11h00 24/07/2007

Ex-xerifão, Moisés pesca e joga tênis enquanto aguarda convite

Ex-zagueiro de Vasco, Corinthians, Bangu e seleção brasileira aproveita o tempo livre no Rio de Janeiro e faz contatos para retornar ao futebol. Seu último clube foi a Cabofriense.

Cauê Rademaker, especial para o Pelé.Net

RIO DE JANEIRO - Até pouco mais de um ano atrás, para alguém encontrar o ex-zagueiro Moisés teria de ir até a beira do campo de algum time que ele estivesse treinando. Entretanto, sem clube desde que deixou a Cabofriense-RJ, ele agora se divide entre duas novas atividades: pode ser encontrado na quadra de tênis do condomínio Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, ou em uma pescaria na praia do mesmo bairro.

Pois são esses dois passatempos que têm distraído Moisés Matias de Andrade, 58 anos, e que na época de jogador ficou conhecido por sua forma viril de atuar e marcar os atacantes.

AUGE E FRANÇA
Como jogador, Moisés iniciou sua carreira no Bonsucesso e passou Botafogo, Vasco, Fluminense, Corinthians, Paris Saint-Germain, Flamengo e Bangu. No time alvinegro de São Paulo, foi campeão estadual em 1977, fazendo parte da equipe que encerrou o jejum de 23 anos sem títulos.

Entretanto, o ex-zagueiro cita que seu melhor momento na carreira foi no Rio de Janeiro, defendendo o Vasco, quando formou dupla com Miguel. "Ali foi o meu auge, foi quando eu cheguei à seleção brasileira", contou.

Já na França, passou apenas seis meses no Paris Saint-Germain. Nesse período, sofreu com o rigoroso inverno europeu e, sozinho no país, não conseguiu se adaptar, retornando ao Brasil para defender o Flamengo.

"Na época o futebol de lá era fraco, fraquíssimo, o público pequeno. Foram seis meses difíceis e não tinha nenhum outro brasileiro no time. E não pagavam grandes coisas, não", disse.
"Mas eu não era violento não, poucas vezes fui expulso na carreira. Como eu não tinha muita técnica, eu me utilizava da regra do jogo. Jogava de forma dura e fazia as minhas faltas, mas nada de violência", assegurou o ex-defensor em entrevista ao Pelé.Net.

"Cheguei até a seleção brasileira [década de 1970], para você ver. E naquela época não era igual a hoje, não. Hoje qualquer um chega", completou.

Entretanto, a vida hoje está bem mais tranqüila para Moisés. Sem ter que correr atrás dos atacantes ou comandar uma equipe, o tempo tem passado de forma calma, como o ex-defensor conta de forma bem-humorada.

"Jogo o meu tênis e pesco sempre. Pode vir aqui no Quebra-Mar conferir [risos]. Não sou nenhum fenômeno das raquetes, não, mas sei jogar. Já no mar eu sempre gostei de pescar e pego os meus peixes de vez em quando", disse o treinador, sem querer levar fama de "pescador": "Não pego peixe grande, não. Isso não existe mais por aqui. Mas consigo uns peixinhos".

Contudo, o tênis e a pesca não conseguem fazer com que Moisés deixe de lado o futebol, que a todo momento da entrevista ele fez questão de classificar como grande paixão: "O futebol é que preenche o espaço".

Para retornar à beira do gramado, o técnico faz contatos. Com o mercado difícil no Brasil, o "ex-xerife" das defesas por onde passou aposta no Oriente Médio, onde já foi treinador, para retomar a atividade.

HERDEIRO
Casado e com três filhos já adultos, Moisés tem um sucessor nos gramados. O caçula Iaponã, de 20 anos, disputou o último Estadual do Rio pelo Boavista, clube da Região dos Lagos.

Contudo, atualmente está fora dos campos, tratando de uma lesão no púbis. Ao contrário do pai, ex-zagueiro vigoroso, Iaponã atua de lateral-direito. "O garoto é bom de bola", afirmou Moisés.
"Passei sete anos em Cabo Frio e acho que isso fez eu ficar um pouco esquecido. Estou tentando voltar ao Oriente Médio. Já fui bem lá [Emirados Árabes] e acredito que consiga voltar", contou Moisés.

No Brasil, seu início como treinador foi bastante promissor. Depois que encerrou a carreira no Bangu, começou a dirigir o próprio clube em 1983, e ajudou o time carioca a viver um dos seu maiores momentos na história, sendo vice-campeão brasileiro e estadual, ambos em 1985.

Por sinal, os segundos lugares vieram em duas decisões polêmicas, em que os torcedores daquele time que contava com Marinho, Artuzinho e Ado reclamam até hoje.

"Foi brincadeira o que aconteceu, tudo premeditado. Contra o Coritiba o Marinho recebeu logo depois do meio-campo, entrou cara a cara e fez o gol. O bandeira nem anulou, mas o juiz marcou impedimento do lance só depois do gol. Nunca vi isso", recordou Moisés sobre a decisão do Brasileirão, na qual o Bangu perdeu nos pênaltis para o Coritiba, no Maracanã.

"Já no Estadual contra o Fluminense o Vica [zagueiro tricolor] agarrou o Claudio Adão na área, um pênalti claro. Mas aí o árbitro [José Roberto Wright] disse que já tinha encerrado o jogo. Aí fica difícil", reclamou.



  Como eu não tinha muita técnica, eu me utilizava da regra do jogo
Moisés, ex-zagueiro, justificando por que fazia tantas faltas
Moisés Matias Andrade
Data de nascimento: 30/11/1948
Resende (RJ)

Times
- Bonsucesso
- Botafogo
- Vasco
- Flamengo
- Fluminense
- Paris Saint-Germain
- Corinthians
- Bangu

Títulos
- Campeonato Paulista (1977, pelo Corinthians)





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