Quarta - 01/11

Brasileiro

21h45 - Fortaleza x Corinthians





Técnica e paixão popular no Rio Grande

O Internacional surgiu dos braços do povo. Afinal, foi a impossibilidade em atuar pelo Grêmio, tradicional clube da colônia alemã, que fez um grupo de jovens fundar o Colorado. E a nova equipe já nasceu dando o troco: dominou o cenário gaúcho em boa parte do início do século.

Mas o futebol do Rio Grande sempre precisou de reconhecimento nacional e nem sempre conseguiu. Isso mudaria com uma inesquecível geração de craques, como Paulo César Carpegiani, Falcão, Caçapava, que fizeram do Inter uma verdadeira potência nos anos 70, com um futebol refinado, de muita técnica.

Mesmo sem o potencial daquela época, o Inter sempre manteve-se como uma das maiores forças do futebol brasileiro. Astros que marcaram época na Seleção Brasileira, como Dunga e Taffarel, surgiram no Beira-Rio. É verdade que a segunda metade dos anos 90 não foi uma época de vacas gordas para o clube. Mas quem fez nascer a magia dos passes de Falcão certamente viverá novos tempos de glória.


1909 - 1925 — A infância do Colorado
1926 - 1939 — Afirmação estadual
1940 - 1945 — Surge o Rolo Compressor
1946 - 1960 — Em busca de um novo Rolo
1956 - 1968 — Um óasis no deserto de títulos
1967 - 1969 — Esperando o Beira-Rio
1969 - 1973 — Aliando força e técnica
1974 - 1976 — A conquista do Brasil
1977 - 1980 — Os anos Falcão
1981 - 1984 — Rei em casa
1985 - 1989 — Melhor fora do que no Rio Grande
1991 - 2000 — Os anos da redenção



1909 - 1925 — A infância do Colorado

Quando Henrique, José e Luís Poppe - três jovens paulistas, todos irmãos - trocaram São Paulo por Porto Alegre, em 1908, não tiveram dificuldades para se estabelecer. Abriram logo uma loja de roupas na capital gaúcha e começaram a ganhar dinheiro. Problemas, mesmo, eles encontraram na hora que quiseram jogar futebol. O Grêmio, assim como o Fussball Porto Alegre (o outro time da cidade, ambos fundados em 1903) era um clube fechado, dominado por alemães. E se recusou a aceitar os três irmãos forasteiros, praticamente obrigando-os a fundar um novo clube.

Foi para isso que os Poppe e alguns amigos se reuniram no porão de uma casa da Rua Redenção, 141 (hoje Avenida João Pessoa, 1 025, em Porto Alegre), no dia 4 de abril de 1909. O nome - Internacional - era uma homenagem ao Sport Club Internacional de São Paulo (hoje extinto), do qual Henrique Poppe, o mais entusiasmado dos irmãos, havia tomado parte. Gols, uma bola e um apito eles tinham e eram unânimes em afirmar que isso era suficiente para dar início ao novo clube. Só não havia unanimidade quanto às cores. Uns queriam vermelho; outros, verde. Os colorados ganharam a votação, e em pelo menos uma coisa todos concordaram: o Internacional seria o clube de todos, ricos e pobres, brasileiros e estrangeiros.

O primeiro campo, capinado pelos próprios jogadores, foi o da Rua Arlindo (atual Avenida Érico Verissimo). Nos primeiros quatro meses, apenas treinos. Até que Antenor Lemos, fundador, jogador e futuro presidente do clube, tomou coragem para desafiar o Grêmio. No primeiro tempo, a equipe, inexperiente, até que agüentou bem, perdendo só de 2 x 0. Mas, no segundo, tomou mais oito. Final: Grêmio 10 x 0, no primeiro Gre-Nal da história.

A derrota desanimou os colorados, que ficaram sem jogar durante três meses. Os porto-alegrenses chegaram a pensar que os meninos desistiriam da aventura. Mas isso não aconteceu e no ano seguinte lá estavam novamente em campo os jovens de camisas vermelhas (na época, listradas). O Inter conquistaria o recém-criado campeonato da cidade nada menos que cinco vezes seguidas, entre 1913 a 1917, as quatro primeiras campanhas sem nenhuma derrota. E, a essa altura, já havia se reabilitado no jogo à parte dos Gre-Nais, goleando o rival por 4 x 1 e 6 x 1, respectivamente em 1915 e 1916. Quando da primeira vitória, o dirigente Antenor Lemos, sem conseguir conter a emoção, começou a gritar ao lado do gramado: "Está quebrado o lacre, está quebrado o lacre".

