UOL Notícias Política
 

10/10/2008 - 10h43

Lula diz que espera "Natal extraordinário" para os brasileiros, apesar da crise

Rodrigo Flores
Em Brasília
A crise econômica que ameaça as principais economias do mundo não deve atrapalhar o Natal dos brasileiros, que será, nas palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "extraordinário". A previsão foi feita nesta sexta-feira (10) durante a primeira entrevista coletiva de um presidente da República exclusivamente para portais de Internet. Lula disse também que não trabalha com a possibilidade de um pacote anticrise. Segundo ele, o governo vai trabalhar com intervenções pontuais.

Veja a íntegra da entrevista (e outros trechos mais abaixo):



"O Brasil tomou uma vacina. (...) Se a crise chegar, será em proporções menores do que nos Estados Unidos e Europa." A avaliação do presidente é de que os fundamentos econômicos brasileiros devem imunizar o país. "Estamos acompanhando com lupa", disse. "Estou convencido de que o Brasil sofrerá menos do que qualquer outro país a crise econômica surgida nos EUA. Precisamos nos preparar para comprar tudo aquilo que a gente sonha no Natal e torcer para que que o Ano Novo seja infinitamente melhor."

Trecho da entrevista coletiva

    A crise econômica foi o assunto predominante na entrevista, que durou aproximadamente 30 minutos, feita no Palácio do Planalto com jornalistas do UOL, Terra, iG, G1, Limão e Agência Brasil.

    Durante toda a conversa o presidente procurou passar tranqüilidade. "Meu papel é passar serenidade e a verdade absoluta", disse. No entendimento dele, há uma apreensão generalizada, sobretudo pelos fatos divulgados pela imprensa. Contudo, ele voltou a relativizar seu impacto. "Vamos dar à crise a dimensão que ela tem."

    "Eu continuo otimista que nós vamos ter um Natal extraordinário no Brasil. Até porque, embora o Brasil esteja vivo e participando da economia global, a crise não chega do mesmo tamanho em todos os países do mundo. No Brasil nós ainda não temos nenhum grande projeto que tenha sofrido qualquer arranhão. A decisão do governo é de manter todas as obras do PAC, todas as obras de infra-estrutura que nós já assumimos compromisso."

    Lula aproveitou para comparar o cenário atual com o período entre 1997 e 1999, quando os mercados enfrentaram as crises dos tigres asiáticos, da Rússia e do México. "O mundo de 2008 é diferente do mundo de 1998." Segundo ele, o Brasil vai se sair melhor agora diante de uma crise de US$ 2 trilhões do que quando enfrentou uma crise de US$ 40 bilhões ou US$ 70 bilhões em 1998.

    "Não tirarei nenhum centavo dos programas sociais", diz Lula

      "Só os Estados Unidos já colocaram US$ 1 trilhão. O nosso amigo Gordon Brown, primeiro-ministro da Inglaterra, ontem anunciou mais US$ 1 trilhão para o sistema financeiro. Já são US$ 2 trilhões, e a crise não está causando no Brasil o impacto que causou uma crise de US$ 40 ou US$ 70 bilhões. Isso porque o Brasil está mais sólido. Isso porque os empréstimos que nós temos que fazer para crescer, já estão contraídos. Isso porque os bancos brasileiros estão mais preparados, não estavam na especulação. Isso porque o BNDES está mais estruturado. Isso porque a economia brasileira está crescendo fortemente. Isso nós vamos continuar fazendo."

      "Eu tenho conversado, tenho recebido cartas das indústrias que vieram me comunicar investimentos aqui, todas vão manter os investimentos. Aliás, Deus queira que o Brasil seja um bom lugar para que eles façam os investimentos e tenham os lucros necessários para ajudar as matrizes a pagar suas dívidas lá no exterior."

      O presidente defendeu eventuais programas de auxílio a bancos, medida que vem sendo tomada por diferentes governos pelo mundo. Para ele, colocar dinheiro em instituições bancárias não é ajudar o banqueiro, mas o correntista. E sentenciou: "Este é o momento da política."

