Para evitar obesidade dos filhos, pais devem ter bons hábitos alimentares

Elisabete Almeida

Elisabete Almeida

Especial para o UOL

Desde 2010, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vem mostrando aumento no número de crianças gordas no país. De cada 3, 1 é obesa, o que coloca o Brasil em terceiro lugar no ranking mundial de população infantil mais gorda, uma situação terrível e preocupante. As crianças obesas de hoje serão os adultos obesos daqui a dez anos, tempo que passa num estalar de dedos.

Está mais do que comprovado que educar a criança desde cedo a comer pouco e de maneira saudável é a chave para evitar que ela cresça gorda e tenha problemas de saúde no futuro.

Criança não precisa comer muito. Seu estômago é pequeno, não se compara com o dos adultos e precisamos respeitar esse limite. Uma criança "fofa" não é sinônimo de saudável, muito pelo contrário.

O controle da obesidade infantil começa em casa, com refeições balanceadas, prática de atividade física e mudança dos hábitos alimentares de toda a família.

Divulgação Isso [sobrepeso dos filhos] pode ser influência da família, caso os pais estejam acima do peso e tenham hábitos alimentares 'gulosos' Elisabete Almeida, médica e coordenadora do programa Meu Pratinho Saudável, sobre a obesidade infantil

É fácil perceber se o seu filho está acima do peso. Basta compará-lo a parentes da mesma faixa etária ou aos colegas da escola. Muitas vezes, os pais e avós não percebem que a criança já está com sobrepeso, que é um passo antes da obesidade. Isso pode ser, inclusive, influência da família, caso os pais (ou um deles) estejam acima do peso e tenham hábitos alimentares "gulosos".

Por isso, o exemplo deve vir de casa. Não é possível que pais ou responsáveis façam vistas grossas para crianças que comem o dia inteiro, sem horário nem disciplina, ou que ingiram grandes quantidades de alimentos em cada refeição.

Hábitos alimentares saudáveis

A criança, depois que passa a comer sozinha, tem que ser orientada a montar seu prato. Isso deve ocorrer em qualquer refeição, seja ela almoço, jantar, café da manhã - criança que não está acostumada com café da manhã é mais preguiçosa e desatenta na escola - ou lanches intermediários.

No entanto, a criança deve comer de 3 em 3 horas, para dar tempo para o estômago esvaziar e também para sentir um pouco de fome. E também deve aproveitar os intervalos para, além de fazer a lição de casa, brincar, correr ou pular, gastando assim as calorias das refeições.

Uma refeição saudável para crianças é formada por: verduras e legumes, crus e cozidos, (metade do prato) e alimentos ricos em proteínas (1/4 do prato) e em carboidratos  (1/4 do prato).

O café da manhã e os lanches devem conter pelo menos um alimento rico em proteínas, um alimento rico em carboidratos e um alimento de origem vegetal: fruta, verdura ou legume. Doces e refrigerantes devem ser deixados para o final de semana, e em pequenas quantidades.

Criança deve comer apenas o que ela suporta naturalmente, forçá-la a 'limpar o prato' e comer tudo o que colocou nele é um grande erro Elisabete Almeida, médica e coordenadora do programa Meu Pratinho Saudável, sobre o controle da obesidade infantil

Alguns produtos, principalmente os que contêm gordura, devem ser evitados, especialmente se forem fritos. Uma família de quatro pessoas deve utilizar uma lata ou, no máximo, uma lata e meia de óleo por mês. No preparo de arroz, feijão e ensopados, apenas uma colher de café de óleo. O gosto não muda.

Disciplina é a palavra-chave: mesmo se os pais não estiverem presentes na hora do almoço, quem estiver cuidando dos filhos deve ser orientado a colocar a refeição na mesa no mesmo horário todos os dias. Este é um hábito muito importante, que ajuda no comportamento alimentar dos pequenos.

Para que as crianças aprendam a gostar de legumes e verduras os pais devem insistir, mas sem exageros. É fundamental que elas experimentem um pouco todos os dias, até se acostumarem.

E o mais importante: a criança deve comer apenas o que ela suporta naturalmente. Forçá-la a "limpar o prato" e comer tudo o que colocou nele é um grande erro. 

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Elisabete Almeida

59 anos, é médica radiologista e coordenadora do Programa Meu Pratinho Saudável, do Instituto da Criança do HC-FMUSP com a LatinMed Editora em Saúde

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