Reuters
Romário: líder nos EUA
10h52 10/11/2006

Miami aclama passagem de "manager" Romário

Baixinho contribui para expansão de liga e clube comemora feitos em seu 1º ano de vida; Romário vira artilheiro, professor, cria 'família' no elenco e expulsa jamaicano marrento.

Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net

SANTOS - A passagem de Romário por Miami durou apenas seis meses, o suficiente para que o atacante arquitetasse o time norte-americano à sua maneira. "Ex-patrão" do Miami FC, o Baixinho possuía autonomia para mandar e desmandar no elenco. Tanta regalia não ocorreu à toa.

Romário cumpriu à risca o projeto inicial traçado pelo clube: transformar o debutante time da Flórida em uma potência do país e fortalecer a United Soccer League, USL, liga independente que rivaliza com a Major League Soccer, a "NBA" do futebol.

MEIA TEM DVD VALORIZADO
Miami FC
Meia-direita do Miami, Diego Walsh serviu Romário em diversas situações de gol. Segundo o armador, o Baixinho não desembarcou em Miami apenas para alcançar o milésimo gol. O plano de marketing montado pelo estafe brasileiro que controla o Miami foi determinante para a ida de Romário aos EUA. Atualmente, ele tem 986 gols contabilizados.

"O Romário jamais comentou com o grupo sobre isso [mil gols]. Ele nunca pediu para que nós facilitássemos seu trabalho para que chegasse ao milésimo gol. Ele tem ótima relação com o país [Romário foi tetra e se despediu da seleção nos EUA] e aceitou jogar no Miami porque considerou interessante o projeto de fortalecer e expandir a liga americana", disse.

Principal meio de apresentação dos futebolistas, a exibição de imagens editadas em DVD precisa, portanto, ser impecável. A curta parceira foi proveitosa; o Baixinho terminou como artilheiro do torneio e Walsh incluiu no DVD suas assistências para o atacante.

"Selecionei várias jogadas com passes meus dados para o Romário marcar. A presença do Romário nas imagens valoriza bastante o material, principalmente quando a jogada foi feita por nós. Todos no mundo conhecem o Romário", vibra Walsh, que tem propostas para atuar na Guatemala e Austrália.
O impacto da presença do veterano nos EUA é comparado ao plano ambicioso feito pela equipe do Cosmos, na década de 70. À época, o clube de Nova York adiou a aposentadoria de Pelé na tentativa, em vão, de implantar o futebol no país.

Romário foi artilheiro da USL 2006, com 19 gols, foi eleito três vezes como o atleta da rodada, e quatro vezes eleito no time da rodada. Em seu primeiro ano de vida, o Miami FC terminou a competição em quinto lugar. Ao todo, a USL reuniu 12 equipes, com clubes também de Porto Rico e do Canadá. Terminada a liga, Romário teve passagem frustrada no Tupi-MG, onde não pôde atuar, e agora defende o Adelaide-AUS.

"Nosso objetivo era contratar uma grande figura do futebol mundial para transformar o Miami em um time conhecido e vencedor. Com a contratação do Romário, demos um passo muito importante para essa meta. A vinda dele representou o feito mais importante da história da USL", orgulha-se Julio Mariz, presidente do Miami FC.

Famoso por burlar cartilhas internas, criticar treinadores e faltar a treinos, Romário, 40 anos, adotou a versão "paz e amor" em Miami. Uma de suas primeiras medidas no clube norte-americano foi formar uma "família" no elenco. Romário era visto como o paizão do grupo. Aqueles que batiam de frente com o atacante não tiveram vida longa.

Que diga o centroavante jamaicano Onandi Lowe, líder de sua seleção na Copa do Mundo de 1998, considerado pelo camisa 11 um jogador "desagregador e marrento". Para que a "família Miami" não fosse contaminada pelo Reggae Boy, Romário interveio e ordenou a saída de Lowe.

Pedido atendido pela diretoria. Contra o atleta da Jamaica, pesava seu histórico de confusões fora de campo, entre os quais a detenção em 2005, na Inglaterra, por porte de drogas.

Participativo, o tetracampeão mundial tinha suas ordens absorvidas pela diretoria do clube, composta basicamente por brasileiros. Avesso a treinamentos, o jogador compensou suas faltas aos coletivos treinando em particular. Nada que abalasse a moral do carioca da Vila da Penha com a cúpula do Miami FC. Não é para menos. Existia um pacto no clube: o Baixinho só seria substituído quando pedisse.

"Estamos muito orgulhosos com a campanha que o Miami fez. E o Romário foi decisivo no crescimento não só do Miami, mas da Liga. Logo em nossa estréia, chegamos às quartas e conquistamos vários prêmios individuais. O Miami teve uma enorme projeção internacional, o que eleva definitivamente as expectativas para 2007", vibrou o gerente do time, Luiz Muzzi.

Professor Romário

A quinta posição alcançada pelo Miami FC na USL foi encarada como uma conquista para um clube, criado no início do ano. O Baixinho, juntamente com o meia Zinho, ex-Flamengo e Palmeiras, foram as principais peças para o sucesso meteórico do time.

"Mesmo com a fama, o Romário se portava como um jogador comum, procurando ensinar o melhor posicionamento aos atacantes do time. Ele era como um professor para nós e por isso todos gostavam dele. Hoje o Miami já tem seu nome no cenário mundial e conta com propostas para amistosos em vários países", contou ao UOL Esporte o meia do Miami, o brasileiro Diego Walsh.

A calmaria do camisa 11 em sua fase na América do Norte tem uma explicação: Miami é a cidade "mais brasileira" dos Estados Unidos, com praias, redes de futevôlei e agitadas baladas noturnas.

"O Romário se adaptou muito bem à cidade. Não existe tanta pressão do torcedor, já que as atenções na cidade estão direcionadas ao futebol americano e ao beisebol. Além disso, Romário tinha a praia, futevôlei e toda a família com ele. O Romário gostou muito dessa fase", comentou Walsh.




© Copyright Zipsports Ltda. Todos os direitos reservados

Shopping UOL