Quarta-feira, 23/10/2024 | | | |  | O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Ricardo Nunes, participa do evento de campanha "Arrancada para a Vitória" ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas | 21.out.2024-Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo |
| Nunes praticamente reeleito, segundo a Quaest. Vitória do MDB e da velha política | | | A nova pesquisa Quaest a quatro dias da eleição, confirma o favoritismo de Ricardo Nunes (MDB) e o desafio hercúleo de Guilherme Boulos (PSOL) para virar votos até domingo. Nunes aparece com 44% das intenções de votos contra 35% de Boulos. Ao que tudo indica, Ricardo Nunes será reeleito prefeito no próximo dia 27. Uma corrida eleitoral sui generis, que quase premiou um outsider (Pablo Marçal), inspirador de amor e ódio no primeiro turno. Passaram pelo crivo paulistano para uma segunda análise o político de carreira de um dos partidos mais tradicionais da nova República, Ricardo Nunes, e o nome da esquerda, Guilherme Boulos, ungido pelo nome mais forte da esquerda no Brasil, o presidente Lula. A política tradicional já guarda o mérito de ter colocado o extremismo de Marçal para correr - por uma diferença de 81.865 votos entre Nunes e o ex-coach - no primeiro turno. Se não houver surpresas até o dia 27, Nunes pode frustrar também as expectativas do lulismo de ver sua jornada heroica sendo coroada outra vez nas municipais. A primeira vez foi em 2002, eleito após quatro campanhas derrotadas para presidente. Depois, reeleito em 2006, e outra vez em 2022, após a humilhante prisão em 2018. Nunes iniciou a corrida eleitoral como um ilustre desconhecido de muitos dos eleitores que votarão nele. Sobreviveu ao desdém do ex-presidente Jair Bolsonaro - "não é meu candidato dos sonhos", chegou a dizer -, à pressão do B.O. contra ele, lavrado pela esposa, Regina Carnovale, e ao apagão da Enel em plena campanha. Teve a ajuda decisiva do governador, Tarcísio Nunes (Republicanos), que segurou sua mão desde o início e tomou as rédeas no segundo turno. Colocará o MDB no Olimpo, onde hoje reina o PSD, de Gilberto Kassab, ao levar a Prefeitura de São Paulo, joia da coroa no tabuleiro político. A eventual derrota de Boulos, por outro lado, pode ser mais uma fatura da conta negativa da esquerda nesta eleição municipal. Com menos prefeituras que o PSDB - também afetado pela derrota de José Luiz Datena - Boulos acabou comprando algumas ideias que mostraram falta de identidade na reta final. Ora emulava Pablo Marçal com um tom acima do que mostrou no primeiro turno, ora repetia fórmulas que já foram bem-sucedidas duas décadas atrás, como a Carta ao Povo de São Paulo, que copiou o modelo da "Carta ao Povo Brasileiro", marco da política brasileira quando Lula assinou compromissos para quebrar o medo que havia dele no mercado financeiro. O Brasil não é o mesmo de Lula 2003, e nem mesmo o mercado se autointitula assim. Estamos na era da Faria Lima, e de um país onde o medo é maior do que a expectativa de mudança com a esquerda. Barbas de molho e vida que segue. |
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| Publicidade |  | |  | O vereador Isac Félix (PL), 12º mais votado em São Paulo | Reprodução/Instagram/@isacfelix_/ |
| A matemática furada dos votos x seguidores nas redes sociais | | Quanto mais seguidores nas redes sociais, mais chances de ganhar votos na urna, certo? Errado. A matemática parecia certa, ainda mais depois do furacão Pablo Marçal, que, com seus milhões de seguidores, quase passou para o segundo turno da eleição. Mas, na vida real, as redes são uma referência, mas não uma definição. O prefeito Ricardo Nunes, por exemplo, tem 1 milhão de seguidores, menos da metade do que Guilherme Boulos, que soma 2,4 milhões. Vereadores da capital também conseguiram se eleger sem serem estrelas da internet. Isac Felix (PL) tem 12.800 seguidores nas redes, mas foi o 12º mais votado, com 62.275 votos, à frente, por exemplo, de Adrilles Jorge (PL), que soma 887.000 seguidores e se elegeu com 25.038 votos. |
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|  | Pablo Marçal (PRTB) desafiou Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL) a participar de uma sabatina no canal dele antes da eleição | Reprodução/redes sociais |
| Marçal chama candidatos para sabatina e leva invertida de vice de Nunes | | De férias na Europa após ser derrotado no primeiro turno, Pablo Marçal segue tentando marcar presença na disputa em São Paulo. O ex-coach divulgou um vídeo em suas redes sociais desafiando Ricardo Nunes e Guilherme Boulos a serem sabatinados por ele. "Se um aparecer ou os dois, o pau vai quebrar", disse o terceiro colocado na disputa. Boulos já aceitou. Oficialmente, a campanha de Nunes optou pelo silêncio, mas o vice na chapa do candidato à reeleição, Mello Araújo (PL), provocou o influenciador: "Está desempregado? Procurando emprego de jornalista? Vai terminar suas obras na África". Ele se refere a um projeto de construção de casas populares de Camizungo, em Angola, que o ex-coach cita com frequência como um exemplo de sua atuação em prol da habitação. Das 300 residências prometidas, apenas 42 foram integralmente entregues. |
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| Futebol e política se misturam em disputa PT x PL em Fortaleza | A campanha acirrada do segundo turno para prefeito de Fortaleza, entre Evandro Leitão (PT) e André Fernandes (PL), invadiu as relações de ambos com o futebol estadual. Evandro foi presidente do Ceará de 2008 até 2015 - último ano em que o Vozão ganhou sua primeira Copa do Nordeste. Entre 2019 e 2022, foi também presidente do Conselho Deliberativo do clube. Sua atuação no clube é ressaltada por ele, mas também criticada por rivais. Por conta disso, eleitores e torcedores das duas equipes passaram a adotar o caso como motivo para pedir ou para rechaçar voto em Evandro.
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| Apoio de Lula a Fuad em BH une PT à centro-direita e mira Kassab em 2026 | Em busca do apoio do PSD, de Gilberto Kassab, para sua reeleição em 2026, o presidente Lula colocou o PT a reboque da centro-direita em Belo Horizonte ao apoiar a reeleição de Fuad Noman (PSD) no segundo turno contra Bruno Engler (PL), apoiado por Jair Bolsonaro. Lula apostou suas fichas no PSD porque Minas é crucial para vencer em 2026. A última vez que um candidato levou a Presidência sem ganhar em Minas foi em 1950, com Getúlio Vargas. Vencer no estado é importante porque suas diferenças regionais e sociodemográficas o tornam uma "miniatura" do Brasil.
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| |  | Está desempregado? Procurando emprego de jornalista? Vai terminar suas obras na África | | Coronel Mello Araújo | candidato a vice de Nunes em resposta a Pablo Marçal, que convidou o prefeito e Guilherme Boulos para sabatina |
| Publicidade |  | | Bolsonaro reforça apoio a Nunes em evento em São Paulo após ausência na campanha | | | Fabíola Perez/UOL | | |