Com a tecnologia, comprar gibi na banca virou coisa de colecionador

Agata Desmond

Agata Desmond

Especial para o UOL

Branca de Neve, Cinderela, Peter Pan e Chapeuzinho Vermelho, o que todos esses nomes têm em comum? São títulos clássicos da literatura infantil e fizeram a cabeça da criançada por gerações. Para muita gente, porém, esses personagens nem são mais lembrados.

Talvez pensem que hoje a Branca de Neve está queimada de sol e foi largada pelos sete anões, que a Cinderela desistiu de ser princesa e que o Peter Pan tomou vergonha, deixou de brincar de eterno garotão, arrumou emprego, casou e vive cheio de pilhas de carnê para pagar.

Mas que nada. Ledo engano. O mercado editorial infantil segue de vento em popa. Em algumas editoras do segmento, a expansão prevista é 15%. As histórias em quadrinhos não ficam muito atrás. Aliás, nos tempos atuais, tudo parece estar interligado.

Da década de 1970 à de 1990, o Brasil ainda vivia o boom das histórias em quadrinhos com diversas editoras e muitos trabalhos. Para fazer um exemplar de HQ, eram necessários o editor, o roteirista, o letrista, o arte finalista, o desenhista e o colorista. Muita gente que recebia por seus trabalhos e que quando a revistinha bombava nas bancas era certo virem mais exemplares pela frente.

Hoje, em 2015, muita coisa mudou. O advento da tecnologia trouxe muitas facilidades, mas também comeu diversos postos de trabalho. O número de pessoas necessárias para uma revistinha diminuiu bastante. Mas, elas ainda existem, sim. Agora, na forma de livro.

O formato pequeno, tipo cartilha, vendido nas bancas virou coisa de colecionador. A inclusão da tecnologia na arte do desenho criou um leitor mais exigente. Se antes as histórias em quadrinhos lotavam as bancas, agora tomam as estantes das livrarias. Em formato de capa dura com papel especial, o colorido e os desenhos atuais parecem quer refletir as cenas de um filme. Tudo para conquistar e fidelizar os leitores e a criançada.

Parece ter dado certo. A cada dia, as crianças vão à Academia Brasileira de Histórias em Quadrinhos em busca dos gibis da Mônica e do Cebolinha –do fantástico Maurício de Souza– mas também dos personagens da Marvel e companhia.

As revistas de capa dura são um verdadeiro sucesso e concorrem de igual para igual com o mundo virtual. Tudo agora é interligado: é o papel com o site e com o game. Já tem até empresa querendo fazer áudio book.

Ninguém investe em árvore que não dá frutos e as histórias em quadrinhos dão muitos frutos, sim. Ainda hoje, elas servem como um poderoso instrumento de alfabetização, ajudam na formação do raciocínio e também estimulam o imaginário, sobretudo, das crianças.

As histórias em quadrinhos abrem a porta para os sonhos e nos fazem acreditar que tudo pode ser melhor, mais colorido e que, mesmo em meio às terríveis lutas, sempre haverá um super-herói cheio de poderes disposto a nos ajudar. Nós, da Academia Brasileira de Histórias em Quadrinhos, estamos aí para ajudar na preservação da memória da história das HQs.

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Agata Desmond

é escritora, roteirista de HQs e presidente da Academia Brasileira de Histórias em Quadrinhos

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