Nos anos de 1920 a 22, Antenor Lemos chegaria à presidência do clube, e sua administração passional entusiasmaria o povo vermelho e prepararia terreno para as grandes conquistas estaduais que estavam por vir.




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1926 - 1939 — Afirmação estadual

O Campeonato Gaúcho passou a ser disputado a partir de 1919, apenas pelos campeões das diversas regiões do Rio Grande do Sul. Pelo menos até meados dos anos 50, continuaria perdendo - ou, quando muito, igualando-se - em prestígio com o campeonato da cidade de Porto Alegre, que dava ao seu campeão o direito de participar da disputa estadual. Isso significava que, entre Internacional e Grêmio, apenas um disputaria o título gaúcho a cada ano.

O problema (para o Colorado) é que, entre 1919 e 1922, só deu Grêmio no campeonato de Porto Alegre. Em 1923 e 1924, não houve disputa estadual, por conta da revolução gaúcha. E quando a competição retornou, em 1925 e 1926, o Grêmio era de novo o melhor da cidade.

Por isso o Inter teve que esperar tanto por um Campeonato Gaúcho. Ele viria somente em 1927, com uma vitória diante do Grêmio Bagé por 3 x 1. O primeiro Inter campeão do Estado formou com: Moeller, Grant e Meneghetti; Ribeiro, Paulo e Lampinha; Veiga, Barros, Rose, Miro e Nenê. Desses heróis, dois foram personagens destacados na decisão: o meia Ribeiro, natural de São Gabriel, e o zagueiro Grant, vindo de Canoas. Antes do jogo, o grupo inteiro entrou para bater bola, mas esses dois preferiram ir para a frente da torcida e começar a sacudir suas camisetas, em sinal de paixão pelo clube. O gesto enlouqueceu a massa, como nunca havia se visto antes.

Afastado do Campeonato Estadual nos anos seguintes, o Inter retornaria para ficar com mais uma taça em 1934. Vitória sobre o Grêmio Atlético Regimento de Pelotas (depois batizado como Farroupilha) por 1 x 0, no dia 16 de dezembro, gol do ídolo Tupã cobrando pênalti. Tupã era um negro magro e alto, que não resistia ao apelo da bola mesmo que fosse uma simples "pelada "na várzea, e suas qualidades eram reconhecidas por todos. Mas, naquela tarde, os adversários representando o 9º Regimento de Pelotas ficaram furiosos com o gol marcado por meio de um pênalti que consideraram roubado (quando faltavam 12 minutos para o término do jogo) e chegaram a sugerir uma nova decisão. Mas a vitória colorada foi confirmada. O time da segunda conquista: Penha, Natal e Risada; Garnizé, Poroto e Levi; Chato, Tupã, Mancuso, Cavaro e Darci Encarnação.

Dois anos depois (1936), o Inter perde a final estadual por 2 x 0 para o Esporte Clube Rio Grande, clube mais antigo do Brasil. Mas, a essa altura, já havia se firmado definitivamente entre os grandes do futebol do estado.




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1940 - 1945 — Surge o Rolo Compressor

Ivo, Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Rui, Villalba, Russinho e Carlitos. Com essa base, o Internacional formou o melhor time gaúcho dos anos 40. Para muitos, o melhor de toda a história do clube - superior, até, ao tricampeão brasileiro, com Falcão, nos anos 70.

Era uma equipe que passava sem dó por cima de todos os adversários e que ficou conhecida como Rolo Compressor. "Ficávamos irados quando fazíamos menos de quatro ou cinco gols numa partida", lembra o endiabrado ponteiro Carlitos, um dos poucos ídolos da época ainda vivo para contar histórias. Carlitos, maior artilheiro da história colorada, com 485 gols, era conhecido também como "Sujeira", pois gostava de irritar os adversários e para isso usava de todas as artimanhas possíveis. Uma vez, durante uma cobrança de escanteio, conseguiu prender o calção do goleiro gremista Júlio em um prego que havia na trave. Quando a bola foi levantada para área e Júlio quis sair, o calção rasgou.

