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08/12/2009 - 13h59

Kassab gasta mais com propaganda que com chuvas, critica líder do PT

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Atualizado às 16h10

Os alagamentos que resultaram das fortes chuvas na capital paulista nesta terça-feira (8) são fruto de "gestão de improviso" e "prioridade para propaganda", disse o líder do PT na Câmara dos Vereadores, João Antonio. Para ele, o governo do Estado também tem responsabilidade no problema na Marginal Tietê por conta das obras viárias que, ao mesmo tempo em que devem melhorar o trânsito na região, diminuem a vazão do rio ao lado.

"Esta é uma gestão que vai levando conforme a realidade se impõe. São dez dias disso e vamos fortalecer nossa campanha de denúncia desses problemas", afirmou o petista ao UOL Notícias. "Toda chuva é culpa da natureza para o prefeito. Mas é fácil culpar a natureza e ao mesmo tempo não investir em obras estratégicas. É isso que acontece quando você gasta cinco vezes mais com publicidade do que com gerenciamento de áreas de risco."

A Comissão de Finanças da Câmara permitiu à Prefeitura paulistana gastos no valor de R$ 126 milhões com publicidade. A cifra é recorde para o setor em um ano de eleições presidenciais. A reforma de corredores de ônibus, outro setor que Kassab anunciou como prioritário durante sua campanha, será de R$ 20 milhões. A tarifa de transporte será reajustada em 2010. O PT tem 11 vereadores na Câmara, composta por 55 parlamentares.

Pelo menos treze pessoas morreram na Grande São Paulo por conta das chuvas que caem desde quinta-feira. Durante esta madrugada, três crianças morreram soterradas em áreas de risco na zona leste da cidade. Em entrevista coletiva, Kassab afirmou que a cidade é constantemente monitorada e que quase 20 mil pessoas que vivem nessas regiões arriscadas estão sendo atendidas para trocarem de moradia.

"Isso não basta. A questão é que as prioridades no governo estão invertidas. Tanto é assim que áreas que nunca alagaram agora estão inundadas. Vivo no Itaim Paulista, na zona leste, tenho 49 anos e nunca vi a região de União de Vila Nova, na área de São Miguel Paulista, ser inundada. Hoje inundou", disse.

"Enquanto isso o prefeito quer aumentar o IPTU. Para quê? Para investir mais em propaganda? Nós precisamos discutir um orçamento que se volte para essas soluções estratégicas e não é isso que ocorre", completou.

Além de os investimentos em áreas de risco ser menor que o em propaganda, a Prefeitura de São Paulo gastou neste ano menos de 8% da verba prevista no Orçamento para a construção de reservatórios e piscinões no município.

O petista diz que na região do corrego Aricanduva - foco de grandes enchentes nas últimas décadas - Marta construiu cinco piscinões e Kassab apenas concluiu outros dois que já estavam em obras. "Ali o problema foi mais bem equacionado por causa de investimento antigo, mas não adianta sentar em cima. Daqui dez anos pode voltar e a Prefeitura atual não pode achar que o problema não retornará mesmo sem investimento", disse.

Obras na Marginal
O líder do PT também atribuiu os alagamentos em São Paulo - que por volta das 13h passavam de 70 pontos em toda a cidade - às obras de ampliação das vias da Marginal Tietê, que acabou alagada.

"Foi uma obra mal planejada do governo do Estado desde a gestão Mario Covas. A gestão José Serra vem para comprovar: é o terceiro alagamento da Marginal depois da conclusão da obra. São gastos de R$ 3,5 bilhões de reais e nenhum resultado positivo. Estão impermeabilizando o solo ainda mais com essa nova obra, na contramão de tudo que estão fazendo no mundo", criticou.

João Antonio afirmou que os alagamentos desta terça-feira "são muito mais espalhados e graves" do que os existentes durante a gestão de Marta Suplicy e que Kassab, ao contrário da petista, deixou de dar autonomia às subprefeituras para cuidar de áreas de risco.

"No último ano da nossa gestão as subprefeituras tinham R$ 100 milhões para gastar. Hoje elas têm R$ 20 milhões, a Prefeitura resolveu centralizar tudo. Esse modelo não serve para lidar com problemas como chuva", afirmou.

Outro oposicionista, Eliseu Gabriel (PSB), afirmou que "o fenômeno da chuva já é conhecido e a cidade continua tendo desenvolvimento que não prioriza permeabilização do solo", em uma referência ao problema das Marginais.

"É preciso que a cidade de São Paulo desenvolva um plano metropolitano de combate às enchentes e à erosão do solo. Esse plano tem que ir além da construção de piscinões. É necessário um controle das construções que acabam despejando terra e entulho indiscriminadamente, o que depois entope córregos e galerias. E tudo isso tem que vir somado à atitude da população", afirmou.

A reportagem do UOL Notícias procurou o vereador Milton Leite (DEM), relator do Orçamento. Ele ainda não atendeu aos pedidos de entrevista.

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