      Grupo de discussão

      Você acha que o Natal do brasileiro será afetado
      pela crise financeira?

      Lula afirmou ainda que é preciso tirar lições da crise. A principal deles seria a revisão do papel dos bancos centrais e a maior regulação dos mercados financeiros. Ele apontou a excessiva alavancagem praticada pelos bancos norte-americanos que, nas palavras do presidente, chega a 35 vezes, quando no Brasil ficaria em nove ou dez vezes o valor investido.

      Lula: "Colocar dinheiro em bancos é forma de ajudar correntistas"

        O presidente retomou metáforas usadas em discursos anteriores ao dizer que "não é crise dos pobres" e apontar que "desta vez o calo é no pé dos ricos", ou ainda ao afirmar que a "economia real foi ultrapassada pelo cassino financeiro."

        Questionado sobre a agilidade em responder às ameaças da crise internacional, o presidente explicou que a estratégia do governo é intervir pontualmente para garantir a tranquilidade dos mercados.

        "Tenho evitado pacotes. Este país quebrou a cara muitas vezes com pacotes", afirmou. Lula deu como exemplo o caso de um doente que precisa tomar 20 vacinas para se curar. "Não precisa tomar todas de uma vez." Ele afirma manter reuniões diárias com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para acompanhar os desdobramentos da crise.

        "Crise é bom momento
        para o mundo se ajustar"

          "Na medida em que essa crise chegar ao Brasil e tiver implicação na diminuição dos investimentos, ou o governo for obrigado a diminuir os investimentos, com a mesma serenidade que estou dizendo que o Brasil está em um momento bom, eu vou dizer: companheiros, amigos e amigas, a situação está se agravando e nós vamos ter que fazer isso, fazer aquilo, e anunciar as medidas. Eu tenho evitado trabalhar com pacote. Tenho dito ao Guido e ao Meireles que com pacote atrás de pacote, este país já quebrou a cara muitas vezes. Eu prefiro ir tomando medidas pontuais, na hora em que for necessário."

          "Não é porque o médico fala que você tem que tomar 20 injeções, que você vai tomar as 20 de uma

          "Redes de banda larga vão acompanhar as obras do PAC"

            vez. Toma uma de cada vez. Aí você vai se curar melhor do que se tomar todas de uma vez. Então, comigo não tem pacote, comigo serão medidas na medida em que for necessário tomar medidas."

            Entre os planos do presidente está a convocação para os próximos dias de uma reunião extraordinária do Mercosul para avaliar o impacto da economia sobre o bloco.

            Eleições

            Lula disse que não deve participar ativamente do segundo turno das eleições municipais pelo país. A alegação é a falta de tempo na agenda presidencial. "Não vou fazer campanha. Talvez vá para São Paulo, se der tempo", disse, em alusão à disputa entre a petista e ex-ministra do Turismo Marta Suplicy com o atual prefeito Gilberto Kassab, do Democratas.

            "A Internet é uma revolução que ninguém imaginava que seria"

              Internet

              O presidente Lula afirmou já ter orientado a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para incluir a criação de redes de banda larga nas obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Para ele, a medida seria fundamental para ampliar o processo de inclusão digital no país.

              O presidente Lula aproveitou ainda para comentar sua relação com a Internet. "Outro dia queria baixar três músicas pela Internet. Uma para mim, outra para o Cid Gomes e outra para o Jaques Wagner." Ele definiu a nova mídia como "extraordinária", e apontou a velocidade de divulgação dos fatos como uma das principais vantagens da web. Outra vantagem, para ele, é "ter notícia sem sujar a mão". "É uma coisa nobre."

              Siga UOL Notícias

              Tempo

              No Brasil
              No exterior

              Trânsito

              Cotações

            • Dólar comercial

              16h59

              -0,56
              3,261
              Outras moedas
            • Bovespa

              18h21

              1,28
              73.437,28
              Outras bolsas
            • Hospedagem: UOL Host