Aquela inesquecível equipe começou a ser montada exatamente em 1938, ano da chegada de Carlitos ao clube e quando o centroavante Sylvio Pirillo, até então astro maior do Colorado, já preparava sua despedida, o que aconteceria no ano seguinte. A consagração do Rolo, entretanto, deu-se a partir das conquistas dos campeonatos da cidade e do Estado, em 1940. No ano seguinte, 1941, o Inter repetiu a dose. E foi ganhando tudo, campeonato de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, até 1945. Um incrível hexacampeonato, a maior seqüência de títulos alcançada no Estado até então.

Craques não faltavam àquele time mágico. Na defesa, havia Alfeu e Nena. Na linha à frente da zaga, os "três ases", Assis, Ávila e Abigail. Ávila, um centromédio genial, buscado sifilítico em Pelotas e recuperado no Hospital da Brigada, para se tornar um dos maiores jogadores do Rolo (e que, depois, trocou o Inter pelo Botafogo-RJ). E, no ataque, Tesourinha, para muitos um ponta-direita melhor até que Garrincha; Russinho, um médico de família abastada que jogava por amor ao futebol e ao Inter; Rui, um baixinho de Alegrete que corria incansavelmente, tanto que ganhou o apelido de Motorzinho; e Vilalba, um argentino igualmente de baixa estatura (1,66m), mas dono de habilidade e velocidade incomuns.




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1946 - 1960 — Em busca de um novo Rolo

Na segunda metade dos anos 40, o Grêmio volta a equilibrar as disputas. Ganha os campeonatos da cidade e do Estado em 1946 e 1949. O Inter ganharia mais um bicampeonato (1948 e 1949), fechando a Era do Rolo Compressor com chave de ouro: 7 x 0 em um Gre-Nal, no dia 17 de outubro de 1948. A renovação, no entanto, era mais do que necessária. E para comandá-la o clube foi buscar no Regimento de Pelotas um misto de técnico, militar, psicólogo e até macumbeiro: Francisco Duarte Júnior, o Teté.

À sua imagem e semelhança, Teté moldou para o Inter uma nova geração de campeões: o lateral-direito Paulinho (que depois foi para o Vasco e como técnico passou a ser conhecido como Paulinho de Almeida); Florindo (que foi jogar no Botafogo, ao lado de Garrincha, Didi e Nílton Santos); Oreco (zagueiro e lateral-esquerdo, campeão mundial em 1958, como reserva de Nílton Santos, quando já estava no Corinthians); Odorico (craque também na Portuguesa); Salvador (futuro ídolo do Peñarol e do River Plate). E a dupla das tabelinhas, Larry e Bodinho.

Com eles, o Inter ganha mais um tetracampeonato gaúcho, entre 1950 e 1953, e o título de 1955. Nessa última conquista, Larry e Bodinho marcaram nada menos do que 48 gols. Larry fez 23, Bodinho 25, um recorde que só foi superado em 1980, pelo centroavante Baltazar, do Grêmio. Com uma diferença: Bodinho fez 25 gols em 18 jogos. Baltazar fez 26 em mais de 30 jogos. O time-base dessa última conquista era: La Paz, Florindo e Oreco; Mossoró, Odorico e Lindoberto; Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho. No ano seguinte, 1956, o Inter serve de base para a Seleção Brasileira campeã do Pan-Americano de futebol no México. Teté permaneceria no comando da equipe até 1957. Mas estava para se iniciar mais um longo período de hegemonia gremista.




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1956 - 1968 — Um óasis no deserto de títulos

Dos 13 Campeonatos Gaúchos disputados entre 1956 e 1968, o Grêmio faturou doze. Foi penta de 1956 a 1960 (último ano da divisão do Campeonato Estadual por regiões) e hepta entre 1962 e 1968, batendo, assim, o recorde do legendário Rolo Compressor colorado.

Ao Inter, nesses tempos de vacas magras, restou a alegria de um único título estadual, conquistado em 1961. Foi o ano da Campanha da Legalidade, comandada pelo governador gaúcho Leonel Brizola para garantir a posse do vice-presidente João Goulart, logo após a renúncia de Jânio Quadros. Mas também o ano do ponta-direita Sapiranga, artilheiro do primeiro Campeonato Gaúcho nos moldes em que conhecemos hoje, com 16 gols. Sapiranga não era um primor no que se refere à técnica futebolística. Mas seus dribles, embora simples, resultavam sempre em jogadas perigosas e, mais do que isso, corria como um diabo. Daí o apelido com o qual se tornou conhecido dos gaúchos: "Diabo Loiro". Fez duelos que marcaram a história dos Gre-Nais, contra o lateral gremista Ortunho, e deixou o Inter em 1964 para jogar em outros clubes do Estado, um deles o Floriano, de Novo Hamburgo, quando foi outra vez goleador do Gauchão, com 13 gols. Mas foi pelo desempenho em 1961 que Sapiranga marcou sua presença no Inter. Depois daquele ano, o sufoco voltou. Principalmente porque, àquela altura, o Inter estava mais interessado na construção de um estádio - o Beira-Rio - do que em montar um grande time de futebol.




