13h18 17/01/2007

Prado, ex-São Paulo, troca bola por lotérica

Ex-meia do São Paulo e do Corinthians já fugiu até mesmo dos tiros em negócio que comanda há quase 40 anos.

Evandro César Lopes, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - Meia direita do São Paulo e do Corinthians durante a década de 60, Prado, que já vestiu a camisa da seleção brasileira, deixou o futebol de lado. O ex-jogador trocou a bola pela sorte e hoje é dono de uma lotérica localizada no bairro da Vila Pompéia, na capital paulista.

Evandro Lopes/UOL
Prado comanda lotérica e já fugiu até dos tiros por negócio que comanda desde 1969
"A lotérica é pé quente. Estou nesse ramo desde que deixei o futebol, em 1969. Até agora a casa já deu prêmios em praticamente todas as loterias, falta só a mega-sena", diz, eufórico, o ex-atleta que abandonou o futebol antes dos 30 anos por uma contusão no tornozelo esquerdo.

A hora de parar, no final dos anos 60, não chegou a ser um trauma. Segundo Prado, o grande problema da maioria dos atletas é justamente o fim da carreira.

"Você está acostumado com aquele assédio todo, mas no meu caso não sofri de mal nenhum justamente porque soube parar. Não me arrependo de nada", disse o jogador, que também vestiu a camisa do Bragantino, do Bangu e da Portuguesa Santista na carreira que durou menos de uma década.

O esporte continua como parte da vida de Prado, mas somente na televisão. O ex-jogador faz questão de acompanhar praticamente todos os campeonatos pelo mundo. Seus preferidos são o Espanhol e o Inglês, todos acompanhados no aconchego do sofá de sua casa, na Tv por assinatura.

"Meu filho torce para o São Paulo e algumas vezes a gente se aventura a ir. Chega lá é uma bagunça e você não tem lugar para sentar, fora a violência nos estádios, que está cada vez pior. Prefiro mesmo é ficar em casa, no conforto", comenta Prado, que diz ter colecionado boas amizades no esporte.

Evandro Lopes/UOL
Lotérica Can-Can na Vila Pompéia é pé quente segundo Prado, ex-são-paulino
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Contente com a rotina imposta pelo negócio, Prado encara com naturalidade até mesmo os problemas mais graves em sua lotérica. Em 2001, o ex-jogador foi assaltado quando fechava sua casa e, mesmo após ter entregado o dinheiro, levou três tiros na barriga.

"A gente já estava cansado de ser assaltado e eu reagi. Cheguei a ficar na UTI e pensamos até em parar com o negócio. Conversei com meu filho e decidimos continuar. Agora, em 2006, sofremos novo assalto, mas não adianta reclamar. Se você fica com medo dessas coisas acaba não saindo de casa", diz, bem humorado, o ex-jogador, que resolveu instalar vidros blindados em sua lotérica para não ser mais vítima dos assaltantes.

Sem medo dos tiros, Prado teme mesmo os aviões. Como atleta, o meia viajou por toda a América e até mesmo para a Europa em excursões promovidas pela diretoria do São Paulo. No entanto, após a aposentadoria, as viagens passaram a ser mais curtas.

"Nas primeiras vezes eu não fiquei com medo não, mas em uma das viagens achei que não iria escapar. O comandante do avião chegou até a pedir para que as pessoas que tivessem dentadura tirassem. Estava tremendo tudo. Agora prefiro as viagens mais curtas", relembrou.

Hoje com 67 anos, Prado faz fisioterapia para cuidar do tornozelo machucado ainda nas épocas de jogador. Apesar das dores até mesmo para as simples caminhadas, o ex-jogador esbanja bom humor. "Não dá mais para jogar bola. Até mesmo para andar dói, mas agora estou fazendo fisioterapia em casa, já está muito melhor", finalizou.



  A gente já estava cansado de ser assaltado e eu reagi. Cheguei a ficar na UTI
Prado, que hoje é dono de lotérica em São Paulo
Antônio Franco Coelho Prado

13/05/1940
Catanduva-SP

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