Falências não são só culpa da crise, mas também de empresários

Renato Grinberg

Renato Grinberg

Especial para o UOL
  • Reprodução/UOL Economia/Shutterstock

Um dado me chamou a atenção. Vi uma pesquisa que mostra que, somente neste primeiro semestre, 1.096 empresas fecharam as portas, número 27% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

É claro que o país vive um cenário econômico dos mais complicados, com recessão, desemprego crescente e inflação. Mas não posso deixar de compartilhar a seguinte pergunta: será que apenas os fatores externos contribuíram para um número tão alto de falências? E mais: será que os problemas enfrentados por essas empresas não estavam justamente em seus gestores?

O momento econômico encoraja pessoas a empreender, até pela falta de empregos formais. Mas para atingir o sucesso e mantê-lo, é necessário ir além, buscar a excelência, é necessário ter o olho de tigre. 

Olho de tigre? Esse termo vem do filme Rocky Balboa, no momento que o lutador estava para perder uma luta e seu treinador dizia "olho de tigre", e vinha a virada. Olho de Tigre é, ao perceber um obstáculo que parece intransponível, buscar a garra para vencê-lo, ou reconhecer a limitação e buscar ser ainda melhor na próxima oportunidade.

Porém, essa característica não deve ser apenas desenvolvida uma única vez, mas trabalhada e aprimorada com o passar do tempo, pois perder essa visão pode colocar em risco tudo que fora construído antes.

O mundo corporativo é uma verdadeira selva, que atrai cada vez mais "predadores". Com a competitividade e concorrência cada vez mais exacerbadas, cada profissional ou empresário tem uma escolha clara a fazer: ser a caça ou o caçador.

Voltando ao cenário que descrevi no início do texto, posso afirmar que atingir o sucesso é apenas parte da equação. É necessário sempre pensar em expandir, aumentar o território, ter apetite para crescer. Empresas que se acomodam com o mercado que conquistaram morrem. Isso vale para companhias de qualquer tamanho, da Microsoft à barraca de cachorro-quente.

O mundo corporativo é dinâmico. Nem sempre a receita que levou uma empresa àquela posição a manterá ali ou a fará continuar a crescer. Em época de crise, mais do que nunca, é a hora de ter fome e não estagnar. Nesse caso, o olho de tigre é saber o momento de inovar, de ser criativo, entender aquilo que o consumidor quer e como agregar valor.

Sim, o momento é de crise. A selva está ainda mais densa e perigosa do que o normal. Por isso, o olho de tigre precisa estar ainda mais aguçado. E nessa selva, quem não for um predador faminto, observador e atento se tornará a presa, pois no mundo empresarial, quem não cresce desaparece.

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Renato Grinberg

é especialista em liderança, desenvolvimento profissional e motivação e autor de "A excelência do olho de tigre" (ed. Gente)

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