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Paulo Forte: acusado
09h02 27/10/2005

Nairo e Forte ainda aguardam o julgamento

Punidos severamente na esfera esportiva, presidente e ex-médico do São Caetano foram indiciados por homicído doloso.

Do Pelé.Net

SÃO PAULO - O Superior Tribunal de Justiça Desportiva decidiu, no dia 7 de dezembro de 2004, responsabilizar o São Caetano pela morte do zagueiro Serginho. Isso porque o defensor havia feito um exame anteriormente e o clube sabia que seria um risco colocá-lo em campo. Por conta disso, o presidente Nairo Ferreira de Souza foi afastado do futebol por 720 dias (dois anos), e o médico Paulo Forte pegou gancho ainda maior (1440 dias, ou quatro anos).

No entanto, até agora, dirigente e médico só foram punidos na esfera esportiva. Nairo e Forte foram indiciados por homicídio doloso (com intenção de matar) pelo falecimento de Serginho e podem pegar de seis a 20 anos de prisão por isso.

A PUNIÇÃO
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva decidiu, em dezembro de 2004, tirar 24 pontos do São Caetano no Campeonato Brasileiro devido à morte do zagueiro Serginho.

A sessão aconteceu no Rio de Janeiro, teve duração de quase nove horas e a pena foi imposta por unanimidade (4 votos a 0). O STJD também puniu o presidente do clube, Nairo Ferreira, a 720 dias longe do futebol, e o médico Paulo Forte, do São Caetano, a 1440 dias de suspensão.

O motivo da punição foi o fato de Serginho saber que tinha um problema cardíaco quando entrou em campo para enfrentar o São Paulo. São Caetano, dirigente e médico foram por terem escalado um jogador sem condições de atuar.Leia mais
"O processo ainda está bem no início. Houve apenas uma audiência e foram ouvidas duas testemunhas. Não temos uma previsão do quanto isso vai demorar, mas sabemos que é bastante complicado termos uma solução rápida", contou o advogado Sérgio Alvarenga, responsável pela defesa de Paulo Forte.

O principal desafio dos advogados de defesa, aliás, é mudar a acusação. "Estamos tentando uma desqualificação. Homicídio doloso é algo absolutamente extravagante para o que aconteceu. Isso nos parece absolutamente inapropriado", completou Alvarenga.

Os advogados de Paulo Forte já têm um hábeas corpus em Brasília, aguardando julgamento, para tentarem a desqualificação da denúncia contra o médico. "Se tivermos sucesso, a tendência é que a coisa se torne muito mais rápida. O julgamento iria para uma vara comum e a solução do caso poderia até acontecer com mais agilidade", revelou Alvarenga, que demonstrou postura bastante otimista.

"A gente entende que a possibilidade de homicídio doloso, atualmente, é algo completamente afastado. Mas também deve ser afastada a hipótese de homicídio culposo. A gente tem absoluta convicção de que ele [Paulo Forte] não praticou crime algum", garantiu o advogado.

Enquanto aguardam a decisão da Justiça Comum, Nairo Ferreira de Souza e Paulo Forte seguem trabalhando normalmente. O dirigente, afastado do futebol, segue como presidente do São Caetano Ltda. Ele possui 55% das ações e responde pelos destinos do clube.

Nairo, aliás, foi reeleito recentemente e ficará como mandatário do São Caetano até 2010. Enquanto ele estiver suspenso, Luiz de Paula (vice-presidente de futebol) seguirá assinando como responsável pelo time.

Quanto a Paulo Forte, o médico foi demitido pelo São Caetano após ter sido afastado. Ele foi substituído por Rubens Sampaio, que ficou apenas sete meses no cargo. Atualmente, Alberto Teixeira (com passagens por Portuguesa e Corinthians) é quem cuida dos atletas do clube do ABC paulista.

Entretanto, o médico continuará recebendo seus salários normalmente até o fim de seu contrato com o São Caetano. Além disso, faz visitas freqüentes ao Anacleto Campanella e ainda atende atletas do clube em sua clínica particular.

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