Tensão entre manifestantes marca início de viagem de Lula no RS

Bernardo Barbosa

Do UOL, em Bagé (RS)

  • Bernardo Barbosa/UOL

    Manifestantes protestam em Bagé (RS) contra a passagem de Lula

    Manifestantes protestam em Bagé (RS) contra a passagem de Lula

Dois atos em Bagé (RS) simbolizaram na manhã desta segunda-feira (19) a polarização política do país. Em ambas, por motivações diferentes, o protagonista é o mesmo: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que inicia na cidade gaúcha uma viagem de 10 dias pela região Sul.

Grupos de militantes a favor e contra Lula quase ensaiaram um confronto em frente à Unipampa (Universidade Federal do Pampa), primeira parada da viagem do ex-presidente. A Brigada Militar manteve os grupos separados. O petista chegou à Unipampa às 11h10, escoltado por policiais em carros e helicóptero.

Na porta da universidade, criada no governo Lula, dezenas de petistas com bandeiras do partido se juntavam para receber o ex-presidente. Bandeiras do PDT e do PCdoB também apareceram. No trio elétrico parado na frente do campus, uma faixa diz "Lula, Bagé está orgulhosa de te receber!".

Polícia separa manifestantes pró e contra Lula em Bagé

Alguns metros atrás, na outra manifestação, um boneco de Lula vestido de presidiário foi posto em uma cela içada por um guindaste. Abaixo dele, tratores simbolizam a oposição de produtores rurais locais à visita do ex-presidente. Em vários dos veículos, há adesivos em apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto para presidente --atrás apenas de Lula. No caminho para a Unipampa, um outdoor com o símbolo da Associação Rural de Bagé diz: "Bagé não, Lula ladrão".

"Aqui não tem ninguém recebendo diária", afirmou um participante do ato contra o petista em uma caçamba de caminhão transformada em palco.

Do outro lado, no trio elétrico, o deputado federal Bohn Gass (PT-RS) buscava minimizar a oposição. "Isso aí não é Bagé. Isso é um pequeno grupo", afirmou. "Um país que tem Aécio solto, Temer presidente e Lula perseguido é um país doente."

Enquanto o ato petista tocava música gaúcha ao vivo com temática política ("Só sai reforma agrária/com aliança camponesa e operária", diz uma das letras), do outro lado uma versão do Hino Nacional em ritmo de axé, muito ouvida em manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, toca repetidamente.

Em um raro momento de silêncio, o espaço descampado entre um protesto e outro permite ouvir o que diz o outro lado. O vazamento de gritos de "Lula ladrão" causou certo espanto em militantes petistas.

Bernardo Barbosa/UOL
Manifestantes fazem ato pró-Lula, bem em frente à entrada do campus da Unipampa, no RS
Prisão pode ocorrer durante caravana

O roteiro de Lula no Sul prioriza agendas ligadas a pautas como ensino superior, agricultura familiar e reforma agrária, mas acontece sob a possibilidade de que o ex-presidente tenha sua prisão ordenada em plena viagem.

Isso porque a 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal), em Porto Alegre, pode julgar o último recurso que, em tese, esgota a segunda instância para Lula. Petistas têm trabalhado com a possibilidade de que o julgamento ocorra no dia 26, quando o ex-presidente estará em Foz do Iguaçu, mas o TRF-4 ainda não confirmou em que sessão o caso será avaliado.

Após esta análise, ele pode ter o início do cumprimento de uma pena de 12 anos e um mês ordenado. Caberá ao juiz Sergio Moro, da Justiça Federal em Curitiba, expedir o mandado de prisão. Lula ainda poderá recorrer da condenação ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Enquanto Lula viaja, seus advogados tentam evitar sua prisão do com recursos no STF. Para a defesa do ex-presidente, o entendimento do Supremo que permite a prisão após a condenação em segunda instância desrespeita o princípio constitucional da presunção de inocência.

Até agora, dois pedidos foram negados em caráter liminar (temporário) pelo ministro Edson Fachin e remetidos ao plenário, mas não há data para que sejam julgados. A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, é responsável pela pauta da Corte, mas já disse que julgar novamente a questão da prisão após a segunda instância seria "apequenar" o tribunal.

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