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20/10/2009 - 20h22

Dilma diz que mensalão não existiu e afirma que Dirceu é "injustiçado"

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizado às 21h59

Em depoimento como testemunha no caso do mensalão nesta terça-feira (20), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou a existência de um esquema de desvios de verbas públicas para de compra de apoio político no Congresso Nacional, denunciado em 2005.

Saiba mais sobre o processo do mensalão

  • Alan Marques/Folha Imagem

    Dilma prestou depoimento como testemunha no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília



"Não tinha ouvido [falar em mensalão]. Tomei conhecimento pela imprensa", disse a ministra. "Isso não aconteceu até porque era impossível fazer isso. Não havia possibilidade. Não houve nem vantagem financeira nem de qualquer outro tipo", afirmou.

O processo do mensalão tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) tendo como relator o ministro Joaquim Barbosa. Dilma Rousseff foi arrolada como testemunha do presidente nacional do PTB Roberto Jefferson, que denunciou a existência do mensalão, e do ex-deputado José Janene (PP-PR).

Dilma foi convocada a depor às 18h no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília. A data foi designada pela 12ª Vara Federal do Distrito Federal, última unidade da federação que resta na fase das oitivas das testemunhas de defesa na ação penal.

No depoimento, que teve início pouco após o horário marcado e terminou por volta das 19h30, a ministra respondeu a perguntas de advogados das defesas de réus na ação: os ex-deputados José Janene (ex-líder do PP), Roberto Jefferson, atual presidente do PTB e que denunciou a existência do mensalão, o petista professor Luizinho, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o deputado petista Paulo Rocha.

Quando questionada sobre que conceito tem do ex-ministro José Dirceu, que a antecedeu na Casa Civil, Dilma disse: "Acho que é uma pessoa injustiçada. Tenho grande respeito por ele". A ministra também foi questionada sobre suposto benefício dado por José Dirceu a instituições financeiras, repetindo não ter conhecimento sobre o assunto.

Dilma, que foi ministra de Minas e Energia entre 2003 e 2005, foi questionada sobre a votação do marco regulatório do setor elétrico, que tinha duas medidas provisórias sobre o assunto em tramitação em dezembro de 2003 e foram aprovadas em março de 2004.

"Olho para ele hoje e me surpreendo da rapidez. Tinha mais de mil emendas. É estarrecedora a rapidez com que foi aprovado", respondeu Dilma, sobre se achava o projeto polêmico. A ministra acrescentou que, a reforma era indispensável para não "quebrar o setor", pois o país passava por uma "situação limite" depois de enfrentar um período de apagão.

A ministra também foi questionada sobre as reformas previdenciária e tributária que estavam em tramitação na mesma época. Respondeu que "não tinha tempo" para acompanhá-las, por estar inteiramente dedicada à reforma do setor elétrico.

Ao final do depoimento, a ministra afirmou que nunca conheceu o publicitário Marcos Valério, um dos acusados de encabeçar o esquema.

A sessão
O depoimento não foi gravado e jornalistas que aguardavam informações sobre o assunto puderam acompanhar a sessão, que foi transcrita em computador por um escrivão.

A juíza Pollyana Kelly Martins Alves, da 12ª Vara da Justiça Federal de Brasília, foi até a sede provisória do Palácio do Planalto, o Centro Cultural Banco do Brasil, para tomar o depoimento. Mas o sistema de gravação não pôde ser deslocado, de acordo com a magistrada.

Dilma Rousseff chegou a questionar se a gravação poderia ser feita. Possibilidade descartada, tanto os advogados como a ministra tiveram de fazer longos intervalos e repetir perguntas e respostas para que fossem registradas em documento pelo escrivão.

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