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10/11/2009 - 15h14

Minc diz que propostas levadas a Copenhague não podem ser tratadas "como jogo de pôquer"

Paula Laboissière
Da Agência Brasil
Em Brasília
Ao participar da abertura do 1º Encontro Mudanças Climáticas - Um Desafio para as Políticas Públicas, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou hoje (10) que as propostas a serem levadas para Copenhague, na Dinamarca, não podem ser tratadas como "jogo de pôquer".

"Há uma grande diferença entre uma negociação internacional do preço do algodão e das mudanças climáticas. Há várias outras fibras no mundo, mas a questão do planeta é diferente porque não há outro planeta. Tratar disso como um jogo de pôquer não se aplica, a situação já é bastante dramática", disse.

O ministro lembrou que, há um ano e meio, o país não tinha metas voltadas para as mudanças climáticas e era alvo de críticas internacionais. Para ele, houve "uma mexida importante" e todos os setores da sociedade têm contribuído - inclusive o Parlamento brasileiro.

Minc ressaltou que países como Índia e China têm dificuldade de reduzir a emissão de gases na proporção que consta na proposta a ser apresentada pelo Brasil em Copenhague - da ordem de 40%. "Mas eles, de forma alguma, se opõem ou se consideram agredidos pelo fato de o Brasil ir mais adiante", afirmou.

Ele cobrou que a proposta de recursos dos países desenvolvidos para o Fundo Global precisa ser "mais substantiva" do que os 100 bilhões de euros anuais levantados pela União Europeia. Para o ministro, o montante deve chegar a US$ 350 bilhões por ano.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, elogiou o fato de as mudanças climáticas não serem mais assunto de uma minoria. A humanidade, segundo ele, passou a perceber os efeitos "danosos" da vida moderna e o tema adquire "proporções dramáticas", uma vez que os problemas criados não podem ser resolvidos de uma hora para outra.

"A solução exige grandes investimentos, sacrifícios. Estamos na véspera de uma conferência que deverá ser, ou deveria ser, um marco no caminho que a humanidade vem seguindo. O Brasil precisa estar preparado, com propostas ousadas e bastante estudadas".

Dilma chefiará missão
Minc confirmou hoje que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, vai chefiar a delegação brasileira durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague. Ele garantiu estar "confortável" diante da situação e elogiou o interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas discussões sobre mudanças climáticas.

"A ministra Dilma é, sem dúvida nenhuma, a ministra mais importante do governo. O fato de ela chefiar a delegação tem várias leituras, cada um fará a sua. Eu faço a de que o meio ambiente e o clima não são uma coisa exclusiva dos ambientalistas e que todo o governo está vestindo a camisa", disse.

Minc avaliou que uma possível integração entre a visão ambiental e a visão do desenvolvimentista é boa. "Vamos imaginar que ela [Dilma] não fosse para Copenhague. Alguém crítico poderia dizer que ela só pensa em desenvolvimento e crescimento. Todas as insinuações, nesse período, podem ser especuladas", finalizou.

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