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10/12/2009 - 17h25

"Não disputarei a eleição do próximo ano", diz Arruda ao anunciar desfiliação do DEM

Claudia Andrade*
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizada às 17h50

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), fez um pronunciamento na tarde desta quinta-feira (10) confirmando seu desligamento do partido, como foi adiantado na tarde de hoje. Ele anunciou que, com a decisão, evita uma disputa judicial contra a legenda, que julgaria um processo disciplinar contra o governador nesta sexta-feira, e que evita também um "constrangimento dos amigos".

"Tomo a difícil decisão de deixar a vida partidária, desligando-me neste momento do partido democrata. Não disputarei a eleição do próximo ano. Quero dedicar-me inteiramente à tarefa de cumprir, como governador, todos os compromissos e metas assumidos no programa de governo."

"Com isso, evito uma discussão judicial de mérito para permanecer na legenda. Evito também o constrangimento dos meus amigos, que lamentam o surgimento de tais suspeições porque reconhecem uma gestão que está deixando uma brasília melhor", acrescentou o governador.

Arruda defendeu também uma "ampla reforma política" no país. "Com as atuais regras eleitorais não disputarei nenhuma eleição. O Brasil precisa de uma ampla, profunda reforma política."

Arruda tinha até hoje para entregar sua defesa no processo interno que decidiria sobre sua expulsão da legenda, após denúncias de um esquema de pagamento de propina no DF.

O governador voltou a negar as acusações, atribuindo-as a interesses eleitorais. "Nas últimas semanas fomos submetidos a um triste espetáculo de cenas e imagens montadas com óbvias motivações políticas", disse. "A farsa montada foi o recurso usado pelos meus adversários para me tirar da disputa de 2010. Tudo porque as pesquisas eleitorais me davam ampla vantagem."

Arruda também citou obras de seu governo, acrescentando que "não poderia permitir que essas conquistas fossem postas a perder". Ele garantiu que as "mais de 2.000 obras" que estão em andamento serão concluídas.

"Para enfrentar esses desafios e garantir a conclusão de todas as obras, tomo a difícil decisão de deixar a vida partidária, desligando-me, neste momento, do Partido Democratas." "Quero, agora, me dedicas às questões administrativas do governo, livre para fazer minhas opções", finalizou.

Arruda leu o pronunciamento acompanhado do vice-governador Paulo Octávio e de vários secretários. Os jornalistas foram impedidos de fazer perguntas após o anúncio.

Alberto Fraga, secretário de Transportes, falou com a imprensa e disse que o governador "foi aconselhado" a tomar a decisão de sair do partido. "O governador não precisa passar por esse tipo de constrangimento", disse, referindo-se à possibilidade de expulsão do partido.

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Desgaste
Ao pedir o desligamento, Arruda tenta diminuir seu desgaste político diante de uma expulsão. Segundo interlocutores de Arruda, o governador ouviu dos advogados que poderia disputar as eleições tanto se for expulso quanto se pedir desfiliação. Os advogados sustentam que há brechas na lei para Arruda encontrar um novo partido e, assim, disputar uma nova eleição no ano que vem. Para sair candidato, ele só precisaria evitar o impeachment e se manter no governo do Distrito Federal.

Nesta quinta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o pedido de liminar feito pelo governador, que pedia a suspensão do processo interno do DEM. No pedido, Arruda alegou que faltou prazo para apresentar sua defesa. Em sua decisão, a ministra Cármen Lúcia entendeu que tratar-se de assunto exclusivo "da organização interna dos partidos".

A reunião da Executiva Nacional do DEM estava marcada para amanhã e integrantes do partido já sinalizavam que a expulsão seria certa. Na última terça-feira (1º), o partido deu oito dias para o governador apresentar sua defesa.

"Recebemos por parte do governador a desfiliação, isso torna desnecessária a reunião de amanhã, que seria muito dura para todos. Ele sabia que o resultado da votação de amanhã seria desfavorável a ele", disse o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ).

"Com ele fora, acaba o processo de expulsão. Se fosse expulso do partido, poderia tentar uma batalha para ser candidato. Mas, se desfiliando, acaba. Está morta a situação dele porque é um gesto de vontade própria", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) antes do anúncio oficial.

Independentemente de sua desfiliação, o governador terá de responder pelo seu cargo em outras esferas. Além da investigação feita pela Polícia Federal, já há três pedidos de impeachment do governador na Câmara Legislativa do DF.

Paulo Octávio
A expulsão do vice-governador Paulo Octavio, também do DEM, não está em jogo. No inquérito, Octávio é citado pelo ex-secretário das Relações Institucionais, Durval Barbosa, como beneficiário da partilha das propinas pagas por empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal. O vice-governador, porém, não aparece nos vídeos do escândalo divulgados até o momento.

Caso seja poupado, Paulo Octávio pode ganhar mais força dentro do partido e ser o candidato da legenda ao governo nas eleições de 2010. Presidente regional do DEM, o vice-governador é empresário do ramo da construção civil e um dos homens mais ricos do Distrito Federal -em 2006, declarou a posse de R$ 323 milhões à Justiça Eleitoral.

Além de Arruda e Paulo Octávio, ao menos dez deputados (dois deles suplentes) e três secretários do Distrito Federal são suspeitos de participar de um esquema de pagamento de propinas no governo do DF investigado pela Polícia Federal na operação Caixa de Pandora.

O processo interno do DEM foi aberto após a divulgação de imagens que mostravam o governador recebendo um maço de dinheiro de Durval Barbosa.





*Com informações de Piero Locatelli, da Folha Online e da Agência Brasil

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