Mudança da Ceagesp não está sendo discutida com profundidade

Antonio Carlos do Amaral Filho

Antonio Carlos do Amaral Filho

Especial para o UOL

Muito se tem falado sobre a possível mudança da Ceagesp do seu atual endereço na Vila Leopoldina, onde ela está instalada há mais de 50 anos, para um outro local na Grande São Paulo, por motivos variados.

Entretanto, pouco se tem falado da importância e do papel que a Ceagesp desempenha no mercado de alimentos, não só para o Estado de São Paulo como para todo o Brasil.

A existência da Ceagesp tem papel primordial na sobrevivência dos pequenos e médios produtores agrícolas, responsáveis pelo abastecimento de frutas e hortaliças da região metropolitana de São Paulo, muitos dos quais não teriam como escoar sua produção se não fosse por esse mercado atacadista.

Por isso, hoje sentimos que muita da discussão sobre a mudança da Ceagesp de local não está levando em consideração a profundidade necessária, que envolve tanto o mercado consumidor como o produtor das mercadorias aqui comercializadas.

A operação da companhia envolve mais de 50 mil pessoas diariamente –entre empregados, carregadores, compradores e visitantes–, os quais respondem de maneira direta e indireta pela comercialização de produtos agrícolas, atividade praticada por cerca de 2.250 atacadistas e comerciantes registrados na Ceagesp –a quem chamamos de permissionários, por terem a permissão de operação comercial dentro dos entrepostos. É um universo social complexo, cuja compreensão é imprescindível para qualquer hipótese de mudança a ser levada adiante.

Ainda que o senso comum dite que o atual entreposto está pequeno demais para a grandiosidade do Estado de São Paulo, na verdade ele responde por 60% do abastecimento de todas as frutas e hortaliças comercializadas na região metropolitana.

Uma nova operação, no nosso entender, deverá envolver o aumento na gama de produtos ofertados, visando sempre a ampliação e modernização dos mercados. Consumidores, comerciantes e empregados envolvidos nessa operação terão de ser consultados para que sejam preservados seus interesses, visando o abastecimento da região metropolitana e evitando que este entre em colapso.

Assim sendo, teríamos a incorporação de novos serviços que atendam o mercado consumidor, bem como de novos produtos a serem inseridos no mercado da Ceagesp, objetivando sempre o melhor para a população do Estado de São Paulo.

Uma decisão de tamanha importância tem reflexos na cadeia alimentar de frutas, legumes, verduras, pescados e outros produtos, não só do Estado de São Paulo como de todo o Brasil. Todos os envolvidos no processo, como consumidores, atacadistas, produtores e permissionários, devem ser consultados e levados em consideração apropriadamente.

Como presidente da companhia, meu papel como principal gestor da Ceagesp será o de cumprir e administrar adequadamente o que for decidido a respeito da questão. Dessa forma, podemos entender que teremos muito trabalho e discussões pela frente para que possamos colocar em prática a operacionalização de uma nova e moderna Ceagesp para o Estado de São Paulo.

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Antonio Carlos do Amaral Filho

60 anos, é presidente da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo)

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