Quarta - 01/11

Brasileiro

21h45 - Fortaleza x Corinthians





A estrela eternizada por Mané

O Botafogo nasceu da cabeça de um grupo de garotos, todos com 14 ou 15 anos de idade, na pacata Rio de Janeiro do início do século. O que deveria ser apenas motivo de encontro para uma molecada que queria jogar bola acabou se transformando em um dos maiores clubes do Rio.

O clube de futebol virou de futebol e regatas em 1942. A torcida alvinegra já estava acostumada a ter verdadeiros craques em campo, como Carvalho Leite e Heleno de Freitas. Mas foi Mané Garrincha, com seus dribles geniais, que marcou de uma vez por todas a história do clube.

As glórias e os verdadeiros espetáculos dos anos 60 deram lugar a participações discretas nas décadas seguintes. Mas o Botafogo viria a colocar seu nome na história do Campeonato Brasileiro em 1995. O título teve a marca dos gols de Túlio Maravilha, o último grande herói da Estrela Solitária. Não foi com a genialidade de Garrincha, mas em campo estavam as mesmas garra e coragem daqueles garotos que trouxeram o Botafogo ao mundo.




1904 - 1910 — De Electro a Glorioso
1911 - 1928 — Da Voluntários da Pátria a General Severiano
1929 - 1942 — Do tetra à fusão
1943 - 1948 — Heleno, Carlito e Biriba
1949 - 1957 — Vacas magras
1958 - 1966 — De Mané ao Furacão
1967 - 1988 — Dos bicampeonatos a Marechal Hermes
1989 - 2000 — Do fim do jejum aos gols de Túlio



1904 - 1910 — De Electro a Glorioso

Flávio da Silva Ramos morava no Largo dos Leões. Emmanuel Sodré, na Rua Conde de Irajá, ali pertinho. Ambos cursavam o 4º ano do Colégio Alfredo Gomes. A aula de matemática, ministrada pelo general Júlio Noronha, se arrastava. Logo, Flávio aproveitou um momento de descuido do professor para começar a tornar realidade o sonho que não saía de sua cabeça. Em um bilhete escrito a lápis, sugeriu a Emmanuel. "O Itamar Tavares já tem um clube de futebol na rua Martins Ferreira. O que você acha de criarmos um outro, só para nós?"

Emmanuel aguardou ansioso o fim da aula para expressar seu entusiasmo. Ambos logo convenceram outros colegas de que não surgiria opção melhor para preencher o vazio daqueles dias de comecinho do século no Rio de Janeiro, em que eram raras as atrações para os adolescentes. Na tarde de sexta-feira, 12 de agosto de 1904, Flávio, Emmanuel e alguns amigos, todos com idades entre 14 e 15 anos, reuniram-se em um velho casarão localizado nas esquinas da Rua Humaitá com o Largo dos Leões para oficializar a fundação do clube.

Estiveram presentes, por ordem alfabética, Álvaro Werneck, Arthur César de Andrade, Augusto Paranhos Fontenele, Basílio Viana Júnior, Carlos Bastos Neto, Emmanuel de Almeida Sodré, Eurico Viveiros de Castro, Flávio da Silva Ramos, Jacques Raimundo Ferreira da Silva, Lourival Costa, Otávio Werneck e Vicente Licínio Cardoso. Os recibos da primeira mensalidade foram passados em um talão de um grêmio de pedestrianismo já extinto, o Electro, nome de batismo aceito, enfim, por todos os que compareceram ao encontro.

O uniforme de listras verticais em preto e o branco também foi aclamado por unanimidade. A sugestão partiu de Itamar Tavares, aquele da Martins Ferreira. Ele estudara na Itália, onde torcia para a Juventus de Turim, que nasceu em 1897 e que é hoje o clube mais popular do país. A primeira diretoria do Electro, que não teve ata de fundação, era composta por: Flávio da Silva Ramos (presidente), Octávio Werneck (vice), Jacques Raimundo Ferreira da Silva (secretário) e Álvaro Werneck (tesoureiro).

