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Telê, eterno mestre
15h40 25/04/2006

Lola, ex-Atlético-MG, relembra Telê Santana

Ex-meia, que hoje ensina Educação física e indica talentos ao Galo, fala com paixão do ex-clube e se emociona ao se lembrar do ''eterno mestre''.

Julio César Rezende, do Pelé.Net

BELO HORIZONTE - Brincalhão e orgulhoso do que fez com a bola nos pés, Raimundo José Correa, que hoje mora num sítio no município paulista de Ribeirão Preto, guarda boas lembranças da carreira, apesar das graves contusões, e se recorda com emoção de ex-treinador Telê Santana. Lola, como era conhecido o meia-direita do Atlético-MG, nos anos de 1960 e 1970, se divide atualmente entre a atividade de professor universitário e "olheiro" de talentos para o Galo, seu clube do coração.

Campeão brasileiro pelo Atlético, em 1971, Lola fala com prazer do time formado por Dario, Humberto Ramos, Vantuir, Grapete, Oldair, entre outros, e comandado por Telê Santana. "O nosso time era homogêneo, fantástico, muito bom. Tudo isso com o mestre Telê, o ouro maior era o Telê", observou o ex-meia, que fez apenas sete partidas pelo Brasileiro daquele ano por causa de uma fratura na fíbula da perna esquerda.

Lola se emociona ao falar de Telê Santana, que morreu aos 74 anos de falência múltipla do órgãos, no dia 21 de abril, e do Atlético, clube que o revelou para o futebol. "O Atlético é a minha vida, e tive o privilégio de trabalhar com Telê, uma dádiva de Deus. O Telê parecia um pastor dedicado às suas ovelhas", lembrou o ex-jogador, comovido.

Lola chegou ao Atlético em 1965, com apenas 15 anos, levado por um amigo da família, Tonhão, e logo se destacou nas categorias de base. Em 1967, já com 17 anos, tornou-se profissional do Galo. O primeiro título veio com o Campeonato Mineiro de 1970. Ele permaneceu no clube mineiro até 1973, quando se transferiu para o Guarani, de Campinas.

Meia-direita habilidoso, ou "meio-campo criador", como se autodenominou, Lola sofreu com contusões durante a sua carreira, encerrada em 1983 no Botafogo de Ribeirão Preto, por causa de complicações no joelho direito, operado três vezes. Ao todo foram oito fraturas, inclusive expostas, de tíbia e fíbula. "Os médicos do Atlético chegaram a pensar que eu não jogaria mais, mas a minha garra fez com que eu continuasse", contou.

Apesar dos problemas de contusões graves, que o incomodaram durante a carreira, Lola não reclama. Pelo contrário, se considera realizado pelo que fez pelo futebol e cita dois pontos marcantes. "Vou falar duas coisas: a primeira, obrigado ao Atlético; a segunda, obrigado a Telê", ressaltou.

"Olheiro"

Sem esconder a paixão pelo Atlético - ele diz que já teve até cavalo preto e branco, "só faltava colocar o escudo do clube" -, Lola trabalha há dois anos como "olheiro" do time que o revelou. O ex-meia observa jogadores para o Galo no interior de São Paulo. Algumas de suas indicações já surtiram efeito e são realidades no clube.

Entre eles estão o zagueiro Lima e o atacante Éder Luís, que subiram para o profissional no ano passado. Outro indicado foi o volante Zé Antônio, que chegou ao time principal do Galo no final de 2004. A mais nova revelação do Atlético, o jovem volante Renan, que é a mais aposta atual do técnico Lori Sandri, foi sugestão de Lola.

Apesar da contribuição, o ex-jogador está triste com a situação atual do Atlético, que caiu para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. "Estou triste, além do mais sou atleticano, nós sabemos também da tradição do Atlético. Ele trilhou seu caminho, vinha na beira do abismo, escorregou e caiu", lamentou.

Lola disse que a queda à Série B, fato inédito na história do clube, servirá de lição para o Atlético "trabalhar sério e organizado" para voltar à elite do futebol. "O torcedor só quer saber de uma coisa, ter um time", afirmou o ex-meia-direita, mostrando-se confiante no futuro do Galo.

Professor

Formado em Educação Física pela Universidade de Araras, no interior de São Paulo, em 1989, Lola se decida à carreira de professor Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, há 18 anos. Realizado na profissão que optou após deixar os gramados, o ex-jogador carrega ainda a paixão pelo futebol.

Lola conta que, depois de encerrar a carreira profissional, continuou atuando como armador até os 50 anos de idade. "Fiz dezesseis gols no último campeonato que disputei", recordou-se. Mas o ex-meia do Atlético ainda não parou. Aos sábados pela manhã, ele sempre joga uma "pelada" com outros professores e país de alunos.

Casado com Maria Cristina de Souza Correa, Lola possui três filhos - Daniela, Lorena e Raimundo - e quatro netos - Fernando, Marcelo, Bernardo e Lara. Há dez anos, ele mora com a mulher num sítio em Ribeirão Preto do jeito que gostaria: "no meio mato".



  O Atlético é a minha vida, e tive o privilégio de trabalhar com Telê, uma dádiva de Deus. O Telê parecia um pastor dedicado às suas ovelhas
Lola, professor de Educação Física no Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto.
Raimundo José Correa

03/08/1950

Iguatama-MG

Times
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Títulos
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