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1967 - 1969 — Esperando o Beira-Rio

Nos últimos anos antes da inauguração do Beira-Rio, que se daria em 1969, as coisas começaram a melhorar para os lados do Colorado. Em 1967, surge um ídolo: Claudiomiro, o Bigorna, um centroavante brigador. Naquele mesmo ano, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa vira uma espécie de Rio-São Paulo ampliado, com a presença de clubes gaúchos, mineiros, baianos e paranaenses. E em sua primeira participação, o Inter fica em um honroso segundo lugar, somente atrás do campeão, o Palmeiras. Mais: com um gol de Lambari, o time vence o Corinthians por 1 x 0, tornando-se a primeira equipe gaúcha a derrotar uma paulista dentro do Pacaembu.

O Santos de Pelé ainda mandava no futebol brasileiro, tanto que conquista o Robertão de 1968. Mas o Internacional mantém sua regularidade, chegando novamente em segundo e começando a se firmar no cenário nacional. No ano seguinte, o clube inaugura o seu novo estádio, o Beira-Rio. E quebra a série de sete campeonatos seguidos do Grêmio, conquistando o título estadual com um 0 x 0 no Gre-Nal decisivo. Um resultado que poderia ter sido melhor naquele 17 de dezembro, pois o juiz Zeno Escobar Barbosa anulou um gol de Valdomiro. Inconformado com a anulação daquele gol, o diretor colorado, jornalista e político Ibsen Pinheiro invadiu o gramado e ameaçou abrir os portões para que a torcida invadisse o gramado, caso o árbitro errasse outra vez contra o Inter.




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1969 - 1973 — Aliando força e técnica

Com o estádio pronto e a hegemonia em casa reconquistada, era hora de o Colorado pensar mais alto. Pensar na conquista de um título brasileiro, por exemplo. Esse foi o principal objetivo do clube entre 1969 e 1973. Para isso, o antigo futebol de toques de bola praticado pela equipe passou a dar lugar a um estilo menos vistoso, porém vencedor. Jogadores como o clássico Bráulio foram substituídos por outros, como o ponta-direita Valdomiro, expressão máxima desse estilo de força. A valorização dessa nova filosofia passou a ser mais sentida a partir de 1971, quando o técnico Dino Sani substituiu o bicampeão Daltro Menezes. Foi naquele ano que chegou a Porto Alegre, contratado junto ao Penharol do Uruguai por US$ 100 mil, o zagueiro chileno Elias Figueroa, considerado até hoje um dos maiores símbolos da história do clube. Nos anos seguintes, para facilitar a elaboração de um grande time, surgiram nas categorias de base craques como Falcão e Batista. E Paulo César Carpegiani parecia, enfim, maduro para colocar a serviço do clube todo o seu belo futebol.




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1974 - 1976 — A conquista do Brasil

Em 1972, 1973 e 1974, o Internacional (a essas alturas já tetra, penta e hexa campeão gaúcho) sempre esteve entre os quatro melhores colocados do Campeonato Brasileiro. Porém, para a consagração nacional definitiva, ainda faltava alguma coisa. Como um técnico e um goleiro ideais.

Entre 1974 e 1975, Rubens Minelli substitui Dino Sani no comando da equipe. E o veterano Manga, 37 anos, chega do Nacional do Uruguai para tomar conta do gol colorado. O ponta-esquerda Lula, ex-Fluminense, completou a base daquele time, um dos melhores do futebol brasileiro em todos os tempos, enfim campeão em 1975, ao bater o Cruzeiro, na final, por 1 x 0. Aquele Inter, para a maioria dos colorados o melhor de toda a história, tinha: Manga; Cláudio, Figueroa, Hermínio e Vacaria; Caçapava, Falcão e Paulo César Carpegiani; Valdomiro, Flávio e Lula. Era um time tão poderoso que na final contra o Cruzeiro atuou com os dois laterais reservas, Valdir na direita e Chico Fraga na esquerda. Mas ainda assim conseguiu superar o poderoso Cruzeiro de Minas.

