo, mas diz que está apenas defendendo seu mercado dos concorrentes.

Folha - Com que propósito a Telefônica está lançando um provedor de acesso gratuito no interior de São Paulo?
Eduardo Navarro de Carvalho -
É apenas uma estratégia defensiva. Uma espécie de vacina, ou antídoto, para a ação de empresas que tentam usar a Internet gratuita para obter parte da receita do tráfego telefônico. Mas, se a prática do sumidouro de tráfego for consolidada, vamos entrar de forma agressiva no mercado, apesar de acharmos que a Internet gratuita trará ônus a médio prazo, que serão arcados por todos, inclusive pelos que não usam a Internet.

Folha - O que vem a ser "sumidouro de tráfego"?
Navarro -
A polêmica está na remuneração do uso das redes de telecomunicação. A regra para a interconexão das redes foi pensada para o tráfego de voz. Se uma empresa gera mais de 55% do tráfego entre duas redes, ela deve ser compensada financeiramente pela outra. Com a explosão da Internet e a abertura do mercado de telecomunicações, há uma pressão para que o tráfego de Internet seja incluído no pagamento de interconexão. A nosso ver, o tráfego de Internet deve ser tratado de forma diferenciada.

Folha - Por que o senhor não quer que as ligações para provedor de Internet entrem na partilha de receita entre as operadoras?
Navarro -
Porque será uma sangria de receita das teles. Se um internauta usar a Internet durante uma hora, após a meia-noite, e por duas horas nos finais de semana, vai pagar R$ 2,70 à empresa de telefonia, para 38 horas de conexão. Se o provedor de Internet estivesse numa rede concorrente, e as ligações fossem computadas no cálculo de interconexão, a tele teria de pagar R$ 51,00 pelo tráfego gerado por aquele internauta. Ou seja, pagaria 20 vezes mais do que receberia.

Folha - O contrato entre a Telemar e o iG, no seu entender, foi assinado com o objetivo de roubar tráfego?
Navarro -
Seguramente. Não vejo outro motivo. Se a Telemar der metade da receita ao iG, receberá por mês cerca de R$ 26,50 por usuário, equivalente à mensalidade média de um provedor pago.

Folha - Quanto dinheiro está em jogo nessa disputa?
Navarro -
As três operadoras [Telefônica, Telemar e Brasil Telecom" teriam perda de receita de até R$ 1,3 bilhão. A Telefônica teria perda de pelo menos R$ 400 milhões, que representa 20% da receita de tráfego de ligações locais. Acontece que os contratos de concessão têm garantia de equilíbrio financeiro. Não estamos obrigados a suportar prejuízos que não decorram de negligência ou de ineficiência. Como o sumidouro de tráfego é algo que não podemos evitar, teríamos direito a um reajuste tarifário, dentro de curto ou médio prazo.

Folha - O senhor é contra a Internet gratuita?
Navarro -
Não critico a Internet grátis em si, mas nada é de graça. Haverá aumento da tarifa de telefone e todos nós vamos pagar a conta. Isso não é justo, porque mais de dois terços dos assinantes de telefone estão nas classes C, D e E, que não têm Internet. Enquanto 70% da classe A e 35% da classe B têm Internet, o índice é de 10% na classe C, de 4% na D e de zero na E. Por esse motivo, a Internet grátis vai contra a universalização das telecomunicações, pois o pobre acabará subsidiando o acesso do rico à Internet, numa espécie de Robin Wood ao contrário.

Folha - A oferta de acesso gratuito à Internet pelas teles não configura concorrência desleal com os provedores independentes?
Navarro -
O risco nessa disputa de Internet gratuita é destruir a produção de conteúdo local. O Brasil é um dos poucos países da América Latina com conteúdo de internet nacional. A maioria só tem conteúdo estrangeiro. Se o acesso à Internet virar um jogo entre empresas de telecomunicações, todas terão seu próprio provedor para não serem engolidas na competição pelo tráfego. Mas o foco das teles não será o conteúdo. Vejo risco dessa disputa contaminar o mercado de Internet.

Folha - Por que esse assunto só veio à tona agora?
Navarro -
Temos levado o problema à Anatel (a agência reguladora das teles) há pelo menos dois anos. A agência entendia que o assunto seria esclarecido na consulta pública sobre a regulamentação da Internet, mas o texto provocou uma discussão muito grande. A consulta pública não está suficientemente clara, mas acredito que o objetivo da Anatel é acabar com o sumidouro de tráfego.

Folha - Por que o contrato entre a Telemar e o iG suscita tanta polêmica?
Navarro -
Ele estabelece que todas as ligações para o iG terão de passar pela rede da Telemar. Ou seja, a Telemar será a intermediária das ligações para o iG em São Paulo e em todo o país. É o sumidouro de tráfego. Esse problema está emperrando as assinaturas dos contratos de interconexão entre as concessionárias locais e os novos competidores do mercado. A Telefônica só tem um contrato de interconexão para acesso à rede local: o da Vésper, assinado no ano passado, que não inclui o tráfego de internet para o cálculo da receita de interconexão.

