   |    |  Cocada festeja em 88 | 15h42 30/11/2004 Herói de 1988, Cocada sonha em voltar como técnico Ex-lateral do título estadual do Vasco hoje tem uma escolinha em Mato Grosso do Sul, mas faz planos para retornar ao futebol profissional. Marcelo Alves, do Pelé.Net
RIO DE JANEIRO - A torcida do Vasco jamais esquecerá daquela segunda-feira de junho de 1988 em que saiu pelas ruas do Rio de Janeiro oferecendo cocadas, numa provocação aos rivais rubro-negros, no dia seguinte à final do Campeonato Estadual quando o lateral-direito Cocada entrou em campo e decidiu o jogo.
"Sem dúvida, No Vasco vivi o melhor momento da minha carreira. Fui bicampeão carioca com a camisa do clube e ainda fiz o gol do título de 88 contra o Flamengo", lembra o ex-lateral-direito.
As lembranças de gols e títulos importantes ficaram no passado. Atualmente, Cocada olha para o futuro e não consegue se ver distante do futebol. Dono da escolinha Muller Esportes (O ex-atacante de São Paulo, Cruzeiro e Seleção Brasileira é seu irmão) em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o ex-jogador está cursando a Faculdade de Educação Física da Universidade Católica Dom Bosco e prepara-se para retornar ao mundo da bola em pouco tempo.
"Eu concluo a universidade no ano que vem e o trabalho na escolinha tem me dado sustentação e experiência. Quero retornar ao futebol profissional na hora certa. Notei que diversos treinadores não conseguiam se desvincular da imagem de jogador e não se deram bem", argumentou.
Uma boa base para exercer a nova profissão não deve lhe faltar. Antes de abrir a escolinha, Cocada treinou os juniores do Americano em 2000 e 2001 e depois do Operário-MS. Aliado ao lado prático, o ex-lateral promete aplicar o que de melhor aprendeu com seus ex-treinadores como Telê Santana, Castilho, Lazaroni, Evaristo de Macedo, Pinheiro e Carlos Alberto Silva, além do estágio que fez com o campeão do mundo Luís Felipe Scolari, no Palmeiras.
"O Luís Felipe me deu uma base muito boa. É uma pessoa inteligente e um fora de série. Estive lá em 1999, ano em que eles disputaram o mundial e aprendi muito nas questões de liderança, comando, organização de uma equipe, saber a hora de ser duro e flexível", comenta.
Cocada encerrou a carreira no Londrina em 1992 depois de passagens por Operário, Flamengo, Guarani, Santa Cruz, Americano, Farense, de Portugal, Vasco, Fluminense, São José e Cascavel. Aos 43 anos, divorciado e com dois filhos, o ex-jogador orgulha-se de só ter marcado gols importantes na carreira.
"Devo ter feito uns 60 ou 70 gols na carreira, mas o mais importante é que eu só fazia gols decisivos. Os dois principais foram esse do bicampeonato do Vasco e um que eu marquei pelo Operário contra o América, no Brasileiro de 1981. Nós precisávamos vencer e eu fiz o gol da classificação. Nós acabamos a competição em sexto lugar", diz.
De sua única experiência no Velho Continente descobriu uma vocação de artilheiro que desconhecia. "No Farense eu atuava como atacante e marquei 16 gols no Campeonato Português da temporada 86-87. Até de bicicleta eu fiz", recorda.
Tristeza com o futebol carioca
Mais conhecido como jogador do Vasco, Cocada também atuou por Flamengo e Fluminense. Da passagem na Gávea guarda bons momentos enquanto que das Laranjeiras lamenta que tenha sido num momento conturbado.
"O Flamengo era excelente. Eu era um garoto de 21 anos pela primeira vez num clube grande e fazia parte daquele timaço com Zico, Júnior, Adílio e Andrade. Eles jogavam dez partidas e venciam nove. Já no Fluminense, o time não conseguia se acertar, pois na época vivia com dificuldades financeiras e chegou a ter três treinadores. Foi boa, mas o clube passava por uma fase ruim", afirmou.
Fase impossível de ser comparada ao futebol carioca de hoje em dia em que três clubes lutam para não serem rebaixados para a segunda divisão. Cocada lamenta os problemas e aponta alguns erros.
"Isso tudo reflete a má administração das equipes. Um exemplo claro disso aconteceu com o Flamengo recentemente. O clube estava com três meses de salários atrasados e deu R$ 1,5 milhão ao Dimba. Como você acha que o elenco vai se sentir? Isso é uma incoerência. E se deram o dinheiro não podiam deixar vazar. Houve no mínimo negligência nessa história", critica.
Curiosidade
E Cocada sabe que terá de lidar com problemas semelhantes se quiser seguir a carreira de técnico no futuro. Por enquanto ele vai comandando sua escolinha em Campo Grande.
"Nosso trabalho é filantrópico. Temos apoio de algumas instituições particulares e pais de alunos que pagam os salários. Temos quatro categorias: pré-mirim, mirim, infanto-juvenil e juvenil. E já temos garotos em diversos clubes grandes do futebol", garante.
Garotos que como Cocada sonham em fazer um gol de título para um Maracanã lotado e no dia seguinte sentirem o doce sabor da vitória. Assim como os vascaínos naquela segunda-feira, que trocaram o tradicional bolinho de bacalhau pela cocada. Aliás, por quê o apelido?
"Eu tenho desde a infância. Quando eu era pequeno eu trabalhava limpando mercearias e sempre recebia o pagamento em biscoito ou doce. E eu comia muita cocada. Foi quando um colega me chamou assim e o apelido pegou", encerrou. |
 | |   Quero retornar ao futebol profissional na hora certa. Notei que diversos treinadores não conseguiam se desvincular da imagem de jogador e não se deram bem. Cocada | Luís Edmundo Lucas Correia 16/04/1961, em Campo Grande (MS)
Clubes Operário-MS (79 a 82 e 83) Flamengo (83) Guarani (84) Santa Cruz (85) Americano (86) Farense-POR (87) Vasco (87 e 88) Fluminense (89) São José (90) Cascavel (91) Londrina (92)
Títulos Brasileiro de 83, pelo Flamengo Cariocas de 87 e 88, ambos pelo Vasco Sul-matogrossenses de 79, 80, 81 e 83, pelo Operário-MS Paranaense de 92, pelo Londrina
|   |