No ano seguinte, 1976, viria o bi, com um 2 x 0 sobre o Corinthians na final. Nessa campanha, o time titular contou com dois novos jogadores a substituir antigos titulares incontestáveis. Marinho Perez voltou da Espanha para a vaga antes ocupada por Hermínio, enquanto no comando do ataque Dario, o "Dadá Peito de Aço", assumia o lugar do veterano Flávio. Foi o ano do surgimento de Batista, que inclusive ocupou a posição de Paulo César Carpegiani na decisão, pois esse, contundido, não disputou a final (e em seguida foi negociado para o Flamengo). E ano, também, da confirmação do reserva Escurinho como o "pé-quente", que sempre entrava em campo nos momentos difíceis, para resolver os problemas da equipe. Era um time de muitos craques, em uma época de ouro.




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1977 - 1980 — Os anos Falcão

Sem Rubens Minelli (que trocou o Inter pelo São Paulo, onde foi tricampeão brasileiro em 1977), Paulo César Carpegiani (vendido ao Flamengo) e Figueroa (de volta ao Chile), o Inter começa o ano de 1977 lutando contra a decadência que se avizinhava. E apostando todas as suas fichas em um único nome: Falcão.

O time dá adeus ao sonho do tri nacional e, depois, ao Campeonato Gaúcho, enfim vencido pelo Grêmio, após oito anos de hegemonia colorada. Recupera-se no ano seguinte, ganhando o Gauchão em pleno Olímpico, em uma final na qual toda a defesa era formada por reservas. O zagueiro Beliato inclusive já havia sido dispensado pelo clube e teve de ser buscado às pressas no aeroporto para jogar a decisão. Pois ainda assim o Inter venceu, 2 x 1, comandado por Falcão no meio e contando com o oportunismo e objetividade do veterano Valdomiro na frente. Foi ele o autor dos dois gols que, mais do que o título, decretaram o fim da carreira do goleiro Corbo no Grêmio.

No ano seguinte, 1979, ainda com Falcão (e também com o ponta-esquerda Mário Sérgio em grande forma), o Inter levanta seu terceiro Campeonato Brasileiro, e invicto, depois de um memorável duelo contra o excelente Palmeiras de Telê Santana nas semifinais e duas vitórias sobre o Vasco na decisão. Até hoje o clube permanece como o único a ter conseguido vencer um Brasileiro sem uma derrota sequer. O primeiro semestre marca a despedida de Falcão, vendido à Roma, da Itália. E de uma maneira amarga: o time perde o título da Libertadores para o Nacional do Uruguai, empatando em casa (0 x 0) e perdendo fora (0 x 1).




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1981 - 1984 — Rei em casa

No período entre 1981 e 1984, o Grêmio conquista os títulos mais importantes de sua história: brasileiro (1981), da Libertadores e Mundial (1983). Mas, para desespero dos tricolores, em casa, quem continua mandando é o Inter.

O Colorado fatura os quatro primeiros Campeonatos Gaúchos da década, cada um de uma maneira diferente. No de 1981, que tirou o tri do Grêmio, o herói foi Silvinho, que passou por Paulo Roberto, encobriu Leão e fez 1 x 0 em pleno Olímpico, quando só o empate bastava. O Grêmio chegou à igualdade - 1 x 1, com Baltazar -, mas não ao título. 1982 foi ano de Geraldão, o veterano artilheiro que castigou o tricolor marcando todos os gols colorados nas finais. No ano seguinte (1983), o título veio por antecipação, com vitória (2 x 0) sobre o São Borja na penúltima rodada e empate (2 x 2) no Gre-Nal da última. Por fim, em 1984, bastou empatar novamente (1 x 1, no Olímpico) para ficar com a taça. O time do tetra (também base da Seleção Brasileira medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles, naquele mesmo ano) foi o seguinte: Gilmar, Luiz Carlos Winck, Aloísio, Mauro Galvão (Pinga) e André Luís; Ademir, Luís Freire e Luís Fernando; Jussiê, Kita e Silvinho. Na campanha olímpica, destaque para um ex-júnior colorado que, se em casa não conseguia mostrar um futebol suficiente para tornar-se titular, quando vestia a camisa amarela da seleção se transformava num jogador indispensável: Dunga. Mas, cansado de ser reserva no Beira-Rio, e sem convencer aos dirigentes que poderia ser volante do Inter, acabou negociado naquele mesmo ano com o Corinthians.