Flávio e Emmanuel eram apaixonados pelo "football". E não gostariam de ver o clube tomar o destino de tantos outros, que desapareceram sem deixar vestígio. Logo, procuraram gente com mais idade e mais experiência para administrá-lo, como Alfredo Guedes de Mello e Alfredo Chaves.

No dia 18 de setembro, foi convocada nova reunião, na casa da avó de Flávio, Dona Francisca Teixeira de Oliveira, conhecida na intimidade como Dona Chiquitota. Diante dos rostos solenes da rapaziada, a senhora não se conteve. "Afinal, qual é o nome deste clube?", perguntou. "Electro", respondeu Flávio. "Meu Deus. Que falta de imaginação! Um clube, aqui neste bairro, só pode se chamar Botafogo", exclamou.

Num piscar de olhos os meninos aceitaram a sugestão. Estava definitivamente fundado o Botafogo Football Club. Nesse mesmo dia, tomou posse a nova diretoria, composta por Alfredo Guedes de Mello (presidente), Itamar Tavares (vice), Mário Figueiredo (secretário) e Alfredo Chaves (tesoureiro). Os primeiros treinos aconteceram no Largo dos Leões, e as palmeiras imperiais serviram de balizas.

A imaturidade dos fundadores não tardou a provocar a primeira crise interna, em 1905. Uma briga entre Flávio Ramos e Victor Farias criou desentendimento geral, que culminou com a saída de Alfredo Guedes de Mello e de seu vice, Itamar Tavares. Dias depois, os dois fundaram um novo clube, o Internacional, que não demorou a sumir na poeira do tempo. Valdemar Pereira da Cunha assumiu a presidência do Botafogo, que ganhou um campo, em um terreno na Rua Conde de Irajá, doado pela família Werneck. Foi lá também que a bandeira alvinegra foi hasteada pela primeira vez.

Em dado momento, Pereira da Cunha teve de viajar às pressas para a Europa e viu-se obrigado a renunciar à presidência, sendo substituído por Joaquim Antônio de Souza Ribeiro, que introduz novos conceitos e trata de organizar o clube, definitivamente.

A ata da assembléia de 7 de agosto de 1905 faz referência a um triunfo sobre o Petropolitano, mas não esclarece quando e como ocorreu a primeira vitória da história do Botafogo. Àquela altura, o alvinegro entendeu que já poderia enfrentar adversários de maior porte e até, se necessário fosse, um campeonato que contasse com os melhores times da cidade. Assim, seus dirigentes não hesitaram em comparecer à reunião convocada pelo Football & Athletic para 8 de julho de 1905, na sede do Fluminense, quando seis clubes _ representantes de América, Bangu e Sport Club Petrópolis também estavam lá _ fundaram a Liga de Football do Rio de Janeiro, pouco depois batizada de Liga Metropolitana de Football.

Como fundador da entidade, o Botafogo teve o direito de disputar o primeiro Campeonato Carioca da história, realizado em 1906. Mas a estréia, no dia 13 de maio, no Estádio das Laranjeiras, foi desanimadora: o time perdeu de 8 x 0 para o Fluminense, com Álvaro Werneck, Octávio Werneck e João Leal; Raul Rodrigues, Antônio Rodrigues e Adhemaro Delamare; Norman Hime, Flávio Ramos, Ataliba Sampaio, Gilbert Hime e Rolando Delamare. Formavam o "ground committee" (a comissão técnica da época) Octávio Werneck, que foi o capitão, Norman Hime e Ataliba Sampaio.

A primeira vitória no Carioca veio em 27 de maio, 1 x 0 sobre o Bangu, gol de Gilbert Hime. Mas o Botafogo acabou apenas em quarto lugar, com quatro vitórias, seis derrotas, 18 gols a favor e 34 contra. Pudera: o alvinegro não tinha sequer onde mandar seus jogos. O campo alugado em que treinava, à Rua Real Grandeza, de propriedade do Barão de Santamarinha, muito acanhado, não fora aprovado pela Liga. Assim, o Botafogo fez das Laranjeiras o seu estádio oficial.

