Os sírios iniciam a semana com esperança, medo e incerteza no dia seguinte à queda do presidente Bashar al-Assad, após 24 anos de governo, pelo menos 13 dos quais à frente de um regime acusado pela ONU de "crimes de guerra, contra a humanidade e outros delitos internacionais, incluindo o genocídio". Nesta segunda-feira, alguns grupos de manifestantes se reuniram para comemorar a deposição de Assad, e famílias procuravam por parentes na prisão de Sadnaya, descrita pela Anistia Internacional como um "matadouro humano". Em entrevista à BBC, no entanto, Suhair Zakkout, uma funcionária da Cruz Vermelha Internacional em Damasco, disse que a maioria das ruas está deserta. "As pessoas estão vivendo com medo". Rebelde modera discursoAhmed Al-Sharaa, líder do grupo rebelde Hayat Tahrir al-Sham (HTS), abandonou seu nome de guerra, Abu Mohammed al-Jawlani. A iniciativa é vista como mais um gesto de distanciamento de seu passado de violência e ligação com a Al Qaeda. "Ele sabe que, para obter apoio e aceitação internacional ao novo governo da Síria, precisa conter os elementos mais radicais do grupo", diz o analista de segurança internacional da BBC, Frank Gardner. O governo britânico afirmou hoje que vai reavaliar a classificação do HTS como um "grupo terrorista". Paradeiro de AssadO ex-ditador sírio Bashar al-Assad e sua família estão na Rússia e receberam asilo político, segundo a agência de notícias do país, Interfax, que cita autoridades cujos nomes não foram revelados. O governo, porém, não confirma a informação. O porta-voz de Putin, Dimitri Peskov, se limitou a dizer que uma eventual concessão de refúgio é prerrogativa exclusiva do presidente. A embaixada síria em Moscou hasteou a versão da oposição para a bandeira, com três estrelas vermelhas no lugar das duas estrelas verdes usadas pela dinastia Assad. Conselho da ONU discute crise na SíriaO Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje em caráter de emergência a portas fechadas para discutir a crise na Síria, a pedido da Rússia - principal aliada de Assad. O conselho classifica o grupo Hayat Tahrir al-Sham como "terrorista". Apesar da queda do regime, ainda há confrontos e interferência de potências estrangeiras em vários pontos da Síria. Ontem, os Estados Unidos bombardearam o que disseram ser 75 alvos do Estado Islâmico dentro do território sírio. Tropas de Israel invadiram a região de fronteira da Síria com as Colinas de Golã, também área síria, sob ocupação israelense. A força aérea israelense ainda atacou bases do Exército sírio perto de Damasco, com a justificativa de evitar que as armas caíssem nas mãos de grupos "extremistas".  | Catedral de Notre-Dame, em Paris, reabre ao público pela primeira vez após ter sido destruída por um incêndio em 2019 | Imagem: Ludovic Marin/AFP |
Crise na CoreiaO presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, foi proibido nesta segunda-feira de deixar o país, segundo Oh Dong-woon, chefe do Escritório de Investigação de Corrupção para Oficiais de Alto Escalão do Ministério da Justiça. No sábado, Yoon Suk Yeol sobreviveu a uma votação de impeachment graças à abstenção de deputados de seu partido. A oposição, porém, disse que reapresentará o pedido de impeachment para votação no próximo fim de semana. O presidente também sofre pressão da opinião pública e até dentro de seu partido para renunciar, após a tentativa fracassada de impor a lei marcial, proibir reuniões políticas e censurar a imprensa na semana passada. Emergência climáticaÉ praticamente certo que 2024 será o ano mais quente da história e o primeiro a superar o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris, segundo o observatório europeu Copernicus. A previsão anterior era que esse marco só ocorreria por volta de 2030 a 2050. A superação agora "não significa que o Acordo de Paris tenha sido rompido, mas significa que ações climáticas ambiciosas são mais urgentes do que nunca", disse Samantha Burgess, vice-diretora do Copernicus. Em entrevista recente ao UOL, o físico e pesquisador Paulo Artaxo, um dos principais especialistas brasileiros no clima, disse que o problema é "que os compromissos das reduções de emissões dos países não estão sendo cumpridos". Trump ameaça a UcrâniaDonald Trump afirmou no fim de semana que a ajuda à Ucrânia "provavelmente" será diminuída em seu governo. O presidente eleito dos EUA também disse, após conversa com Zelensky, que o líder ucraniano está disposto a negociar o fim do conflito com a Rússia. "Zelensky e a Ucrânia gostariam de fazer um acordo e acabar com essa insanidade." Em resposta, Zelensky afirmou que qualquer proposta de cessar-fogo precisa "garantir a confiabilidade da paz". Na última sexta-feira, Joe Biden anunciou mais um pacote de US$ 1 bilhão em ajuda militar à Ucrânia - provavelmente o último antes da entrega do governo a Trump. PUBLICIDADE |  | |