Aproveite a declaração de IR para refletir sobre sua saúde financeira

Mauro Calil

Mauro Calil

Especial para o UOL

O momento atual vivido pelos brasileiros é bastante complexo sob qualquer ponto de vista. Tanto faz se a questão é política, financeira, ou mesmo de confiança. No meio de uma enxurrada de notícias ruins, chegou a vez de cada cidadão fazer a declaração de imposto de renda. E o cenário não está nada fácil.

O ano de 2015 foi muito complicado. Dados apurados pela Confederação Nacional do Comércio indicam que o número de famílias que relataram não ter perspectiva de pagar suas contas em atraso aumentou 23,2% em relação a igual período do ano anterior. Anteriormente, o Banco Central havia divulgado que quase a metade da renda das famílias brasileiras está comprometida com dívida. O endividamento já passa de 46%.

Muitos contribuintes irão enfrentar uma situação no mínimo estranha: estão desempregados no momento. Alguns, com mais sorte, constatarão que têm apenas uma única fonte de renda e que a mesma pode deixar de existir até o final de 2016. Assim, mais do que nunca a obrigação com o fisco se torna um processo de avaliação sobre a evolução patrimonial de indivíduos e de suas famílias.

Não se esqueça de que a inflação em 2015 foi de 10,67%. Essa informação se torna crucial, já que você pode perceber que o seu patrimônio não cresceu. Essa não é a pior notícia. A informação dolorosa é se você constatar que está endividado ou andou para trás. É um momento de reflexão!

Se você já tem mais de uma fonte de renda verifique o quanto está recebendo em cada uma delas. Em comparação aos últimos anos, esse valor é maior ou menor? Está com imóveis desalugados? Teve prejuízo nas ações e fundos imobiliários? Todos esses pontos merecem uma cuidadosa reflexão. Talvez você seja obrigado, pelos fatos e circunstâncias, a tomar uma atitude. Lembre-se de que carros e a sua casa são bens que causam despesas e não geram receitas.

Verifique na sua declaração se há um aumento no campo ônus e dívidas reais. Ele é destinado a declarar o que devemos a bancos, financeiras, rotativo do cartão de crédito etc. Se teve que preencher esse campo, fique atento: precisa estabelecer urgente um plano para sair das dívidas.

Se você teme fazer parte do grupo de desempregados até o final de 2016, seja prudente, mas não deixe de agir. Tente encontrar uma nova fonte de receita. Não será uma tarefa fácil. Dados recentes indicam que o desemprego na indústria caiu 0,8% entre dezembro de 2015 e janeiro deste ano, aponta a CNI (Confederação Nacional da Indústria). É a 12ª queda consecutiva. Nessa busca por mais receita, deixe fora o empreendedorismo. Ele é a iniciativa mais arriscada de todas.

Ao terminar sua declaração faço votos de que seus bens, direitos, fontes de receitas e sua renda tenham aumentado como um todo e de formal real. Mas sei que esta não será a realidade de grande parte dos 28 milhões de brasileiros que irão declarar IR em 2016. Perceberemos um empobrecimento generalizado de nossa população.

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Mauro Calil

é especialista em investimentos no Banco Ourinvest. É também palestrante, autor dos livros "Receita do bolo" e "Separe uma verba para ser feliz" (ambos da editora Gente) e proprietário da Academia do Dinheiro

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