Em 1907, com basicamente o mesmo time do Carioca de 1906, agora mais experiente, o Botafogo disputou palmo a palmo o título com o Fluminense. E o campeonato só teve uma definição 90 anos depois, em 1997, quando o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) entendeu que os dois clubes eram campeões. O time alvinegro formava com Álvaro Werneck, Raul Rodrigues e Octávio Werneck; Antônio Werneck, Norman Hime e Lulu Rocha; Ataliba Sampaio, João Canto, Flávio Ramos, Gilbert Hime e Emmanuel Sodré.

Em 31 de maio de 1908, o Botafogo enfim inaugurou o seu próprio campo, à Rua Voluntários da Pátria, 209. Foi no segundo jogo do Carioca daquele ano, e o alvinegro venceu o Riachuelo por 5 x 0, gols de Flávio Ramos (3) e Ataliba Sampaio (2). Mas o time ficou apenas em segundo lugar no campeonato, atrás do Fluminense, colocação que repetiu em 1909.

O Botafogo voltou a ser campeão em 1910, com nove vitórias em dez jogos, todas sucedidas por telegramas de congratulações endereçadas "Ao Glorioso", o que valeu ao clube a denominação até hoje repetida por seus torcedores. O time só perdeu na estréia, por 4 x 1, para o América. Marcou 69 gols e sofreu apenas nove. A equipe alinhava Baena, Hugh Pullen e Dinorah; Rolando, Lulu e Lefèvre; Emmanuel, Abelardo, Décio, Mimi Sodré e Lauro.




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1911 - 1928 — Da Voluntários da Pátria a General Severiano

O Botafogo começava a caminhar com suas botas de sete léguas quando uma briga entre craques do alvinegro e do América, em partida válida pelo Carioca de 1911, acabou freando suas conquistas. A partida estava empatada em 1 x 1. Flávio Ramos recebeu entrada de Gabriel de Carvalho. Abelardo saiu em defesa de Flávio, e o conflito generalizou-se. A diretoria do Botafogo declara à Liga que está solidária com seus jogadores e solicita desfiliação da entidade, que suspende Delamare por um ano e Gabriel por apenas 30 dias. E concede o desligamento ao alvinegro, que deixa de disputar o restante do Carioca.

Pouco depois, o Botafogo também perdeu o campo da Voluntários da Pátria, pois o proprietário não quis renovar o aluguel. Assim, o Botafogo entrou o ano de 1912 sem sede e desfiliado da Liga, restando-lhe fundar, com clubes modestos, uma outra entidade, a Associação de Football do Rio de Janeiro. A nova entidade promoveu um campeonato paralelo ao oficial. Embora atravessasse dificuldades, o alvinegro não encontrou problemas para conquistar o título, com nove vitórias e uma derrota. A tempestade começou a passar em 1913, quando o Botafogo reintegrou-se à Liga principal, por iniciativa do representante do Flamengo, Alberto Borgerth, e de setores da imprensa que decidiram apoiar o dirigente, com o objetivo de fortalecer o Carioca. "Incontestavelmente, a volta do Botafogo ao seio da Metropolitana traz o enthusiasmo e faz reviver o nosso quase decaído football", registrou "O Imparcial" de 23 de janeiro.

Foi também em 1913 que o clube obteve junto ao Ministério da Justiça a permissão para alugar o terreno da Rua General Severiano, onde o Governo pretendia construir a "Universidade do Brasil". Cuidaram da empreitada os sócios Alfredo Couto, Antônio Mota Júnior, Eduardo Alexandre, Luís Rabelo e Paulo Martins. Ali o Botafogo construiu o seu novo campo. Nos Cariocas de 1913 e de 1914, o time ficou em segundo lugar. E até 1925 a sua melhor colocação foi também um vice, alcançado em 1918.

O ano de 1925, no entanto, começou com festa para o alvinegro: logo no dia 2 de janeiro, o então presidente da República, Arthur Bernardes, sancionou uma lei que autorizava o governo federal a ceder ao clube, por aforamento, o terreno de General Severiano. Nos três anos seguintes, o Botafogo cuidou de seu patrimônio. Em 15 de dezembro de 1928, inaugurava a sua suntuosa sede social e partia para a conclusão do estádio.




