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Guga faz o que gosta
14h35 24/10/2006

Guga, ex-Santos, aposenta gol e comanda 'Pavarotti'

Ex-goleador investe em turismo a bordo da escuna Pavarotti, no Rio; Guga desiste de lotérica e de gerência de atleta, condena nova geração e diz que 'qualquer um hoje é craque'.

Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net

SANTOS - Um dos maiores ídolos do Santos da década de 90, o ex-atacante Guga avalia que, enfim, encontrou a vida que gostaria. Após encerrar sua atividade em campo em 2001 no modesto Cabofriense-RJ, clube onde deu seu primeiro passo no futebol, Guga partiu então para duas novas funções; abriu uma casa lotérica no Rio de Janeiro e criou uma parceira com Ranielli, ex-companheiro de Santos, para gerenciar a carreira de jovens jogadores. As duas tentativas, porém, não vingaram.

A terceira investida, entretanto, foi certeira. Desde o início desta temporada, o ex-atleta promove passeios turísticos a bordo da escuna Pavarotti, que percorre 250 praias e os 400 km do litoral de Angra dos Reis-RJ.

"Iniciei no ramo de turismo no começo do ano. Tenho uma escuna que faz passeios por toda a Ilha Grande. Fazemos inúmeros passeios pelas praias de Angra. Fico trabalhando na praia das 8 às 18 horas e estou gostando muito", vibrou Guga ao Pelé.Net.

A escuna Pavarotti tem capacidade para 80 pessoas e é toda decorada com fotos de Guga ao longo de seus 17 anos no futebol, facilitando a identificação dos turistas com o proprietário da embarcação. "É um barco temático. Recebo turistas de Curitiba, Santos, Minas, do Acre. O legal é que já joguei em mais de 20 clubes pelo país. Por conta disso, sempre aparece um turista que torcia por uma ex-equipe minha. Isso é gratificante", revela.

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A escuna Pavarotti tem capacidade para 80 pessoas e é toda decorada com imagens do ex-jogador, que foi ídolo na Vila
Guga justifica o porquê das outras duas atividades não terem dado certo. O ex-camisa 9 do Peixe fechou casa lotérica por falta de segurança.

"Atualmente, uma lotérica funciona praticamente como um banco. O pessoal paga contas na lotérica e a movimentação financeira passa a ser enorme. São 30, 40 mil reais que circulam por dia. Isso deixa a lotérica vulnerável diante da insegurança existente no Rio", alega.

Sobre a curtíssima trajetória como agente de jogador, o ex-centroavante atribui sua decepção à área empresarial ao fato de a nova geração de atletas seguir as tendências da Lei Pelé. "O garoto de hoje marca dois gols, pensa que é craque e quer contrato de cinco anos. Eu tive que ser artilheiro do Brasileirão para tentar um salário maior, mas agora tem moleque que ganha R$ 10 mil ainda jogando no infantil. Não quero ficar pagando para um garoto para ver se ele será um bom jogador", conta Guga.

"Essa lei Pelé está acabando com o futebol. Os meninos daqui do Rio pedem para jogar com chuteira Nike, tem essa briga pela distribuição de DVD. Na minha época, eu demorei a ter uma boa chuteira e tive que lutar pra ser jogador. Talvez por isso é os clubes tinham grandes jogadores. Agora, time que tem um bom jogador já passa a enxergá-lo como craque", acrescenta.

A VILA ERA UM MANGUE
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Na contagem oficial do Santos, Guga marcou 97 gols com a camisa alvinegra. Segundo o ex-centroavante, a quantidade de gols dobraria se atuasse no atual time do Santos. Guga conta que não era tarefa para qualquer um marcar muitos gols no antigo gramado da Vila, comparado por ele a um mangue. Hoje a Vila é um tapete; ficou fácil ser artilheiro, diz.

