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17/08/2009 - 17h12

Doença de Dilma estabilizou intenção de voto, diz diretor do Datafolha

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O linfoma descoberto em estágio inicial que força desde abril a redução da agenda pública da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é responsável pela estabilização da sua intenção de voto em 16% no cenário mais provável das eleições presidenciais de 2010, afirmou em entrevista ao UOL Notícias o diretor do instituto Datafolha, Mauro Paulino.

Na pesquisa divulgada no domingo pelo jornal Folha de S.Paulo a potencial candidata petista deixa de subir pela primeira vez. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mantém a liderança com oscilação negativa de 1 ponto percentual, dentro da margem de erro de 2 pontos, para 37%. O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) está tecnicamente empatado com Dilma, em 15% das intenções de voto.

Paulino avalia que apesar do primeiro sinal de estabilidade a ministra terá mais chances de crescer nas pesquisas conforme as eleições se aproximarem, especialmente por conta do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Essa estabilização entre maio e agosto se deve a uma aparição menor da Dilma de forma positiva no noticiário. A partir do momento em que ela começou a se tratar da doença ela não comparece tanto a eventos como no período anterior, quando ela subiu na pesquisa. Eu credito a isso a estabilização", afirmou.

"À medida em que Lula aparecer mais dando esse apoio explícito, a probabilidade de que Dilma cresça é muito grande. Mas vai depender também do que o eleitorado perceber sobre a doença, sua postura em relação à polêmica atual [com a ex-secretária da Receita]. Tudo isso passa a contar mais conforme a eleição se aproxima", afirmou.

Além de aparecer negativamente no noticiário por causa do câncer, cujo tratamento dá a Dilma mais de 90% de chance de recuperação plena, de acordo com os médicos, a ministra foi envolvida em uma polêmica com a ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira. A funcionária acusa a ministra, sem provas até agora, de insinuar em um encontro secreto que investigações sobre empresas da família Sarney deveriam ser aceleradas.

A ex-senadora Heloísa Helena, do PSOL, oscilou positivamente dentro da margem de erro, e passou de 10% para 12% das intenções de voto. Brancos, nulos ou nenhum registraram 12% e 7% não souberam responder.

Efeito Marina
Paulino diz que a possível entrada da senadora Marina Silva (PT-AC) na disputa presidencial como candidata pelo PV ajuda a tirar o caráter plebiscitário entre governistas e oposicionistas, mas seu efeito pode não ser tão grande quanto pesquisas extra-oficiais detectaram. O Datafolha estimou a intenção de voto em Marina em 3%.

"Não é desprezível para início de campanha, mas não é o que se preconizava. A própria Dilma partiu desse patamar, em março de 2008, e chega agora a 16%. Mas não dá para comparar o poder de exposição de Dilma com o de Marina. Não acredito que no mesmo período Marina possa chegar nesse mesmo patamar que Dilma chegou. Mas pode ser que durante a campanha, com algum tempo na TV, ela se aproxime dos primeiros colocados", avaliou.

"[A entrada de Marina] ajuda a tirar esse caráter plebiscitário. Mas a vantagem do Serra hoje é muito grande, ele tem o dobro de votos do segundo. O caminho que os outros têm de trilhar para alcançar Serra é longo, são muitos eleitores a serem conquistados. E quanto mais candidatos a gente tem, menos plebiscitária é a disputa."

O diretor do Datafolha avalia que Marina disputa mais um terreno que pertence a Ciro, Dilma e Heloísa Helena. Perguntado sobre a eventual candidatura do governador de São Paulo poderia ser atrapalhada pela senadora, cujo eleitorado na primeira pesquisa se concentrava entre aqueles com renda mensal superior a 10 salários mínimos, Paulino respondeu: "Por conta do discurso do meio-ambiente ela pode tirar alguns votos da classe média preocupada com isso. Mas como o desempenho dela não é significativo, não acredito que essa entrada possa abalar a candidatura Serra."

O principal obstáculo no caminho da eventual candidatura de Serra é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que tem desempenho estável desde o início do ano passado. Na última pesquisa, ele aparece com 16% de intenção de voto.

"Ele tem um eleitorado cristalizado, mas precisaria iniciar uma campanha mais explícita para conquistar voto no Nordeste e no Sul", disse.

O dilema de Ciro
O diretor do Datafolha considera razoáveis as possibilidades de Ciro tanto na disputa presidencial em que aparece com intenção de voto de 15% no cenário considerado mais provável, e uma faixa entre 12 e 18% na corrida estadual.

"Ele parte de um patamar significativo em São Paulo mesmo sem fazer campanha e sem ser muito conhecido do eleitorado paulista. Como candidato a presidente ele tem uma taxa de 20% no Nordeste, 5% acima do que ele obtém na média. É uma decisão que é um dilema mesmo", avalia.

"Ele tem chances razoáveis tanto em uma quanto em outra eleição", completou.

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