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1929 - 1942 — Do tetra à fusão

A eleição de Paulo Azeredo, em 1926, havia trazido alma nova ao Botafogo. Entusiasmado e empreendedor, o dirigente percebeu no comecinho de 1930 que estava na hora do clube voltar a conquistar títulos. E montou uma eficiente comissão técnica, formada por um diretor esportivo, o médico Victor Guisard; um técnico, o inglês Charles Williams, e um superintendente, o húngaro Nicolas Ladanyi. Este chegou de tal forma cercado de prestígio que Williams, enciumado, pediu demissão. Assim, o veterano Nilo Murtinho Braga passou a auxiliar Ladanyi, embora seguisse como jogador.

A estrutura montada por Azeredo permitiu ao Botafogo alcançar quatro títulos de campeão carioca. Os números dos dois primeiros campeonatos, disputados contra os grandes clubes, são incontestáveis. Em 1930, o time obteve 15 vitórias, dois empates, três derrotas, 60 gols pró e 30 contra. Em 1932, 15 vitórias, seis empates, uma derrota, 59 gols pró e 24 contra. O time-base dessa época de glória: Vítor, Benedito e Rodrigues; Afonso, Martim e Canali; Álvaro, Paulinho, Carvalho Leite, Nilo Murtinho Braga e Celso.

Em 1933, ocorreu uma grave cisão no futebol do Rio que provocou a disputa de dois campeonatos distintos, até 1936. O Botafogo, "em nome das tradições do desporto carioca", permaneceu ao lado dos clubes que repudiaram o profissionalismo, implantado em janeiro de 1933. E disputou o torneio da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA), então a entidade oficial, filiada à Confederação Brasileira de Desportos (CBD), representante dos intreresses do futebol do país junto à Fifa.

O Botafogo também foi campeão em 1933, 1934 e 1935. Foram vários os craques que desfilaram sua categoria ao longo desses três campeonatos: o goleiro Alberto, o zagueiro Nariz, os centro-médios Pamplona, Ariel, Martim, Canali e os atacantes Leônidas da Silva, Carvalho Leite, Nilo Murtinho Braga, Russinho, Patesko e Jayme Terra. Durante a campanha dos cinco títulos (inclui o de 1930), o alvinegro obteve 75 vitórias, 22 empates, 16 derrotas, 320 gols pró e 176 contra. Carvalho Leite marcou 79 vezes.

No dia 28 de agosto de 1938, o Botafogo inaugurou o Estádio de General Severiano, com vitória de 3 x 2 sobre o Fluminense, em amistoso. A turma dos quatro títulos cariocas começou a se aposentar no início dos anos 40. Mas, em compensação, estreava estreou o atacante que centralizaria as atenções dos alvinegros por quase toda a década: Heleno de Freitas.

A data de 8 de dezembro de 1942 também foi importante na vida do clube: neste dia, o Botafogo Football Club uniu-se ao Club de Regatas Botafogo, fundado em 1º de julho de 1894 por 16 sócios, liderados por José Maria Dias Braga. A fusão já era estudada desde 1931, mas durante muitos anos foi combatida porque gente ligada aos dois clubes, como o Históriador Antônio Mendes de Oliveira Castro, do remo, e João Saldanha, do futebol, garantiam que o Regatas estava "infiltrado de torcedores do Fluminense".

A união foi apressada por uma tragédia: durante uma partida de basquete entre o Football e o Regatas (que tinham obviamente outros esportes), o jogador Antônio Albano, do Football, morreu em plena quadra: foi fulminado por um enfarto, emocionado com a vitória de sua equipe, por 23 x 21. Findas as homenagens, os presidentes dos dois clubes, Eduardo de Góis Trindade (Football) e Augusto Frederico Schmidt (do Regatas), decidiram marcar a data da fusão, que determinou o surgimento do Botafogo de Futebol e Regatas.




