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17/12/2009 - 17h10

No Senado, tucanos e democratas lançam "chapa pura" Serra-Aécio

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizada às 18h19

E agora, como fica a sucessão presidencial?

O anúncio da desistência de Aécio Neves da candidatura ao Palácio do Planalto no ano que vem abre espaço para a composição de uma "chapa pura" do PSDB, tendo Aécio como vice de José Serra, atual governador de São Paulo. A ideia é vista com bons olhos pelas lideranças da oposição no Senado.

O líder tucano, Arthur Virgílio (AM), afirmou que uma chapa formada pelos dois fortaleceria a candidatura do PSDB. "Ele fez isso em nome da unidade. Entendeu que o projeto do PSDB poderia se desidratar com a rivalidade.

Vice indefinido

  • Lula Marques/Folha Imagem - 23.abr.2008

    José Serra (esq.) e Aécio Neves disputavam a candidatura à Presidência da República do PSDB

Ele revelou uma enorme capacidade de agregar e isso se traduz em votos também. E mostrou esforço para manter a unidade, reconhecendo que há uma tendência nas urnas para Serra e se dispondo a trabalhar por isso e talvez até abrindo espaço para uma composição que una os dois, tornando uma chapa praticamente imbatível", disse o senador.

Virgílio destaca o crescimento da popularidade de Aécio como fator importante para seu papel na possível candidatura "puro sangue" tucana. "O Aécio cresceu muito na população. Isso faz dele um parceiro privilegiado nessa candidatura que se desenha que é do governador José Serra. Faria dele um vice-presidente e, com certeza, faria do Serra presidente", afirmou.

O líder do DEM, José Agripino (RN), também apoia a possibilidade de uma chapa única. "Se ele concordar em ser candidato a vice-presidente, na minha opinião, o partido deveria concordar. Essa é uma decisão que compete a ele, mas, na medida em que ele concordasse em compor uma chapa com o governador Serra, as chances de vitória da oposição seriam exponenciais", avalia.

"Lamenta-se que ele tenha desistido, mas temos a certeza que a confluência entre ele e Serra, assim como Democratas e Tucanos e o PPS vai fazer com que o escolhido tenha todas as condições de ganhar a eleição".

Não podemos ser reféns do tempo, diz Aécio ao desistir de concorrer à Presidência

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), desistiu de tentar a indicação do partido para concorrer à Presidência da República em 2010. O anúncio foi feito pelo governador, por meio de uma nota à imprensa, na tarde desta quinta-feira (17) em Belo Horizonte.

Para Virgílio, "o grande articulador" da campanha presidencial do partido deve ser o governador de Minas. "A capacidade de articulação política de Aécio tem que servir para a nossa campanha presidencial. Ele tem que ser, a meu ver, talvez o maior articulador da candidatura do PSDB."

O líder tucano disse que, em conversa com Aécio antes do anúncio da decisão, disse a ele que "só não valeria perder a eleição". "E ele disse: 'É, não vale, não podemos perder essa eleição'. Ele está muito imbuído na responsabilidade de que, do 'lulismo', a melhor coisa é o Lula. Nós não podemos cometer o gesto de facilitar o que pode ser uma aventura de transtornos imprevisíveis para o Brasil que seria o lulismo sem o Lula".

PT
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP) considerou a desistência de Aécio "uma novidade esperada". "A única dúvida era quando isso ocorreria".

Sobre a possibilidade de chapa única, Mercadante disse que o PT "não teme absolutamente, nem chapa puro sangue nem sanduíche". "Nós temos um governo para apresentar ao Brasil, um presidente que tem 83% de apoio popular, um governo que tem a maior popularidade da história", justificou.

Em sua avaliação, a saída de Aécio "abre um espaço muito grande para nós em Minas Gerais, principalmente porque nossa candidata é mineira", disse, referindo-se à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). "Temos o José Alencar, o Hélio Costa, o Patrus Ananias, Fernando Pimentel. Abre um espaço muito grande para o nosso projeto nacional em Minas".

Para Mercadante, a provável definição de Serra como candidato tucano permitirá uma comparação entre os governos Lula e Fernando Henrique Cardoso. "O fator decisivo nessa eleição será a comparação do governo Fernando Henrique com o governo Lula, o que eles fizeram no país e o que nós fizemos. Estamos preparados para mostrar que fizemos muito mais e melhor em todas as áreas. Vamos apresentar uma candidata que tem história e que esteve à frente da coordenação dessas políticas que fizeram o Brasil voltar a crescer, distribuir renda e voltar a ter prestígio internacional".

O peemedebista Pedro Simon (RS) considerou a decisão de Aécio "corajosa". "Acho que isso começou no momento em que o PSDB começou a fazer pesquisas com ele como vice, sem te-lo consultado. Ali começou a esfriar", afirmou. "Acho que agora não resta outro caminho senão o PSDB reconhecer a candidatura do Serra e seguir seu caminho".

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