Sem melhorar serviços, governo não deve mexer na Previdência

Willian Martins

Willian Martins

Artigo do internauta

Li na última terça-feira (16) um excelente artigo do ilustre José Pastore, cujo tema central foi defender uma reforma na Previdência Social. Concordo com boa parte dos argumentos apresentados, mas não vejo com bons olhos a questão de aumentar a idade mínima para aposentadoria sem que haja uma série de outras reformas.

A reforma tributária, por exemplo, é igualmente importante para o desenvolvimento do Brasil. É indispensável destacar que o nosso sistema de tributação direciona toda a sua artilharia para o consumo e, por isso, naturalmente que os trabalhadores das classes média e média baixa, que não dispõem de recursos para optar por alternativas mais baratas, são os mais afetados.

Não se pode alterar o sistema previdenciário em um país cujo sistema público de saúde, segurança e educação são absolutamente falhos e obsoletos. Impor ao cidadão que ele só poderá se aposentar após os 65 anos, conforme defendido pelo Pastore, sem garantir serviços públicos básicos, é o mesmo que jogar alguém no deserto garantindo que terá água para sobrevivência. A aposentadoria é uma garantia dada ao trabalhador que teve seu dinheiro tirado, compulsoriamente, por anos.

Aliás, também gosto de destacar que o governo deve apresentar de forma clara quais são os pontos principais desse projeto a ser encaminhado para apreciação dos congressistas. Não se podem mudar as regras do jogo sem comunicar, ouvir e atender os jogadores que, neste caso, são os trabalhadores.

Outro ponto a ser analisado é a fonte de financiamento para benefícios. Atualmente o dinheiro dado aos aposentados por idade ou invalidez sai do mesmo fundo que paga àqueles que contribuíram por 35 anos ou mais. Evidente que a equação jamais irá bater. Deveria existir outra fonte de financiamento exclusiva para essa finalidade.

A crise econômica que assola o país faz com que o governo cometa os mais absurdos excessos em busca de aumento de arrecadação ou redução de despesas. Esquecem, porém, que o Congresso e o funcionalismo público federal são pesados demais para o orçamento público brasileiro. Só que mexer nisso nenhum presidente ouça tentar.

Enfim, precisamos reequilibrar as contas públicas, mas não se pode transferir toda a fatura para a sociedade brasileira. Podemos até aceitar alguma alteração nas regras, desde que o governo também retire o alto custo de vida imposto aos brasileiros. Sem redução de tributos e melhor qualidade dos serviços públicos, o povo não pode aceitar esse tipo de alteração.

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Willian Martins

é internauta do UOL, publicitário e secretário-geral do PP em Guararema (SP)

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