"Aquele campo da Vila era horrível. Era como jogar no mangue. Outro dia eu visitei a Vila e vi o novo gramado. Fiquei impressionado e imaginando como seria jogar nesse campo. O pessoal do Santos me entregou um relatório dizendo que eu fiz 97 gols. Mas, se fosse nesse gramado de hoje, faria mais de 200", arrisca Guga.

Outro facilitador para a explosão de gols caso ainda atuasse está relacionada à queda do nível profissional no futebol do país. "O futebol hoje atingiu um nível horrível. O São Paulo tinha Muller, Raí, Palhinha, Silas. O Palmeiras tinha o Evair, Edmundo. As equipes grandes não possuem mais atletas diferenciados. Seria muito mais fácil fazer gol, sem dúvida".
Sempre Santos
Apesar da coleção de clubes que já contaram com sua contribuição no ataque, Guga não esconde: o Santos foi o time que mais lhe marcou. Conhecido entre os torcedores alvinegros por ter sido sempre impiedoso diante do rival Corinthians, o ex-atleta santista diz que acessa um site de relacionamentos quando "arranja tempo para sair um pouco da praia" para responder perguntas sobre seu atual paradeiro e a fama frente ao Timão.

"Poxa, fizeram a comunidade 'Guga, matador de gambás'. Tem quase 700 pessoas. Isso é sinal que o tudo aquilo que fiz pelo Santos ainda é reconhecido por bastante gente. De vez em quando, eu entro lá para responder o pessoal por onde eu ando e outras coisas. Quanto ao Corinthians, eu não tinha aquele sabor especial em marcar contra eles. A motivação era a mesma de quando eu enfrentava o Palmeiras ou São Paulo", explica.

O Peixe, aliás, reserva seus melhores momentos no futebol. Seu auge ocorreu em 1993, quando terminou o Nacional como artilheiro, com 14 gols. O ex-jogador, entretanto, revela sentir mágoas pela maneira como foi tratado na Vila Belmiro no final de sua passagem pelo clube. Guga acusou ex-diretores do clube de não terem reconhecido sua importância à agremiação.

"Fui artilheiro do Brasileiro de 93, perdi a artilharia do Paulistão de 91 para o Raí apenas na última rodada, mas o Santos insistia em seguir com a política 'pés no chão'. Eles queriam me pagar o equivalente a R$ 3 mil mensais na minha melhor fase. Perto do que os atletas de hoje ganham, eu merecia estar trilionário. Fui tratado com desprezo pela diretoria, que, tempo depois, se envolveu em outros problemas financeiros", reclama.

Apesar da saída do Peixe de maneira nada gloriosa no início de 1995, Guga assegura que sua relação com a entidade Santos não sofreu avarias. "Não tem jeito. Vesti a camisa de vários clubes, mas acabei virando o 'Guga do Santos'. Todos me associam com o Santos. Isso é uma honra para mim. Sou santista fanático em São Paulo e torcedor do Vasco no Rio".



  Poxa, fizeram a comunidade 'Guga, matador de gambás'. Tem quase 700 pessoas. Isso é sinal que o tudo aquilo que fiz pelo Santos ainda é reconhecido
Guga, ex-atacante do Santos e verdadeiro cigano do futebol
Alexandre da Silva
14/06/1964
Rio de Janeiro-RJ

Times
- Cabofriense (1984)
- Juventus do Acre (1984)
- Esmeralda Petroleiro (84 a 87)
- Itabuna (1987)
- Atlético-MG (87 a 89)
- Goiânia (1989)
- Goiás (1990)
- Inter-RS (1990)
- Flamengo (1990)
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- Santos (91 a 95)
- Botafogo (1996)
- Al Hali - Arábia (96 a 97)
- Cerezo Osaka (1997)
- Araçatuba (1997)
- Bahia (98 a 99)
- Atlético-PR (1999)
- Paysandu (2000)
- Remo (2001)
- Bangu (2001)
- Cabofriense (2001)

Títulos
- Campeão Equatoriano (1984)
- Campeão Estadual - Bahia (1987)
- Bi-campeão Estadual - Paysandu (00 e 01)







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