08h01 09/09/2008

César, o gremista imortal, lamenta isolamento no interior do Rio de Janeiro

Centroavante que deu o primeiro título da América aos gaúchos aguarda chance como técnico enquanto vive na terra natal como funcionário público

Vinicius Simas,
do Pelé.Net


Foi graças à cabeçada do carioca César, no ano de 1983, que o Grêmio bateu o Peñarol na final da Libertadores e colocou o Rio Grande do Sul, pela primeira vez, no topo da América. Duas décadas e meia depois da gloriosa vitória por 2 a 1, o ex-atacante vive em sua terra natal, São João da Barra-RJ, onde é funcionário público e aguarda uma chance como técnico profissional.

Divulgação/Grêmio
César revê a taça da Libertadores 1983, na festa em que o Grêmio reuniu os campeões
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Na comemoração dos 25 anos da conquista, no último 28 de julho, o clube gaúcho reuniu os campeões em um jantar. "O Grêmio lembrou de mim, mas o torcedor têm memória curta. Jogador só é lembrado quando está em cima", refletiu César no último domingo para o Pelé.Net, por telefone.

Durante a festa César, hoje com 52 anos, reviu os amigos dos tempos de vestiário. China, Tita, Mazaropi, Paulo César Magalhães, Tarciso, Odair, Newmar, César, Paulo Roberto e o técnico da época, Valdir Espinosa, estiveram presentes. "O que mais sinto falta é dos títulos e das festas. Quando a gente vem morar no interior fica sem contato no meio do futebol. Fiz curso para técnico e estou esperando oportunidade", avisa.

A vontade em comandar um plantel surgiu na transição da carreira. "Jogava no Pelotas e estava machucado. Aí o técnico foi demitido, eu decidi parar e assumi. Só não pergunte quando foi isso", frisou o ex-atleta que não faz questão de relembrar em detalhes seus feitos em campo.

"Depois que parei descansei um pouco, mas com o tempo as coisas ficaram difíceis e voltei a trabalhar. Fiz concurso público, passei em 1º lugar e há oito anos fui chamado para trabalhar na minha cidade natal - São João da Barra - como monitor de esportes", revelou.

O gol da imortalidade
Divulgação/Grêmio
Atacante comemora seu gol na final contra o Peñarol: o Grêmio conquistava a América

César entrou no segundo tempo da decisão no Olímpico, e aos 32 minutos o placar era 1 a 1. Renato Portaluppi fez uma embaixada na ponta-direita e deu um balão para a área, e o centroavante, de peixinho, venceu a marcação e garantiu o título. "Sem dúvida foi o meu grande momento. Aquele gol saiu na hora certa, quando o time estava precisando", destacou.

O jogador, mesmo que só do banco de reservas, também participou da conquista do Mundial Interclubes no Japão, no final de 83. Sobre a atualidade, ele diz que "só tem grandalhão errando gol" e está "torcendo pra o Grêmio ser campeão brasileiro". Apesar de ressentido com o esquecimento, César vive no coração dos gremistas. Como foi visto no dia 5 de abril de 1995, data do seu suposto falecimento.

Antes de uma partida contra o Grêmio de Santana do Livramento, no Olímpico, houve luto pela morte de César. "Teve um minuto de silêncio no estádio, mas era um fã meu que jogava em times menores. Ele nem era César, só parecia comigo, tinha o mesmo cabelo e adotou o nome", conta o jogador, que na ocasião estava em Belém do Pará. Em meio a tanta comoção nas arquibancadas, a confusão acabou sendo divulgada inclusive em jornais da Capital.

"Meu filho ligou e disse que eu tinha morrido em Porto Alegre. Muitos amigos telefonavam para dar os pêsames", lembra o centroavante, que deu grande contribuição para dar ao clube gaúcho o seu apelido favorito: o Imortal Tricolor.



  Meu filho ligou para dizer que eu tinha morrido em Porto Alegre. Muitos amigos telefonaram para dar os pêsames
César, ex-atacante do Grêmio, sobre uma confusão que comoveu a torcida do Grêmio em 1995
César Martins de Oliveira

13/4/1956

São João da Barra-RJ

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Títulos
- Libertadores da América - Grêmio, 1983
- Mundial Interclubes - Grêmio, 1983





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