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16/07/2009 - 14h15

Novo presidente do Conselho de Ética do Senado diz que opinião pública é "volúvel"

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
O senador Paulo Duque (PMDB-RJ), eleito presidente do Conselho de Ética do Senado, afirmou nesta quinta-feira (16) que a opinião pública é "muito volúvel", ao responder se está preocupado com a influência de suas decisões junto à população.

"Não estou nem preocupado com isso, porque a opinião pública é muito volúvel, ela flutua. E quem tem muita influência sobre ela são vocês, jornalistas", afirmou Duque.

O recém-eleito tem sido alvo de críticas da oposição porque teria recebido a incumbência de proteger o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Já existem pelo menos uma representação e três denúncias encaminhadas ao conselho contra o presidente da Casa, por quebra do decoro parlamentar. Elas deverão ser analisadas por Paulo Duque, que decidirá se acatará ou arquivará os pedidos de investigação. O presidente do Conselho de Ética disse que "está estudando" as representações e reafirmou que seguirá as regras do conselho.

Atos secretos
Uma das críticas contra Paulo Duque é que ele teria considerado "bobagem" os atos secretos utilizados ao longo dos últimos 14 anos para criar cargos e aumentar salários, entre outras medidas que favoreceram, inclusive, parentes e apadrinhados de Sarney. Nesta quinta, o senador do Rio disse que considera ato secreto "bobagem" quando se trata dele mesmo. "Eu jamais tive benefício por qualquer ato secreto. Por isso disse que é bobagem. Pra mim."

Para o senador, nomeações existem "desde que o Brasil foi descoberto". "Agora é que começou um controle maior, sobretudo após a Constituição de 88."

O presidente do Senado está envolvido em várias denúncias relacionadas aos atos secretos, incluindo nomeações de parentes. Nesta quinta, o jornal "O Estado de S. Paulo" publicou reportagem segundo a qual Sarney teria intermediado a nomeação do suposto namorado de sua neta para uma vaga no Senado.

Para a oposição, ao tomar uma posição de defesa de Sarney, o presidente do Conselho de Ética estaria também quebrando o decoro. "Um presidente que já assume a posição, não de árbitro, mas de parte do processo, acho que ele está quebrando o decoro, sim. Agora, imaginem: o pedido de quebra de decoro vai pra ele, que pode arquivar. Com isso nós entramos em uma situação muito complicada", disse o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

O pedetista diz esperar que os membros do conselho tentem destituir seu presidente, mas admitiu que a possibilidade de isso acontecer é pequena. "Espero que tentem, mas acho que não vão conseguir porque a maioria determinante no conselho é de pessoas que elegeram o senador Paulo Duque."

O peemedebista foi eleito para o cargo nesta quarta-feira, com dez votos favoráveis, quatro votos em branco e uma abstenção. Antes mesmo da votação, a oposição avisou que votaria em branco "para manter sua isenção" no conselho.

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