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02/09/2009 - 12h20

Collor é o novo imortal da Academia Alagoana de Letras

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Grupo de discussão

O senador Fernando Collor é qualificado para ser um imortal da Academia Alagoana de Letras?

Com 22 votos a favor e oito em branco, o senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL) foi eleito nesta quarta-feira (2) como imortal da Academia Alagoana de Letras (AAL). A posse do novo integrante, que ocupará a cadeira 20, está prevista para outubro, em data a ser definida pelo próprio ex-presidente da República.

Para justificar a eleição, Collor enviou à Academia sete coletâneas de artigos e discursos publicados em gráficas oficiais. Para a maioria dos acadêmicos, o material foi classificado como "livro publicado" e, assim, garantiu o cumprimento de um dos critérios para eleição. Nenhuma das publicações foi vendida ao público em livrarias.

As obras foram mostradas com exclusividade ao UOL Notícias por um dos maiores defensores da candidatura, o médico Milton Ênio. Das sete publicações apresentadas, seis foram entregues em cópias. "As edições originais já se esgotaram, mas o importante é a obra", afirma.
  • O médico Milton Ênio, um dos maiores defensores da candidatura de Collor, mostra o material que o ex-presidente usou para pleitear a vaga. Nenhuma das publicações foi vendida ao público em livrarias



A última das publicações é "O relato de uma história", publicado pela gráfica do Senado em 2007. O livro foi o único original entregue e traz, na íntegra, o discurso do ex-presidente quando deu sua versão no Senado sobre o impeachment de 1992.

Milton Ênio afirma que a eleição à Academia era um sonho confesso do ex-presidente. "Esse lugar foi do seu pai [Arnon de Melo] e ele tinha esse enorme desejo. Fernando honra a Academia e pode nos ajudar muito", afirmou Ênio.

Integrante da comissão julgadora dos inscritos, a escritora Enaura Quixabeira assegura que o fato dos livros não serem vendidos em livrarias nem estarem disponíveis em bibliotecas não exclui uma candidatura. "Aqui não há política. Elegemos Collor porque ele é um cidadão culto e preparado. Colocamos um edital por 60 dias e ninguém mais se inscreveu. Ele pode contribuir muito com a nossa Academia. Como político, ele pode apoiar também a publicação de autores alagoanos em grandes editoras e em projetos nacionais, por exemplo", ressaltou.

Collor emocionado
O vice-presidente do Instituto Arnon de Melo, Carlos Mendonça, foi o porta-voz de Collor na eleição. Assim que a votação terminou, Mendonça informou ao senador - que está em Brasília - da votação. "Ele ficou muito emocionado. Sempre o Fernando fez questão de que fosse realizada uma eleição limpa, dentro dos padrões da Academia. E foi isso que aconteceu. Não exigimos um voto a quem quer que fosse. Todos foram espontâneos. Prova que oito votaram em branco", afirmou.
  • Geraldo Magela/Agência Senado

    O senador Fernando Collor (PTB-AL) durante resposta ao discurso de Pedro Simon (PMDB-RS), durante discussão no dia 3 de agosto



O presidente da Academia, Dom Fernando Iorio, afirma que a votação de Collor foi expressiva e será um marco da AAL. "Não teve nenhum voto contrário, apenas alguns em branco. Isso é importante, pois todos mostraram suas convicções. Poucas vezes tivemos uma presença tão marcante de imortais [30 dos 40 votaram] numa eleição. Eu não podia fazer campanha, mas estou com uma alegria muito grande", disse Iorio.

Para o presidente da AAL, Collor deve dar "contribuições importantes" à Academia. "Ele vai contribuir com a sua inteligência e garanto que, a partir de agora, ele também vai sempre se incomodar com a literatura em seus discursos", acredita.

O ex-governador Divaldo Suruagy analisa que a eleição de Collor é um "reconhecimento público" ao papel do senador como homem público. "A sociedade assim reconhece a figura do ex-presidente para Alagoas", disse.

Como o voto foi secreto, os nomes dos que votaram em branco não foram divulgados. Em conversa com o UOL Notícias, alguns dos acadêmicos deixaram transparecer um ar de insatisfação com a eleição de Collor, mas preferiram não declarar a posição.

"O voto é secreto", disse o imortal Jayme de Altavila, que deixou o prédio antes do fim da votação alegando problemas a resolver. Outros membros deixaram a sede da AAL logo após a divulgação do resultado e não quiseram conversar com os jornalistas.

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