10h10 19/01/2007

Idade e ocaso não mudam estilo de Túlio

Centroavante continua falastrão e estabeleceu novas metas para sua carreira: chegar aos 800 gols antes da aposentadoria e mostrar que jogadores com mais de 35 anos podem fazer sucesso.

Guilherme Costa e Lucas Borges, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - A fisionomia e o físico podem não ser os mesmos de quando ele chegou a ser titular da seleção brasileira (apesar de ele garantir que mantém os mesmos 72kg). Mas o entusiasmo e o discurso de autopromoção do centroavante Túlio permanecem inalterados. Longe dos holofotes, o jogador de 37 anos vai disputar o Campeonato Goiano desta temporada pela modesta Canedense. Mesmo assim, ele mantém o bom humor e os planos nada contidos: ser artilheiro estadual com média de um gol por jogo, alcançar os 800 gols na carreira e mudar a idéia do público sobre atletas com idade avançada.

TÚLIO, ANDARILHO DO FUTEBOL
Arquivo/Folha Imagem
Em 2000, campeão da segunda divisão de São Paulo com a camisa do São Caetano
Reuters
Cinco anos depois, atacante ajudou o Volta Redonda a conquistar a Taça Guanabara
Logo na estréia da Canedense no Campeonato Goiano, Túlio balançou as redes duas vezes no empate por 2 a 2 com o Trindade. Com isso, o centroavante chegou aos 700 gols na carreira e confirmou o status de segundo maior artilheiro em atividade no país - perde apenas para o baixinho Romário, que tem 987.

Túlio foi o primeiro jogador escolhido em uma promoção da Federação Goiana de Futebol, que contratou 12 jogadores para distribuir entre os times da primeira divisão neste ano e aumentar as atrações do Estadual. Revelado pelo Goiás e torcedor do Vila Nova, o centroavante admitiu que escolheu atuar na Canedense devido à oportunidade de voltar à sua casa.

"Eu queria ficar em Goiânia e fazer o gol 700 aqui. Aqui é a minha cidade, o lugar onde eu nasci. Eu me sinto muito bem nesse lugar. Além disso, é importante para Goiânia que eu jogue aqui. Recebi propostas do futebol grego, de São Paulo, de Minas e de Santa Catarina, entre outros, mas quis voltar para cá", contou o centroavante em entrevista exclusiva ao Pelé.Net.

Artilheiro do Campeonato Brasileiro em três oportunidades (1989, pelo Goiás, e 1994 e 1995, pelo Botafogo), Túlio disputou 14 partidas pela seleção brasileira e nunca foi derrotado com a camisa canarinho (dez vitórias, quatro empates e oito gols anotados).

Longe do auge que viveu na década de 90, o centroavante ainda não pensa em aposentadoria. Túlio pretende jogar enquanto tiver físico, mas reconhece que essa não é a única característica fundamental. Quando ele foi contratado pela Canedense, o técnico Aderbal Lana chegou a dizer que preferia atletas com um preparo melhor.

"Foi uma declaração infeliz. Futebol não vive só de fôlego. Um atleta precisa ter qualidade e precisa ter técnica. Essas coisas também são fundamentais para o bom rendimento", ponderou o centroavante.

Polêmico e falastrão como sempre, Túlio só muda de tom quando fala sobre o Botafogo. O centroavante revelou que sente um mágoa do time em que viveu o auge de sua carreira (ele defendeu a equipe alvinegra entre 1994 e 1996 e voltou em 1998) por conta de uma dívida que o time de General Severiano tem com ele.

Pelé.Net - Você já está com 37 anos (fará 38 no dia 2 de junho deste ano). Ainda tem condições de jogar como profissional?
Túlio -
Se o jogador treina com dedicação, ele pode seguir por muito tempo como profissional. Eu, por exemplo, treino com afinco, tenho uma alimentação balanceada e me preservo. Ainda tenho 72kg, que é o mesmo peso de quanto eu tinha 18 anos. É claro que a qualidade é determinante para seguir jogando, mas o trabalho faz diferença. O Maravilha continua fininho, voando dentro e fora dos campos.

Pelé.Net - Ainda existe alguma motivação pra você na carreira?
Túlio -
Ah, sim. Eu atingi os 700 gols na carreira e agora quero chegar aos 800. Também quero acabar com esse preconceito de que o jogador de 35 ou 40 anos não pode jogar bola. Quero ser artilheiro do Campeonato Goiano e ajudar a Canedense a fazer um bom papel. Por estar fora da mídia, muitos achavam que eu estava acabado ou em fim de carreira. Mas eu estou lutando para mostrar o contrário.

Pelé.Net - E quais são as pretensões da Canedense no Campeonato Goiano?
Túlio -
A principal meta é ficar entre os quatro primeiros colocados e conseguir vaga na Série C do Campeonato Brasileiro, mas é claro que estamos pensando em trazer um título para Senador Canedo.

Pelé.Net - Por que você decidiu atuar no futebol goiano?
Túlio -
Eu queria ficar em Goiânia e fazer o gol 700 aqui. Aqui é a minha cidade, o lugar onde eu nasci. Eu me sinto muito bem nesse lugar. Além disso, é importante para Goiânia que eu jogue aqui. Recebi propostas do futebol grego, de São Paulo, de Minas e de Santa Catarina, entre outros, mas quis voltar para cá.

Pelé.Net - Você já declarou ser torcedor do Vila Nova-GO. Ainda existe um carinho especial pelo clube?
Túlio -
O Vila Nova era um sonho de criança e eu realizei um sonho do meu pai quando fui jogar lá. Mas agora eu estou na Canedense, quero ser artilheiro e brigar por títulos. Estou com 37 anos, mas com rostinho de 18.

Pelé.Net - E quanto ao Botafogo? Como é sua ligação com o clube? Você viveu o auge da sua carreira lá...
Túlio -
Eu vivi o máximo da minha carreira lá e tenho um carinho muito grande pela torcida. Mas eles não sabem valorizar os craques que vestiram aquela camisa e me devem até hoje.

Pelé.Net - Você foi para a Canedense por conta de uma promoção da Federação Goiana de Futebol. Como foi a recepção?
Túlio -
Eu fui muito bem recebido. E todas as vezes que me trataram assim, fui campeão e artilheiro. Vou retribuir esse carinho com gols. Já fiz até promessa para ser artilheiro e para fazer um gol por jogo.

Pelé.Net - Mas o técnico da Canedense, Aderbal Lana, afirmou que o clube poderia ter contratado atletas com mais fôlego. O que você achou disso?
Túlio -
Foi uma declaração infeliz. Futebol não vive só de fôlego. Um atleta precisa ter qualidade e precisa ter técnica. Essas coisas também são fundamentais para o bom rendimento.

Pelé.Net - Até quando você pretende seguir jogando?
Túlio -
Minha primeira meta é fazer 800 gols. Mas depois vêm outros objetivos, como fazer 900 e até mil gols. Vou jogar bola até o meu físico agüentar. Vou encerrar minha carreira sendo artilheiro como sempre, mas não vou ficar me desgastando.

Pelé.Net - E depois de disputar o Campeonato Goiano pela Canedense? Quais são seus planos?
Túlio -
Eu vou ser artilheiro do Campeonato Goiano e sei que vou receber propostas depois. Se algum clube estiver precisando de um especialista em fazer gols, o Maravilha ainda está na área.




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