UOL Notícias Política
 

02/12/2009 - 09h01

Em entrevista, Requião fala em apoiar Dilma e recomenda a Minc não fazer implante de silicone

Do UOL Notícias
Em Brasília
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), esteve em Brasília nesta semana para se lançar candidato à Presidência da República pelo seu partido. Mas, em entrevista ao colunista do UOL Notícias e da Folha de S. Paulo Fernando Rodrigues, disse que pode vir a apoiar a ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) para o Palácio do Planalto. O governador também comentou a polêmica declaração que fez relacionando câncer de mama e paradas gay e alfinetou o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), que criticou a frase.



Requião é parte de um grupo minoritário do PMDB que se opõe ao desejo da cúpula do partido de se coligar com o PT. Em evento nesta terça-feira (1º), ele reuniu alguns congressistas do PMDB simpáticos à sua candidatura -como os senadores Jarbas Vasconcellos (PE) e Pedro Simon (PMDB).

Na entrevista, Requião admitiu a existência de corrupção no PMDB, mas disse que ela ocorre "em todos os partidos".

Requião também atacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc . O governador o chamou de "ministro espetáculo" e "mal intencionado" devido à recente polêmica envolvendo uma declaração de Requião que o ministro considerou homofóbica.

Candidatura do PMDB
Requião resolveu lançar sua candidatura porque, segundo ele, os desejos da direção nacional e dos congressistas do partido não refletiriam a vontade das suas bases.

"Espero que o presidente [Michel] Temer, que é meu amigo pessoal, facilite as coisas. Não pode ser num jantar que se decide o destino de um partido inteiro como o PMDB", diz o governador. "[Os congressistas] querem a coligação porque estão esperando a liberação de emendas".

O paranaense pretende reverter o quadro na convenção nacional do partido, a ser realizado em junho de 2010. A posição definitiva do PMDB nas eleições presidenciais só será definida nesse evento.

Requião disse que o PMDB não deveria ter problema em largar os sete ministérios que ocupa no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Os cargos não têm importância. Eu não converso dessa forma", disse o governador. "Como o nosso regime não é parlamentarista, razoável para mim seria proibir deputados e senadores de ocuparem ministérios."

Segundo Requião, o essencial é que o PMDB tenha um programa claro de governo e não seja somente cortejado pelo horário eleitoral de que dispõe.

"Não poderia haver um movimento para a discussão de um programa de governo sem haver um candidato. E eu fui incitado por companheiros a disputar essa candidatura", diz Requião. Ele já tentou se lançar como candidato à Presidência, sem sucesso, em duas ocasiões (1998 e 2002).

Apoio a Dilma Rousseff
Requião disse que prefere apoiar Dilma do que o governador de São Paulo, José Serra -possível candidato do PSDB à Presidência.

"Eu estou muito mais para a Dilma que para o Serra", diz o governador. "Meu apoio tende mais pra Dilma pelo entorno, pela composição mais progressista, nacionalista e mais à esquerda."

Requião diz não ter problemas com José Serra, mas sim com tucanos como o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

"O Serra não é mau. Eu sou amigo de infância do Serra. Ele é progressista. O problema é o entorno do Serra", diz Requião.

Segundo ele, sua pré-candidatura pode atrapalhar Serra "porque o Sul do país estava muito mais tendente a apoiar o Serra do que a apoiar a Dilma".

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), e peemedebistas do Rio Grande do Sul, como o senador Pedro Simon, são contrários à aliança em torno de Dilma.

O governador elogiou a história do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas criticou a condução do governo no seu segundo mandato.

"Eu sou lulista. Eu acho que o Lula foi um ganho, foi um avanço. Mas o Lula no segundo governo, pela governabilidade, cedeu ao capital financeiro, aquele que não produz nada", diz Requião.

Corrupção no PMDB e mensalão do DEM
Requião disse concordar com a afirmação do senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) de que há corrupção dentro do PMDB.

"No PMDB e em todos os partidos [existe corrupção]. No PT, no DEM.... agora aqui em Brasília, o caso do Arrudinha [José Roberto Arruda (DEM), governador do Distrito Federal]. O que se poderia esperar do Arruda depois daquele escândalo da quebra de sigilo em que ele chorou na tribuna jurando pela vida do filho que ele não tinha nada a ver com aquilo?", perguntou o governador, lembrando da renúncia de Arruda ao seu cargo do Senado em 2001, quando era suspeito de ter violado o sigilo do painel de votação do plenário.

Requião defendeu a saída do governador do Distrito Federal do cargo. Arruda é acusado de comandar um esquema de mensalão do DEM em Brasília. Requião não quis opinar, entretanto, se o PMDB brasiliense deveria expulsar os envolvidos do partido no escândalo.

Ao menos dez deputados (dois deles suplentes), além de Arruda e três secretários do Distrito Federal são suspeitos de participar de pagamento de propinas. A operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, foi divulgada na última sexta-feira (27).

"Várias pessoas estão envolvidas. São vícios pesados extremamente condenáveis do sistema político brasileiro e dessa impunidade que prevaleceu, em que as pessoas nunca são condenadas." Disse o governador. "Você não pode comprometer o partido inteiro por um cisma. [...] Você não compromete a floresta por uma rama".

Minc rebate críticas

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) rebateu as críticas feitas a ele pelo governador do Paraná, Roberto Requião, em entrevista exclusiva ao UOL Notícias. "Vou continuar dançando em cima de caminhão em todas as manifestações libertárias contra todos os preconceitos, inclusive os expressos pelos governantes", afirmou o ministro através de sua assessoria


Homossexualismo e Carlos Minc
Requião fez, no dia 27 de outubro, a seguinte declaração ao comentar sobre as campanhas contra câncer de mama: "A ação do governo não é só em defesa do interesse público, é da saúde da mulher. Embora hoje câncer de mama seja uma doença masculina também, né? Deve ser consequência dessas paradas gay".

Requião argumenta que suas declarações não foram homofóbicas. "Eu quis dizer que a liberação sexual está levando a uma extravasão [extravasamento] dos gays e essa extravasão [extravasamento] está levando ao uso de implantes de silicone e ao uso de hormônios femininos. E como nós, os homens, também temos mama, cujo desenvolvimento é sustado em determinado momento de nossa vida, somos suscetíveis também", diz o governador.

"Houve a pilantragem de políticos mal intencionados, de uma imprensa sensacionalista querendo me atingir e vender jornal. Isso culminou com o ministro espetáculo me chamando à atenção quando dançava em cima de um caminhão, em uma passeata gay no Rio de Janeiro".

O governador se referia ao ministro Carlos Minc (Meio Ambiente). Na abertura da Parada Gay do Rio de Janeiro, no dia 1º de novembro, o ministro criticou Requião.

"Quero mandar um recado para o governador do Paraná. Senhor governador, preconceito é que dá câncer. Faz mal à saúde e pode matar", disse Minc.

Sobre as criticas de Minc, Requião afirmou: "No momento em que foi me criticar rebolando em cima de um caminhão no Rio de Janeiro, não se comportou como ministro da República [...] Eu quero recomendar inclusive ao ministro: não faça implante de silicone e não use hormônios femininos."

A pedido do UOL Notícias, o ministro respondeu às declarações do governador. "Vou continuar dançando em cima de caminhão em todas as manifestações libertárias contra todos os preconceitos, inclusive os expressos pelos governantes", disse o ministro (veja a resposta completa de Carlos Minc ao governador aqui).

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    -1,05
    4,033
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,15
    107.543,59
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host