08h05 11/11/2008

No Vasco, ex-zagueiro Jorge Luiz faz seu "vestibular" para se tornar técnico

Integrante da comissão técnica de Renato Gaúcho, defensor destaca que hoje em dia sabe o que os técnicos sentem na pele no comando de um time

Luciano Paiva, especial para o Pelé.Net

RIO DE JANEIRO - Um homem pronto para transmitir aos mais jovens todo o seu conhecimento do futebol. É desta maneira que podemos definir o ex-zagueiro Jorge Luiz, exímio cobrador de faltas e que teve passagens vitoriosas pelo Vasco (tri-campeão carioca em 92, 93 e 94), pelo Flamengo (campeão carioca de 96) e pelo Botafogo (campeão carioca de 97) na década de 90. Atualmente, aos 43 anos, Jorge Luiz trabalha como um dos auxiliares-técnicos de Renato Gaúcho na Colina, além de se aperfeiçoar para seguir carreira no futuro.

Site oficial do Vasco
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Jorge Luiz destaca que pretende transmitir o seu conhecimento aos atletas mais jovens
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Após pendurar as chuteiras em 2003, pelo América-RJ, o ex-zagueiro teve a certeza de que a sua praia era mesmo trabalhar com futebol. Além de amar o que faz, Jorge Luiz destaca que sempre recebeu os incentivos de companheiros e familiares para continuar ligado ao mundo esportivo. Para ele, o principal motivo dessa força foi a sua liderança que sempre demonstrou pelos gramados.

"Eu falava muito na época de jogador, exercia liderança, sabia me expressar e tinha a personalidade forte. Acho que por isso as pessoas sempre me disseram para continuar no futebol. Só que não foi apenas isso. Eu sempre amei a minha profissão, é muito complicado você largar depois que encerra a carreira. Mas eu procurei fazer alguns cursos, um deles na Escola de Educação Física do Exército, na Urca, além de estágios em outros clubes. Agora, no Vasco, agradeço a oportunidade que o Renato Gaúcho me deu em me manter em São Januário", disse Jorge Luiz, que chegou ao clube com o então técnico Antônio Lopes.

Assim como uma boa parcela dos ex-boleiros que resolvem seguir a carreira como comandante de uma equipe de futebol, ele destaca que hoje em dia tem a exata noção de todas as dificuldades que os técnicos têm para administrarem um grupo grande de jogadores. Afinal, qual atleta nunca escutou o chefe dizer que a vida é bem mais fácil dentro das quatro linhas?

"Nós agora sabemos como é complicado lidar com 30 ou 35 jogadores. É por isso que escutávamos que era mais fácil jogar, e é mesmo. O Renato Gaúcho, por exemplo, ele tem muitos jogadores, tem de motivar a todos, relacionar 18 para uma partida, mas só vai escalar 11. É necessário ter muito jogo de cintura, pois agrada uma pequena parcela e desagrada a alguns. Realmente não é fácil", comentou o futuro técnico, que tem tentado aproveitar ao máximo a experiência de trabalhar ao lado de Renato e de Alexandre Mendes, preparador físico e auxiliar principal do comandante cruzmaltino.

"Não cheguei a jogar com o Renato, apenas contra ele. Era um jogador chato de ser marcado, forte e de muita personalidade. Atualmente, tento observar sempre. O Renato é um técnico bem sincero nas palavra, firme, mas que sabe ser durão e flexível quando precisa. É por isso que o seu valor está provado", disse.

Zagueiros-artilheiros

No futebol brasileiro, apenas o zagueiro Chicão, do Corinthians, se destaca por cobrar faltas com extrema categoria. Ou seja, cada vez mais é raro encontrar um jogador de defesa se destacar neste tipo de jogada. Questionado sobre quando passará a ensinar os defensores cruzmaltinos a técnica nas bolas paradas, Jorge Luiz destaca que antes de tudo é necessário salvar o Vasco do risco de rebaixamento. Depois, com mais tempo no clube, este tipo de trabalho pode ser colocado em prática.

"O tempo é curto e precisamos aproveitar o máximo de tempo com os jogadores. Mas no meu caso, eu sempre tive muita facilidade em bater na bola, desde moleque gostava de cobrar faltas. Mas quando me tornei profissional passei a treinar muito e todos os dias. Além disso, no Corinthians, eu sempre observei demais o Neto. No Vasco, o Roberto Dinamite era a nossa referência nas bolas paradas. Eu sempre procuro transmitir conhecimento aos jogadores na medida do possível, mas sem que o Renato ache que quero me meter no trabalho dele. A gente não ensina nada, a gente passa um pouco de experiência apenas. Tentamos facilitar e melhorar as coisas para os novos atletas", encerrou Jorge Luiz.








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