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1943 - 1948 — Heleno, Carlito e Biriba

A fusão, entretanto, demorou a trazer sorte ao Botafogo. Apesar dos craques que desfilaram com a sua camisa, como Gérson dos Santos, Zezé Procópio, Sarno, Tovar, Heleno de Freitas e Tim, o alvinegro só conseguiu reconquistar o título carioca em 1948. Curiosamente, no ano em que Heleno deixou o clube.

O Botafogo estreou no Carioca de 1948 perdendo de 4 x 0 para o São Cristóvão. Fim de jogo, o presidente Carlito Rocha garantiu que o time não perderia mais e que seria o campeão. Poucos acreditaram. O clube havia acabado de vender Heleno de Freitas para o Boca Juniors (Argentina) e efetivara o ex-centro-médio Zezé Moreira como técnico. Pouco para quem não ganhava um campeonato havia 12 anos. Mas, guiado pela fé inabalável de Carlito, pelos gols de Otávio de Moraes e de Sílvio Pirilo e pelo mascote Biriba, um cãozinho preto e branco, o time obteve 17 vitórias e dois empates nos outros 19 jogos. Resultado: ganhou o título, derrotando na final o Vasco e seu favorito "Expresso da Vitória".

A decisão foi em General Severiano, no dia 12 de dezembro de 1948, e o Botafogo venceu por 3 x 1. Até hoje, os cruzmaltinos dizem que os alvinegros devem ter acrescentado alguma substância ao café que os craques do Vasco beberam no intervalo. O Botafogo jogou com Osvaldo, Gérson e Nílton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha. Foi o primeiro título de Nílton Santos, que logo se transformaria em lenda do futebol brasileiro.




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1949 - 1957 — Vacas magras

O Botafogo não conseguiu repetir as grandes atuações de 1948 nos anos seguintes. O melhor resultado alcançado até 1957 foram terceiros lugares em 1951 e em 1956. Mas em 1957 o clube começou a formar aquele que seria o melhor time de sua história, conquistando o título carioca com uma inesquecível goleada de 6 x 2 sobre o Fluminense. O técnico era João Saldanha, que se firmaria como uma das mais importantes personalidades da história botafoguense. Na final, como se não bastasse o placar, a torcida ainda foi presenteada naquele jogo com um show particular do maior jogador do futebol brasileiro depois de Pelé: Manoel dos Santos, o Garrincha.

Garrincha deixou Paulo Valentim dezenas de vezes à frente do goleiro Castilho, e o centroavante marcou cinco gols. O próprio Garrincha completou o marcador. No campeonato, o Botafogo obteve 16 vitórias, quatro empates, duas derrotas, 64 gols pró (22 de Valentim) e 21 contra. O time que enfrentou o tricolor na final formava com Adalberto, Tomé e Nílton Santos; Servílio, Beto e Pampolini; Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Édson e Quarentinha. Uma covardia.




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1958 - 1966 — De Mané ao Furacão

Apesar do esquadrão, o Botafogo só voltou a ganhar o título carioca em 1961. O time chegou oito pontos à frente do segundo colocado, o Flamengo, e só não terminou invicto por um descuido: perdeu para o América (2 x 1), com um gol contra de Zé Maria no último minuto, quando o campeonato já havia sido conquistado por antecipação. O time: Manga, Cacá, Zé Maria, Nílton Santos e Chicão; Aírton e Didi; Garrincha, Amoroso, Amarildo e Zagallo. O técnico era Marinho Rodrigues.

Em 1962, o Botafogo cedeu cinco jogadores à Seleção Brasileira que conquistou o bicampeonato mundial, no Chile. Ganhou o Rio-São Paulo com vitória de 3 x 1 sobre o Palmeiras, no Maracanã, mas só ganhou o Carioca graças à genialidade de Mané Garrincha. Botafogo e Flamengo decidiram o campeonato na tarde de sábado, 15 de dezembro. Os rubro-negros jogavam pelo empate. Garrincha marcou logo aos 10min. Aos 35min, acabou provocando o gol que o zagueiro Vanderlei marcou contra. E aos 2min da etapa final, o próprio "Anjo das pernas tortas" completou o placar. O time: Manga, Paulistinha, Jadir, Nílton Santos e Rildo; Aírton e Édson; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Marinho continuava como técnico.

