09h03 03/07/2008

Renan, perto das Olimpíadas, confirma tradição da escola de goleiros colorados

Camisa 1 do Inter, que desde 2002 frequenta as seleções de base, confia na convocação e sonha em conquistar o ouro em Pequim

Vinicius Simas,
Do Pelé.Net


PORTO ALEGRE - Em agosto o Brasil terá mais uma chance de buscar a inédita medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim, na China. Renan, do Inter, espera realizar seu grande sonho e estar na equipe, o que confirmaria uma tradição. Há décadas, o Beira-Rio molda goleiros para as categorias de base da seleção.

Na melhor campanha brasileira, que acabou com a prata, um jovem colorado, Gilmar, era quem estava debaixo das traves. Nascido em Erechim, atuou nas Olimpíadas de 84, em Los Angeles, e dez anos depois voltou aos Estados Unidos fazendo parte do grupo campeão mundial.

Folha Imagem
Taffarel passou pelas seleções de base e depois foi titular em três Copas do Mundo
O mais ilustre dos arqueiros colorados foi Taffarel, gaúcho de Santa Rosa, que depois de passar pelas equipes de baixo, se consagrou batendo o recorde em atuações pela seleção (101 jogos) e sendo titular nas Copas do Mundo de 1990, 94 e 98. Pegador de pênaltis, foi fundamental no tetracampeonato e é lembrado como um dos maiores goleiros brasileiros na história.

Desde então, quando a CBF precisa de um camisa 1 de confiança, não demora a voltar as atenções para o Beira-Rio, onde os meninos começam a ser moldados desde pequenos.

Goleiros são preparados desde os 10 anos
Acostumado a conviver entre os melhores goleiros jovens do país, o coordenador das categorias de base do Inter, Carlos Fraga, lembra que "em toda convocação tem um goleiro nosso". No Beira-Rio, exceto o experiente Clemer, todos os outros profissionais da função são "pratas da casa" e já vestiram a camisa verde-amarela: Renan (23 anos), Muriel (21), Luiz Carlos (20) e Agenor (18).

O coordenador dos meninos ressalta que nada disso é por acaso. "Em 1996 estabelecemos que todas as categorias, a partir dos dez anos, teriam um preparador de goleiros. A única coisa que muda é a intensidade dos treinos", salienta.

O mais recente fruto da competente escola de goleiros é Alisson, irmão de Muriel. "Ele acabou de ser chamado para a sub-16 e deve seguir a linha dos demais", prevê Fraga, que imagina a rotina se mantendo por muito tempo. "Já existe uma cultura, um padrão de goleiro, que começamos a criar na Escola Rubra. Os garotos já se apresentam aqui querendo ser o Renan", brinca.

Vinicius Simas/UOL Esporte
Renan, 23 anos, é titular do Inter e confia na sua convocação para as Olimpíadas
Profissional há quatro anos, Renan foi campeão gaúcho (2005 e 2008), da Libertadores da América (2006), Mundial de Clubes da Fifa (2006), da Recopa (2007) e da Dubai Cup (2008).

Só se firmou como titular nesta temporada, mas em 2006 quebrou recorde e se tornou o goleiro do Inter com maior tempo de invencibilidade no Campeonato Brasileiro: 795 minutos sem levar gol.

Ele segue os passos dos principais ídolos. O primeiro deles "sem dúvida é o Taffarel", diz. Outra referência é André, com quem conviveu durante dois anos nos vestiários do Beira-Rio. "Dentro do futebol, ele é um grande amigo".

Os dois, igualmente criados no Inter, passaram tanto pelas seleções de base quanto pela principal.
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Renan se firma no Inter e sonha com o ouro nas Olimpíadas
A primeira vez que a torcida colorada ouviu falar de Renan foi em 2000, quando ele era titular do Inter campeão mundial sub-15. Oito anos depois e diversas convocações para as seleções de base na bagagem, o jovem nascido em Viamão é hoje dono da posição, já tem seis títulos como profissional e mostra total confiança na sua convocação para as Olimpíadas de Pequim, em agosto.

"Na primeira vez que fui para a Granja Comary - em 2002 - vi os quadros das equipes campeãs mundiais, e nenhum das Olimpíadas. Isso alimentou esse sonho, ainda mais pela minha idade". O goleiro completou 23 anos em janeiro, e com paciência e maturidade espera seguir sendo convocado.

"Seguir na seleção passa por uma boa Olimpíada. Com o Júlio César foi assim, e ele entrou no time principal quando o Dida abandonou", lembra. Para isso, o goleiro foca o trabalho no Inter, clube onde joga desde os nove anos. "Tenho que ir bem aqui para ser valorizado, e não o caminho inverso".

Renan já foi sondado pelo Sporting, de Portugal, mas diz que seu objetivo é permanecer no Beira-Rio, onde tem contrato até o final de 2011. "Vários fatores me levam a ficar aqui por muito tempo. Claro que tenho vontade de disputar uma Champions League, mas não tenho cidadania européia, e isso dificulta. Estou num clube organizado, que valoriza o jogador e não deve nada a nenhum outro", conclui.




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