07h57 10/02/2009

Ancheta, ex-Grêmio, lança o terceiro disco de música latina enquanto aguarda chance como técnico

Zagueiro uruguaio que foi considerado o melhor da função na Copa do Mundo de 1970 segue com a vida de cantor, mas torce para ter nova chance de comandar uma equipe de futebol.

Vinicius Simas, do Pelé.Net

PORTO ALEGRE - Eterno perseguidor de emoções, o ex-zagueiro do Grêmio e da seleção uruguaia nas décadas de 70 e 80, Ancheta, projeta um 2009 de novidades. Aos 60 anos, o cantor está em processo final de lançamento do seu terceiro disco de música latina, e admite que gostou da experiência de ser técnico e aguarda uma nova oportunidade para retornar ao futebol.

Na tarde da última segunda-feira o ex-atleta conversou com a reportagem do Pelé.Net e não escondia a empolgação com o novo álbum, Suavemente Latino, que está prestes a ser comercializado. "Já está na minha mão. Tem algumas salsas, boleros, e uma composição minha com o Eduardo Millan, uruguaio e grande parceiro. São músicas para agradecer aos amigos", comentou.

Divulgação / Grêmio
Ancheta, atual cantor de música latina, quer novas experiências como técnico
LEIA MAIS SOBRE O GRÊMIO
O início de ano é período em que Ancheta descansa. "No verão eu paro um pouco, porque não faço shows no litoral", explica. No palco, o ídolo tricolor garante que revive o clima dos gramados. "O show se assemelha muito com o jogo. A adrenalina, a emoção, aquele sentimento de que a gente tem que agradar. Quando termina a apresentação e o público bate palma, pede alguma música, é como fazer um gol".

Foram os amigos que o levaram a encarar a carreira artística. Depois que abandonou o futebol, em 1982, se divertia soltando a voz em reuniões e festas particulares. A boa repercussão acabou o convencendo a levar a sério a música, e assim foi gravado o primeiro disco: Besame mucho com frenesi. Assim como a técnica era sua marca registrada nos gramados, o romantismo embala suas apresentações. No repertório, clássicos latinos como Solamente una Vez, La Barca e Perfídia.

O clube gaúcho onde se consagrou sendo o capitão da equipe entre 1971 e 1980, continua ajudando Ancheta na carreira musical. "Trabalhei com o consulado do Grêmio pelo Interior. Eles abriram as portas para ex-atletas, eu faço meus shows e vendo meus discos", ressalta.

Até mesmo os torcedores do rival Internacional já foram conquistados pelo zagueiro cantor. "Às vezes aparece alguém para incomodar, mas é um bêbado que está inconsciente, nada com colorados. Consegui cativar as pessoas pelo meu caráter, pelo futebol limpo. Hoje quem vai no meu show se impressiona e diz 'nossa, não sabia que você tinha voz'", conta.

Música e futebol, paixões que dividem Ancheta
Feliz com seus shows, Ancheta nunca esteve longe do futebol. Quando se aposentou, estava no Nacional-URU e prestes a ser contratado pelo São Paulo. "Sofri uma lesão, que não era nada de mais, em 15 dias me recuperaria, mas eles queriam um reforço imediato. Fiquei chateado e abandonei", lembra.

Com autoridade de quem foi considerado o melhor defensor da Copa do Mundo de 1970, Ancheta diz que os tempos mudaram. "Os zagueiros de hoje são muito esforçados, mas não são bons tecnicamente. Atualmente tenho gostado muito de ver o Réver (do Grêmio)".

Campeão da Libertadores, Mundial e tri uruguaio pelo Nacional, tri gaúcho com o Grêmio, ele acredita que tem muito a ensinar. Montou uma escolinha de futebol em Santo Antônio da Patrulha e foi técnico do time amador da cidade.

"Morei lá quando meus filhos (os mais novos, do casamento com Nadia, atual esposa) eram pequenos, na Capital era muito violento para criá-los. Agora que o mais novo (Pietro) está com 18 anos, voltamos para Porto Alegre". Ao todo, o ex-atleta tem cinco filhos e sete netos.

Em 2008, a primeira experiência como treinador profissional foi curta demais, de apenas 45 dias, mas deixou um sabor agradável. Ancheta tinha a missão de tirar o Passo Fundo da segunda divisão estadual, mas depois de dois empates e duas derrotas, veio a demissão. "No Sul é difícil, sempre querem resultado imediato. O grupo era muito jovem, foi complicado, mas poderia ter recebido uma chance maior. Acabei gostando, aprendi a unir o grupo, e agora espero uma nova oportunidade para treinar".

Se for contratado por algum clube, os shows terão que parar. "São duas coisas que apaixonam. Me sinto bem, ainda sou novo, e caso isso aconteça, deixo a música de lado por um tempo", projetou o ex-zagueiro, romântico que não consegue esquecer sua primeira paixão: o futebol.



  Consegui cativar as pessoas pelo meu caráter, pelo futebol limpo. Hoje quem vai no meu show se impressiona e diz 'nossa, não sabia que você tinha voz'.
Ancheta, considerado o melhor zagueiro da Copa de 1970, que virou cantor e está prestes a lançar seu terceiro disco de música latina.
Atílio Genaro Ancheta

19/7/1948

Florida, Uruguai

Times
- Nacional-URU
- Grêmio
- Millionários-COL

Títulos
- Uruguaio (1969/70/71, pelo Nacional)
- Libertadores da América (1971, pelo Nacional)
- Mundial (1971, pelo Nacional)
- Gaúcho (1977/79/80, pelo Grêmio)





© Copyright Zipsports Ltda. Todos os direitos reservados

Shopping UOL