Embate entre manifestantes marca 2º dia de Lula no Sul; homem fica ferido

Bernardo Barbosa

Do UOL, em Santa Maria (RS)

Pelo segundo dia consecutivo, a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela região Sul foi marcada por manifestações contra e a favor do petista. Nesta terça-feira (20), o palco do embate --que por vezes chegou a ser físico-- foi o campus da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no Rio Grande do Sul.

Todo o conflito aconteceu nos arredores do prédio da Reitoria da UFSM, onde Lula se reunia, naquele momento, com reitores e diretores. Por volta de 14h40, um trio elétrico de manifestantes contrários à presença do ex-presidente foi obrigado a recuar devido à pressão da militância favorável ao petista. Garrafas de plástico foram atiradas em direção ao veículo, e militantes tentaram intimidar o motorista batendo na lataria do caminhão.

Pouco depois, um grupo de dezenas de pessoas contrárias ao ex-presidente se encaminhou para o prédio da Reitoria, onde militantes pró-Lula já se reuniam, e a tensão se acirrou. Foi possível ver manifestantes trocando empurrões.

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O Hospital Universitário do campus atendeu pelo menos um manifestante ferido. Às 17h20, o hospital informou que se trata de um homem de meia-idade, servidor da universidade, e que está em situação estável. Ele teve um corte na cabeça que já foi suturado. Os dados do ferido não foram divulgados.

Policiais do Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar chegaram ao prédio da Reitoria por volta das 15h35, cerca de uma hora após o início da confusão, munidos de escudos, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Policiais da cavalaria também fizeram o patrulhamento.

Os oficiais foram recebidos com aplausos pelos manifestantes contrários a Lula.

Após os atritos por vezes violentos, e devido à proximidade dos manifestantes de lados opostos, representantes das duas partes negociaram junto à Brigada Militar a abertura de um corredor no qual os policiais a cavalo se posicionaram para separar os grupos. Militantes pró-Lula fizeram um cordão humano em torno do prédio em que o presidente estava. Lula deixou a universidade às 16h25. Hoje à noite, ele participa de ato público ainda em Santa Maria.

Segundo o tenente-coronel Erivelto Hernandes Rodrigues, do 1º Regimento de Polícia Montada, a Brigada Militar já havia sido avisada pela Reitoria da UFSM hoje pela manhã sobre o risco de conflitos no campus e já havia colocado policiais no entorno do campus para agir caso necessário. Ele explicou, porém, que os oficiais só poderiam entrar na faculdade caso houvesse um pedido formal, o que ocorreu quando manifestantes de ambos os lados solicitaram a presença da BM.

Hernandes disse ter ficado sabendo do manifestante ferido por meio da imprensa, e considerou "positivo" o fato de haver apenas uma pessoa ferida dado o ambiente de conflito.

Em discurso na UFSM, o ex-presidente voltou a defender a classe política e a criticar os veículos de comunicação, que estariam fomentando o ódio à política.

"Quanto mais a gente negar a política, quanto mais a gente disser que político não presta, difamar um político, mais chance de a gente ver surgir um Hitler, um Mussolini. Porque essas figuras só aparecem quando a política não dá solução aos problemas que a sociedade vive", disse.

Negar política abre espaço para um Hitler, diz Lula

Caravana sob protestos

Lula iniciou na segunda-feira (19) uma viagem de 10 dias pelo Sul. Logo na primeira parada, em Bagé (RS), o ex-presidente também enfrentou protestos. Ruralistas e comerciantes locais chegaram a colocar um boneco de Lula vestido de presidiário dentro de uma cela, que foi içada por um guindaste a poucos metros da entrada da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), onde o petista discursou. Assim como em Santa Maria, a Brigada Militar manteve os grupos pró e contra Lula separados por poucos metros.

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