08h46 17/01/2007

Marcos vê Palmeiras "sem desculpas" para não sair da fila

Goleiro vê fraquezas no clube, mas se empolga com equipe de 2007, vê chance de título e torce para não sofrer mais lesões.

Danilo Valentini, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - O Palmeiras precisa melhorar suas estratégias de marketing, diminuir as notícias negativas que vazam para a imprensa e não deixar o seu tumultuado ambiente político influenciar a equipe. Mas, mesmo diante de suas próprias constatações, da campanha pífia de 2006 e dos atrasos de salários, o goleiro Marcos diz não ter dúvidas que o clube está pronto para botar fim às piadas dos adversários e sair da fila de títulos no Campeonato Paulista.

Folha
O goleiro Marcos, que se mostra empolgado com o Palmeiras sair da fila do Paulistão
MATA-MATA GERA DISCÓRDIA
Segundo clube com o maior número de títulos paulistas -21, contra 25 do arqui-rival Corinthians-, o Palmeiras é o clube 'grande' do Estado que não vence a competição há mais tempo, desde 1996. De quebra, amarga um jejum de conquistas importantes desde 1999, quando se consagrou campeão da Libertadores.

E é a partir do maior título da história do clube que Marcos vê uma sucessão de erros que contribuíram para o Palmeiras ficar tanto tempo sem títulos. "Aconteceram muitos desmanches seguidos, e isso acho que atrapalhou muito", avalia o goleiro, se referindo aos tempos do fim dos investimentos da Parmalat e da adoção da política do 'bom e barato' instaurada pelo ex-presidente do clube, Mustafá Contursi.

Mas, independente dos problemas, Marcos se mostra empolgado com a temporada que se avista, principalmente pela contratação do técnico Caio Júnior e a chegada de reforços pouco badalados mas "orgulhosos e confiantes por estarem no Palmeiras".

"Estamos voltando a nos reerguer e o time botou na cabeça que precisamos do título e que não estamos aqui só de passagem. Precisamos ganhar para ficar na história", diz Marcos, citando a decisão de 1999, quando o Palmeiras enfrentou o Corinthians com um time reserva na primeira partida da final e acabou derrotado por 3 a 0, resultado que praticamente assegurou o título do rival, consolidado no empate por 2 a 2 conhecido como "o jogo das embaixadinhas" de Edílson. "Esse ano não tem desculpa".

Satisfeito com a nova fase do Palmeiras, Marcos também não esconde que está empolgado com seu momento individual, se sentindo recuperado das lesões na coxa e no ombro que pouco o deixaram jogar em 2006. E confiante que seu fim de carreira, que já chegou a ser cogitado nos momentos de desilusão com as contusões, não chegará antes de 2009, quando vence seu contrato com o Palmeiras.

Vestindo ainda as roupas de treino e com faixas nas duas mãos, e emocionado depois de ter recepcionado no gramado do Parque Antarctica o garoto palmeirense Gabriel Santos, de 9 anos e que se prepara para a última sessão de quimioterapia para tratamento de leucemia, Marcos concedeu entrevista ao Pelé.Net e falou sobre sua expectativa por um bom desempenho seu e do Palmeiras em 2007.

Pelé.Net - Apesar de todos problemas vividos pelo clube, dos atrasos de salários ao turbulento clima que antecede as eleições do clube (dia 22), o que te faz acreditar que o Palmeiras vai ter uma temporada para conseguir sair da fila de títulos?

Marcos - Não tem de levar nada dos problemas para dentro de campo, porque senão ninguém consegue jogar. Conheço os conselheiros da oposição, conheço o presidente e falo com todos, mas não vou me meter com política, fico à parte. Quero jogar bola, e agora estamos voltando a nos reerguer, e o time botou na cabeça que precisamos do título e que não estamos aqui só de passagem. Precisamos ganhar para ficar na história.

Pelé.Net - Por que você acha que o Palmeiras está há tanto tempo sem conquistas, principalmente no Campeonato Paulista?

Marcos - Ficamos três anos disputando de forma intensa a Libertadores. Para ganhar a primeira, jogamos o jogo de ida da decisão contra o Corinthians com um time reserva. Depois, não conseguimos reverter. Em 2000, fomos vice e desmontaram o time. Em 2001, ainda conseguimos ir às semifinais e desmancharam o time mais uma vez. Foram muitos desmanches seguidos, e isso atrapalha e explica porque estamos há um tempo sem títulos. Mas este ano não tem desculpa.

Pelé.Net - Por quê?

Marcos - Porque todos que vieram estão orgulhosos e confiantes por estarem no Palmeiras, bastante motivados, e com certeza vamos brigar por alguma coisa. Todo mundo começa igual, e não adianta ter grandes nomes, porque nome não ganha de ninguém.

Pelé.Net - Mas, apesar de seu otimismo, você acha que o Palmeiras ainda tem de evoluir? Em que aspectos?

Marcos - O Palmeiras precisa melhorar em muita coisa. Precisa melhorar sua estrutura, e aí não estou falando do CT, que é muito bom. Mas é preciso fazer marketing, falar bem do próprio clube, dizer que é bom, como faz o São Paulo. Não deixar notícia ruim vazar, que é uma coisa que acaba prejudicando muito, deixando o time sob pressão.

Pelé.Net - O ano passado você chegou a mencionar que encerraria a carreira depois de tantas contusões. A má fase do Palmeiras também contribuiu para a sua irritação?

Marcos - Até pressiona um pouco, mas desde que o corpo ajude as coisas são superadas. O grande problema do jogar é físico, e se ele está bom, o psicológico não prejudica em nada. E agora eu passei um mês de férias, foi um fator que me motivou bastante. Até cheguei a pensar em parar por um momento, mas é muito duro. Adoro o que faço e prefiro não pensar em parar agora, acho que tenho mais uns 180 jogos até parar (risos).

Nota da redação:O jogador leva em consideração o número médio de partidas por temporada até 2009, quando vence seu contrato com o Palmeiras.

Pelé.Net - O que mais te incomodou no período de contusão?

Marcos - A pior coisa que tem é ficar uma semana inteira fazendo fisioterapia e não poder chegar no fim de semana e jogar. O torcedor não sabe que você estava trabalhando com vontade de superar a dor para defender a equipe. E receber santinho dos outros também, né?(risos). O pessoal chegava com imagem de santo e falando 'que fase, hein Marcão?'. Ouvi um monte de superstição, desde entrar de ré no mar no fim de ano. É ruim escutar isso toda hora, até porque a lesão e a dor fazem parte do dia-a-dia do jogador.




Computando seu voto...
Carregando resultado

Total de votos:

© Copyright Zipsports Ltda. Todos os direitos reservados

Shopping UOL