09h01 04/07/2008

Galo não consegue se livrar da maldição da lateral esquerda

Muitos jogadores passaram pela posição no Atlético-MG, nos últimos anos, sem conseguir conquistar a confiança da torcida do clube.

Luiza Oliveira, do Pelé.Net

BELO HORIZONTE - Considerada uma das posições mais carentes no futebol brasileiro, a lateral-esquerda se transformou em verdadeira maldição do Atlético-MG nos últimos tempos. Um grande número de jogadores passou pelo setor, mas não conseguiu encantar a torcida com a boa marcação e com cruzamentos perfeitos.

LATERAIS QUEREM VOLTA POR CIMA
Bruno Cantini/site oficial do Atlético-MG
Bruno Cantini/site oficial do Atlético-MG
Thiago Feltri diz que a solução é seguir trabalhando e esperar por uma nova chance
Os jogadores que estão hoje no Atlético-MG disputando uma vaga na lateral esquerda tentam superar o passado recente e provar que têm qualidade para vestir a camisa alvinegra e provar seu valor. Mesmo sem conseguir achar as respostas para a fase negativa no setor, Thiago Feltri continua trabalhando para voltar a ter o seu lugar ao sol.
"Não sei explicar, acho que todos tiveram a oportunidade, mas não conseguiram render o esperado para se manter na equipe. É procurar trabalhar para que se pintar a oportunidade novamente não sair mais", afirmou o jovem lateral-esquerdo.
Sempre muito criticado desde que foi promovido ao profissional em 2005, ele afirma que encara com naturalidade as críticas. "Num clube grande como o Atlético é normal, você joga mal um ou dois jogos a crítica já vem em cima e tem que trabalhar para superar isso. Sempre estive tranqüilo, sei da minha capacidade e tenho que trabalhar para voltar à equipe agora", disse.
Recém-chegado ao clube, César Prates quer mudar a imagem do setor que ele se dispõe a jogar mesmo sendo lateral-direito. "Estou chegando nessa dificuldade que há dez anos está existindo. Se eu jogar nessa função com certeza quero fazer o melhor para que seja apagada essa dificuldade. O meu empenho e a minha concentração vão ser muito maiores para que não exista mais essa colocação que a lateral-esquerda está carente", disse.
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Um dos últimos destaques na lateral esquerda atleticana foi Dedê, hoje no Borussia Dortmund, da Alemanha, que ajudou o Galo a conquistar a Copa Conmebol e a Copa Centenário, ambas em 1997. Nos pouco mais de dois anos que ficou no Atlético-MG, o jogador deixou sua marca pelo talento e facilidade com que chegava ao ataque.

Entre 1999 e 2002, Ronildo teve uma longa seqüência de 162 jogos, mas também era alvo de constantes críticas. Após sofrer contusão, Felipe, que havia ido bem no Vasco, assumiu o posto, mas disputou apenas sete jogos com a camisa atleticana.

Em 2004 e 2005, anos difíceis para o Atlético quando escapou por pouco do rebaixamento no Brasileiro no primeiro ano e caiu no ano seguinte, a torcida se lembra bem de Rubens Cardoso. O lateral disputou 101 jogos e marcou oito gols, mas também era perseguido pelos atleticanos. Em 2006, na Série B, André Santos, que vem se destacando no Corinthians, teve uma passagem apagada pelo alvinegro.

Apenas este ano, sete jogadores já exerceram a função e nenhum conseguiu ganhar a confiança da comissão técnica e da torcida. Como prova disso, o atual técnico do Atlético-MG, Alexandre Gallo, detectou a deficiência e vinha improvisando o volante Renan no setor depois de testar várias formações e sacar o então titular Thiago Feltri do time.

Revelado na base, desde 2006 Feltri foi o que mais jogou na posição. Ele fez 98 jogos com a camisa alvinegra. Apenas este ano, o jogador esteve em campo em 17 jogos, sendo 15 como titular, mas foi alvo constante de críticas, principalmente pela dificuldade nos cruzamentos e também o condicionamento físico.

Contratado para resolver o problema em maio, Calisto atuou em apenas duas partidas contra Atlético-PR e Portuguesa, pelo Brasileiro, quando sofreu uma lesão na cartilagem do joelho esquerdo da qual ainda se recupera.

Outros dois jogadores chegaram este ano e já deixaram o time depois de não vingar. Bruno Barros, que jogou apenas uma partida como titular pelo Campeonato Mineiro, foi emprestado ao CRB, enquanto o uruguaio Agustín Viana, que teve uma seqüência maior de 10 jogos, também deixou a desejar e foi colocado à disposição. Hoje, ele treina em separado do restante do grupo.

Agora, mais dois atletas, porém laterais-direito de ofício, Amaral e César Prates, vindos do Palmeiras e Figueirense, respectivamente, são os mais novos candidatos a dar uma solução final para o crônico problema da ala esquerda.

"É uma necessidade de vários clubes, a lateral esquerda é uma posição difícil e a gente continua procurando. Não está fácil contratar, não é questão financeira, é achar o atleta certo, no momento certo, na disponibilidade certa", comentou o técnico Alexandre Gallo.

"Todo mundo pergunta porque não contrata. Conversei essa semana com o Vagner Mancini, com o Cuca, está todo mundo atrás de atleta e a dificuldade está muito grande", acrescentou o treinador atleticano.

Questão de sorte

O presidente do Atlético, Ziza Valadares, considera que é uma questão de azar ou sorte o que vem acontecendo. "O azar tem nos acompanhado. Estávamos com dificuldades na lateral e trouxemos o Calisto e ele se machucou. Isso, infelizmente, tem acontecido conosco", comentou.

"A lateral nos preocupa sim e ainda que eu quisesse no mercado eu não acho. Um jogador que eu apostaria muito chama Thiago Feltri, nos deu muita alegria, mas precisa de mais um trabalho psicológico porque sabe jogar bola", observou o dirigente alvinegro.

Entre os ídolos do passado na posição como Oldair e Cincunegui, na década de 70, e Jorge Valença na década de 80, está o ex-jogador Paulo Roberto Prestes. O lateral atuou no Galo de 1986 a 1996, marcou 38 gols em 504 jogos e conquistou cinco títulos mineiros: 1986, 88, 89, 91 e 95.

Paulo Roberto considera que a dificuldade está no trabalho de base. "Acho que há um desinteresse das categorias de base. Todo clube só quer formar atacantes e meio-campistas para negociar para o exterior. Não tem treinamentos específicos para a lateral. Não tem interesse", disse.

Ele reafirma que o principal problema do Atlético é a lateral-esquerda. "É falta de trabalho na base. O Thiago Feltri tem boa qualidade técnica, mas não foi bem preparado para subir para o profissional, a parte física deixa a desejar, falta cruzamentos", comentou.




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