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1985 - 1989 — Melhor fora do que no Rio Grande

A segunda metade dos anos 80 é, para os colorados, exatamente o inverso do que aconteceu na primeira. Quem pensava que a torcida colorada já havia pagado todos os seus pecados no período de construção do Beira-Rio se enganou. A partir de 1985, o Grêmio-Show do meia Valdo e do técnico Rubens Minelli reassume a hegemonia também em nível estadual, ganhando os dois turnos e negando ao Colorado até a chance de uma decisão. Era só o começo de uma nova fase ruim que estava por vir, na qual o time assistiria ao maior rival chegar ao hexacampeonato.

Mas, se em casa as coisas não andavam tão bem, pelo menos no âmbito nacional o velho Colorado voltou a dar sinais de vida. Em 1987, renovada com a presença do goleiro Taffarel, a equipe chega ao vice-campeonato da Copa União, perdida para o Flamengo de Zico com uma derrota (0 x 1) no Maracanã. No ano seguinte (1989), repete a dose, desta vez como vice do surpreendente Bahia. Mas bom, mesmo, foi ter eliminado o Grêmio nas semifinais, ganhando por 2 x 1, e de virada, naquele jogo que ficou conhecido como o "Gre-Nal do Século". Esse é considerado, pelos colorados, o mais emocionante de todos os clássicos. O vencedor não apenas teria vaga na decisão, contra o Bahia, mas já naquele jogo asseguraria presença na Libertadores. Pois o Inter saiu perdendo por 1 x 0, teve um jogador expulso (Casemiro) ainda no primeiro tempo, mas no segundo virou de forma heróica para 2 x 1, mesmo com um jogador a menos. Nílson, autor dos dois gols, foi o herói da tarde.

A quase-consagração nacional carimba o passaporte para uma nova Libertadores, em 1989. O time chega bem até as semifinais da competição sul-americana, em que vence o Olimpia em Assunção por 1 x 0. Com o resultado, podia empatar em casa que, mesmo assim, estaria classificado para a final contra o Nacional de Medellín. Mas perdeu - 3 x 2 -, desperdiçou um pênalti no tempo normal com Nílson e, nos pênaltis, os paraguaios ficaram com a vaga.




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1991 - 2000 — Os anos da redenção

A última década do século traz mais quatro Campeonatos Gaúchos para o Internacional: 1991, 1992, 1994 e 1997. No Brasileiro, poucas boas lembranças, como a goleada sobre o Grêmio na partida de abertura de 1997 (5 x 2, com direito a show de Fabiano). Na Copa do Brasil, mais uma conquista (a quarta nacional da história do clube), com vitória sobre o Fluminense na final, 1 x 0, gol de pênalti de Célio Silva.

Mas no paraíso, mesmo, os colorados estiveram em 1991. O ano começa com o rebaixamento do Grêmio à segunda divisão nacional. E termina com o título gaúcho, impedindo o hepta tricolor, na base dos gols do veterano Lima e do meia Cuca, dois ex-gremistas. O bi vem como conseqüência da vitória na Copa do Brasil, com o mesmo time, em que se destacavam o volante Márcio (ex-Corinthians) e o atacante Gérson, morto em conseqüência da Aids. O time bobeia em 1993, mas já no ano seguinte recupera o título gaúcho, tendo como destaques o zagueiro Argel e o atacante Leandro. No último Gre-Nal, 4 x 1 para o Colorado.

Títulos, novamente, só o de 1997, evitando que o Grêmio igualasse o número de troféus. Os anos seguintes são de vexame estadual (ao perder o título de 1998 para o Juventude, o Inter joga fora uma tradição de 44 anos de domínio da dupla Gre-Nal) e nacional (no Brasileiro de 1999, o time só escapa do rebaixamento na última rodada). O Dream Team montado para o Brasileiro de 1998 - com Gonçalves, Elivélton e a volta do capitão Dunga - também não passou de ilusão. E hoje, mais do que grandes nomes, a torcida colorada aguarda avidamente por uma parceria, que reconduza o Inter às conquistas.




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