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13/08/2009 - 16h50

Reunião entre MST e representantes do governo Serra termina sem avanços em São Paulo

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Atualizado às 17h20

A reunião entre militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e representantes do governo paulista terminou sem avanços na tarde desta quinta-feira (13). Segundo a porta-voz Maria Aparecida Gonçalves, o movimento apresentou sua pauta de reivindicações e deve deixar a região do Morumbi, na zona oeste de São Paulo.

Grupo de rap participa de manifestação

  • Após o anúncio da reunião frustrada com os integrantes do governo, o grupo de rap Inimigos do Poder (IDP), da favela Real Parque, que fica ao lado do local onde os sem-terra estavam, se juntou aos manifestantes e iniciou um pequeno show improvisado (imagens: Roberto Setton/UOL)


"Não foi em vão essa marcha, mas, infelizmente, a reunião foi um desrespeito do governador com os trabalhadores do campo", disse Maria Aparecida. Após receberem as reivindicações do MST, o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, e o presidente do Itesp (Fundação Instituto de Terras de São Paulo), Gustavo Úngaro, se comprometeram a tentar marcar uma audiência com o governador José Serra daqui a 15 dias.

Os sem-terra reivindicam a suspensão de um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa que regulariza a posse de terras públicas ocupadas por grandes proprietários -usineiros e pecuaristas-, segundo integrantes do movimento. Eles querem que as terras sejam identificadas e destinadas para fins de reforma agrária.

Os cerca de 800 manifestantes marcharam do estádio do Pacaembu, onde estão acampados, até a avenida Morumbi, na zona oeste de São Paulo. A passeata foi bloqueada pela tropa de choque da Polícia Militar perto do entroncamento da via com a avenida Oscar Americano. O cordão de isolamento impedia que os militantes do MST se aproximassem do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. Com o fim da reunião, serão enviados dois ônibus articulados ao local para levar o grupo de volta ao Pacaembu.
  • Roberto Setton/UOL

    Policiais militares fazem cordão de isolamento
    para impedir que manifestantes do MST na
    avenida Morumbi se aproximem do Palácio
    dos Bandeirantes, sede do governo paulista


Além da suspensão do projeto na Assembleia, os manifestantes reivindicam maior agilidade no licenciamento ambiental das terras ocupadas, a criação de uma linha de crédito para pequenos produtores, negociação de dívidas, construção de escolas, centros esportivos e culturais nos assentamentos e o assentamento de 3.000 famílias acampadas no Estado.

Sidnei Nunes Andrade, 30, conhecido como Leto, milita há 15 anos pelo MST e mora em um assentamento com 74 famílias na zona rural de Americana.

"Estamos lá há quatro anos, mas falta água, terra para as famílias e a maioria ainda mora em barracos. Espero que pelo menos parte das reivindações sejam atendidas", diz ele.

Maísa Adriele da Silva, 19, espera que as lutas dessa semana tragam avanços. "Essa marcha não está sendo fácil", diz a jovem, relembrando a morte da militante Maria Cícera Neves, atropelada no primeiro dia da jornada.

Maísa mora há 12 anos com a família em um assentamento no município de Presidente Alves e estuda agronomia na Ufscar (Universidade Federal de São Carlos).

"Consegui a vaga pelo MST. Fico na faculdade por dois meses, depois volto para o assentamento para transmitir à comunidade o que aprendi. Depois de quatro meses, volto para a faculdade. No dia 20, tenho três trabalhos para entregar", conta ela.

O holandês René Parren, 69, morador de um assentamento em Andradina, na região de Araçatuba, também marchou com o MST de Campinas a São Paulo. Ele chegou ao Brasil em 1969 por meio de uma congregação cristã de base, com inspiração na Teologia da Libertação, e participou da fundação movimento em 1984.

"Hoje, na nossa região, só existe cana e presídio. Isso não é projeto de vida. Nós queremos transformar a região em um celeiro de alimentos", afirmou ele.

Segundo Parren, o projeto do MST não contempla só a reforma agrária, mas também tenta promover transformações sociais. "Nosso sonho é uma sociedade socialista, não capitalista. Esse sistema não serve para nós. Dentro dele não há saída", disse.

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