Folha - A Telefônica já sentou para tratar do contrato de interconexão para o serviço em São Paulo?
Navarro -
Até agora, a negociação mais avançada se deu com a Embratel, mas há pontos essenciais a resolver e o principal deles é o tratamento do tráfego de internet. Nós propusemos excluir a internet do cálculo da interconexão, mas a Embratel não aceitou. Pedimos a arbitragem da Anatel, algumas semanas atrás. Outras empresas, como a AT&T e a GVT (esta última já criou seu provedor gratuito), também não concordam. A Embratel não tem provedor gratuito de acesso à Internet, mas pode vir a assinar contratos com algum deles. Por isso, a briga é explosiva.

Notícias relacionadas:
  • Motorola lança celular baseado em Windows Mobile
  • Reportagem do UOL News apressa "compra" do iG pela BrTelecom
  • Ações da Brasil Telecom caem com notícia de interesse em comprar iG
  • Venda do iG será definida em janeiro
  • Brasil Telecom estuda compra do iG
  • BrTelecom quer comprar por US$ 115 mi empresa sem receita
  • Anatel buscará "saída" para a Brasil Telecom
  • Conflito na Brasil Telecom põe Anatel em xeque
  • Telecom Italia tem razão, diz Miro
  • Brasil Telecom diz que irá ao Cade contra operadora italiana
  • Audiência na Câmara discute modelos de acesso à Internet
  • Miro Teixeira critica Anatel durante abertura da Telexpo
  • Consulta pública para acesso à Web termina neste sábado
  • Apesar do acesso "grátis", internauta inglês prefere serviços pagos
  • Usuários da Telemar e Internet "grátis" reclamam de contas
  • Telemar diz atuar de acordo com a Anatel
  • Abranet propõe plugar 32 milhões de estudantes
  • Telefônica deve abrir provedor gratuito à Web
  • Provedores oferecem Internet para escolas
  • Anatel adia, mais uma vez, término da Consulta Pública 417
  • Internet paga sai mais barata do que a "grátis" na Argentina
  • Internet gratuita fracassa nos EUA e no Canadá
  • Gartner prevê fim da Internet grátis na AL
  • UOL defende a isonomia na Internet e desafia iG
  • Para Abranet, Brasil Telecom e Telemar subsidiam provedores gratuitos
  • Novas regras para Web podem elevar número de usuários em 25%
  • Usuário poderá escolher operadora
  • Anatel prevê novos modelos para acessar a Internet
  • "Todos não podem ter um ônus para que alguns se beneficiem"
  • Anatel promete ser dura com operadora que subsidiar provedor
  • Classes mais baixas patrocinam Internet "grátis" dos mais ricos
  • Todo brasileiro tem direito a e-mail grátis desde 1999
  • Anatel é contra repasse de receita das teles aos provedores "gratuitos"
  • Entenda o que é interconexão
  • O que é e como funciona uma Consulta Pública
  • Consulta Pública 417 propõe novos modelos de acesso à Internet
  • Audiências para discutir regulamentação de acesso à Internet acontecem esta semana
  • Internet gratuita custa caro
  • Abranet alerta para risco de monopólio no acesso à Internet
  • Telefônica recua e libera interconexão para Embratel
  • Anatel quer criar tarifa mensal fixa para Internet
  • Teles condenam disputa e pedem nova regra
  • Conta do acesso gratuito "não fecha", diz provedor
  • iG não comenta contrato nem modelo de negócio
  • Empresas contestam acordo iG-Telemar
  • Não há almoço nem Internet grátis, diz especialista; veja a entrevista
  • Embratel começa a oferecer telefonia fixa local em São Paulo
  • Internet grátis ameaça setor, diz Telefônica
    Disputa entre empresas pode elevar tarifas de telefone, prejudicando usuários de menor poder aquisitivo
  • Presidente da Telefônica apóia parecer sobre fim dos privilégios exclusivos do iG
  • Leia a íntegra do parecer da Seae sobre privilégios exclusivos do iG
  • Seae limita compra do iG pela Telemar
    Órgão público recomenda condição para aprovação da venda
  • Brasil Telecom paga R$ 50 milhões pelo iBest




  •  

     13/05/2005

    15h35 - George Bush virtual canta rap sobre luta contra terrorismo

    13h17 - Microsoft inicia testes em ferramenta de segurança

    12h36 - Gamers podem construir império virtual com academia de ginástica

    12h03 - Firefox aposta em vídeos na web para atrair internautas

    11h12 - Tempo de navegação no último ano aumentou para 60% dos internautas

    10h20 - Xbox 360 é arma da Microsoft para a guerra dos consoles

     12/05/2005

    19h59 - Preços dos computadores devem cair 9,25% com isenção de PIS e Cofins

    16h46 - Nova versão do Firefox corrige falhas de segurança

    16h07 - Homens conversam mais no celular do que mulheres, diz estudo

    14h30 - Volume de transações virtuais cresce 31% no primeiro trimestre