Apesar dos craques, o Botafogo não passou do quarto lugar nos quatro Cariocas seguintes. Os melhores resultados no período foram os títulos do Rio-São Paulo em 1964 (dividido com o Santos) e em 1966 (dividido com Santos, Corinthians e Vasco), além do torneio na Bolívia de 1964, em comemoração às Bodas de Ouro do clube. Agora seria a vez de uma nova geração, capitaneada por Jairzinho, fazer a festa.




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1967 - 1988 — Dos bicampeonatos a Marechal Hermes

Só em 1967 e 1968, graças à mescla de ex-juvenis e de craques experientes, promovida por um Zagallo em início de carreira como técnico, é que o alvinegro recuperou a hegemonia do futebol do Rio. Conquistou o bi da Taça Guanabara e o bi carioca. Quem viveu a época até hoje sabe o time de cabeça: Manga, Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo César Lima.

A equipe bi-bi também ganhou a Taça Brasil de 1968 _ o Botafogo foi o único clube carioca a levantar o troféu. Em 1969, o time sofreu uma baixa considerável: Gérson levou seus lançamentos geniais para o São Paulo. No ano seguinte, o Botafogo foi uma importante referência para a formação da Seleção Brasileira que conquistaria o tri mundial no México. Cedeu o treinador, Zagallo, e três jogadores para o selecionado: Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo César Lima.

O Botafogo fica como vice no Carioca de 1971 e no Brasileiro de 1972. Mas depois disso o torcedor botafoguense entra em uma nova fase de decepções. O clube volta a viver, como nas décadas de 10 e 20, um longo jejum de títulos, que foi até ironizado em uma música de Chico Buarque e Francis Hime. Foi um período difícil, semelhante àquele que o clube experimentara em 1912. O Botafogo esteve próximo de perder a sua identidade. Endividado, o presidente Rivadávia Correa Meyer hipotecou General Severiano à Caixa Econômica Federal, com prazo de 18 meses para o resgate. Em 1976, impossibilitado de reaver a sede, por não ter dinheiro para pagar a Caixa, vendeu o terreno à Companhia Vale do Rio Doce.

O clube ficou sem campo até para treinar. Só no dia 12 de agosto de 1977, quando completou 73 anos de idade, conseguiu transferir seu futebol para o subúrbio de Marechal Hermes, onde construiu um outro estádio. O campo foi inaugurado em 22 de outubro de 1978, com vitória de 2 x 1 sobre a Portuguesa (a da Ilha) pelo Campeonato Estadual. Até 1989, os melhores resultados obtidos pelo Botafogo foram quatro torneios conquistados no exterior, como o de Palma de Mallorca, na Espanha, em 1988.




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1989 - 2000 — Do fim do jejum aos gols de Túlio

A redenção do alvinegro começa em 1989: o que parecia impossível, um sonho que nunca chegava, finalmente aconteceu. O Botafogo é novamente campeão carioca, depois de 20 anos de jejum. A conquista da Taça Rio, segundo turno do campeonato, era o prenúncio de que o fim do sofrimento estava próximo. Botafogo e Flamengo decidiram o título no dia 21 de junho. O alvinegro não vencera um único clássico, mas também não perdera de ninguém. Aos 12min do segundo tempo, Mazolinha cruzou da esquerda para o ponta Maurício, que bateu de primeira, superando Zé Carlos. O 1 x 0 permaneceu e provocou uma explosão de alegria engasgada por duas décadas na gargante de qualquer botafoguense. O time que jogou a final: Ricardo Cruz, Josimar, Wilson Gottardo, Mauro Galvão e Marquinhos; Carlos Alberto Santos, Luisinho Quintanilha e Vítor; Maurício, Paulinho Criciúma e Gustavo (Mazolinha). Um momento inesquecível, principalmente para o jovem torcedor, que só conhecia as glórias de tempos de Garrinha ou Jairzinho pela televisão.

