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19/08/2009 - 18h04

Apoio a Sarney racha bancada do PT; senador afirma que deixará o partido

Claudia Andrade e Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizado às 18h34

A decisão do PT de votar a favor do arquivamento das acusações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética está gerando reações dos membros do partido. O senador Flávio Arns afirmou ter ficado "envergonhado" com a decisão da cúpula do partido. Por isso, afirma que pretende deixar a legenda.

Voto do PT decide arquivamento de denúncias contra José Sarney


"Eu fiquei envergonhado, porque estamos dando as costas para a sociedade brasileira. Por isso vou buscar a possibilidade de sair do partido". O senador, que é sobrinho de Zilda Arns e do cardeal Paulo Evaristo Arns, vai consultar a Justiça Eleitoral para saber quais as implicações de sua decisão para seu mandato "e também para que a Justiça diga que o senador deve ter fidelidade ao partido, mas o partido também deve ter fidelidade ao seu ideário". A partir da resposta que lhe for dada, o parlamentar disse que saberá se deverá procurar outro partido ou não.

O líder do partido, Aloizio Mercadante (SP), permanecerá à frente da bancada no Senado, mas afirmou que seu cargo continua à disposição. A reunião da legenda da tarde desta quarta-feira, após a sessão do Conselho de Ética, não contou com nomes importantes, como Ideli Salvatti (SC) e Delcídio Amaral (MS), que votaram a favor do arquivamento das ações. A próxima reunião da bancada será na terça-feira. "Não me sinto à vontade (na liderança). Semana que vem vamos decidir isso".

Mercadante disse que qualquer integrante do partido que tiver uma sugestão sobre a questão pode expressá-la para que "imediatamente" outro líder seja escolhido. "Não reivindico continuar nele [no cargo de líder], não pleiteio isso. Só não vou abandonar a bancada em um momento difícil como esse", afirmou, referindo-se à saída da senadora Marina Silva (AC) e à ameaça do senador Flávio Arns (PR).

Para Arns, o caminho escolhido pelo PT "não leva à reconstrução do Senado Federal". Ele acredita que "aspectos eleitorais estão se sobreponde a interesses maiores, como a ética e o respeito à sociedade".

Votação no Conselho de Ética
O senador Delcídio Amaral (PT-MS) afirmou após a sessão desta tarde no Conselho de Ética que "ser governo tem ônus e bônus". "Estamos em um momento de ônus e vamos assumir isso. Eu não venho aqui para o Senado só para posar de bacana quando sou do governo, quando eu tenho também que defender posições não só que o partido me orienta, mas que são importantes para o governo".

Delcídio foi um dos três representantes do PT no Conselho de Ética a votar a favor do arquivamento. João Pedro (AM) e Ideli Salvatti (SC) foram os outros dois. Mercadante fez um discurso defendendo que pelo menos uma das ações contra Sarney fosse investigada e lamentou que as denúncias e representações tenham sido analisadas em bloco.

A leitura de uma nota em que o presidente nacional do partido, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), orientava a bancada a votar pelo arquivamento, ficou a cargo de João Pedro. O líder Mercadante, incumbido de ler a carta, se recusou a fazê-lo. "Seria uma hipocrisia eu ler uma carta que eu não concordo".

A atitude foi criticada por Delcídio Amaral. "A única preocupação minha é que nós tínhamos combinado que a nota seria lida pelo líder Aloizio Mercadante. Ficou a impressão de que nada do que tinha sido combinado foi cumprido".

Os votos dos petistas seriam fundamentais para a abertura do processo de investigação contra Sarney uma vez que a oposição contava com apenas cinco votos dos 15 do Conselho de Ética. Para Mercadante, os integrantes do conselho que votaram pelo arquivamento, não o fizeram "por vontade própria". "O fizeram constrangidos. Falou mais forte a disciplina partidária. Isso prevaleceu muito acima da nossa bancada".

Para Delcídio, a liderança de Mercadante ficou abalada depois da sessão do conselho. "Um exército forte é feito por um líder forte. Hoje, infelizmente, nos sentimos desamparados. Ele faltou com aquilo que foi acordado".

O senador afirmou que o colega deverá avaliar sua permanência na liderança levando em conta "aquilo que é melhor não só para ele, mas acima de tudo, para o partido".

Como terceiro suplente do partido no colegiado, o senador Eduardo Suplicy (SP) não participou das votações, mas declarou que, caso o fizesse, teria se manifestado contra o arquivamento. Ele disse ter conversado com Berzoini, que teria afirmado que sua carta à bancada "era apenas uma orientação, não uma determinação".

Questionado sobre o tema, Delcídio afirmou ser "uma pessoa de partido". "Eu cumpro acordo e nós seguimos aquilo que foi acordado."



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