O histórico título de 1989 abriu enfim o caminho para a retomada das conquistas, que voltaram a ser corriqueiras. Em 1990, o clube ganhou o bi estadual, derrotando o Vasco por 1 x 0 na final, gol de Carlos Alberto Dias. Em 1992, foi vice brasileiro. E em 1993, com um time de novatos, sem muita expressão, levantou a Copa Conmebol, promovida pela Confederação Sul-Americana de Futebol, derrotando o poderoso Peñarol, nos pênaltis, no Maracanã.

A alegria dos botafoguenses chegou ao auge em 1995. Tudo começou um ano antes, quando o Botafogo resgatou o centroavante Túlio, que estava escondido no Sion, da Suíça. Artilheiro do Estadual de 1994, com 14 gols (ao lado de Charles, do Flamengo), o jogador acabou se tornando a principal figura da maior conquista do clube: o título de campeão brasileiro de 1995. Túlio marcou 23 vezes, duas das quais nas duas partidas decisivas contra o Santos, 2 x 1 no Maracanã e 1 x 1 no Pacaembu. É verdade que os santistas até hoje reclamam da arbitragem, mas a campanha de Túlio provou que o Botafogo mereceu o título. No Rio, a chegada dos campeões, pouco depois do segundo jogo, foi apoteótica e inédita: a multidão invadiu a pista do aeroporto Santos Dumont, e não havia segurança que pudesse contê-la.

A campanha do Brasileiro: 14 vitórias, nove empates, quatro derrotas, 46 gols pró e 25 contra e não perdeu de nenhum dos seus rivais cariocas. Deu um show de bola (3 x 1) no Flamengo, em Fortaleza, derrotou o Vasco (2 x 0) e empatou (1 x 1) com o Fluminense, em jogo que valia apenas para cumprir tabela. Quem se esquece do time campeão? Wagner, Gonçalves, Wilson Gottardo e André Silva; Leandro Ávila, Jamir, Beto e Sérgio Manoel; Donizete e Túlio. O técnico foi Paulo Autuori.

O ano de 1995 foi de fato repleto de alegrias para o Botafogo. Com o tombamento do Palácio Colonial de General Severiano, que permaneceu praticamente abandonado desde 1976, o presidente Carlos Augusto Montenegro reabriu as negociações com a Companhia Vale do Rio Doce e a Prefeitura do Rio para recuperar a sua antiga moradia. Em 19 de maio de 1994, sócios e torcedores reuniram-se para comemorar a retomada da sede, após 14 meses de reformas. Em 8 de dezembro de 1995, data do 53º aniversário do Botafogo de Futebol e Regatas, o clube inaugurou o complexo esportivo, resgatando definitivamente a sua identidade.

O Botafogo de Túlio ainda ganhou a Taça Cidade Maravilhosa de 1996, disputada pelos grandes clubes do Rio, e a badalada Taça Teresa Herrera, na Espanha, derrotando a Juventus, da Itália, campeã mundial naquele ano. Já sem o ídolo, vendido ao Corinthians, o alvinegro carioca conquistou a Taça Guanabara e o Estadual de 1997, derrotando o favorito Vasco por 1 x 0 na decisão, gol de Dimba. O técnico já era Joel Santana.

Em 1998, o Botafogo ganhou pela quarta vez o Rio-São Paulo. Venceu o São Paulo por 3 x 2 no Morumbi e arrancou um empate dramático de 2 x 2 no Maracanã, no finzinho do jogo, disputado em 4 de março. O time que participou da decisão alinhava Wagner, Wilson Goiano, Jorge Luís, Gonçalves e Jéferson; Pingo, França (Zé Carlos), Djair e Sérgio Manoel (Alemão); Bebeto e Túlio. O técnico era Gílson Nunes.

O ano de 1999 não foi muito bom para o Botafogo, que de positivo obteve apenas o vice da Copa do Brasil, sendo superado nas finais pelo Juventude-RS.




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