Alckmin apresenta equipe e meta de zerar déficit público em até dois anos

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Marivaldo Oliveira/Código19/Estadão Conteúdo

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, apresentou a equipe de campanha e metas de seu programa inicial de governo à cúpula executiva do partido em reunião em Brasília nesta quarta-feira (9). Este foi o primeiro encontro geral da campanha ao Palácio do Planalto.

Entre os objetivos estão o de zerar o déficit público em até dois anos e dobrar a renda do brasileiro. O último não será alcançado em seu eventual mandato, disse Alckmin, mas ressaltou que o programa formará condições para tanto.

"Dobrar a renda, óbvio que não será no mandato. Zerar o déficit, imagine, não pode gastar nem meio mandato. Tem de ser muito mais rápido", declarou. Um mandato presidencial regular tem duração de quatro anos.

De acordo com o ex-governador de São Paulo, se eleito, buscará "destravar" a economia e a burocracia a fim de um crescimento forte do PIB (Produto Interno Bruto) sustentável. Uma das maneiras, falou, é investindo em educação básica e aumentando a pontuação do Brasil no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Em 2015, última edição do exame, o Brasil ficou nas últimas 12 colocações entre 70 países.

Nas últimas semanas, políticos do PSDB, como Aécio Neves e Eduardo Azeredo, voltaram ao noticiário devido a suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção. Indagado como o marketing fará para enfrentar a rejeição ao partido e se blindar dessas questões, respondeu que se deve "sempre falar a verdade".

"Sempre. Eu sou do interior e aprendi que é olhar nos olhos das pessoas. A solução é pelo trabalho. Não tem muito segredo. A política é que comanda o marketing. Eu acho que sim [vai convencer as pessoas cansadas da política]. A população, até pelo sofrimento, vai refletir, comparar, refletir para depois decidir o voto", afirmou.

Questionado se está disposto a defender o governo do presidente Michel Temer (MDB), Alckmin não deu garantias e descartou uma aliança imediata. Ele, inclusive, criticou a atitude do presidente em puxar para si a responsabilidade da aprovação de reformas.

"Não, isso [a defesa do legado] não está em discussão. As reformas não são...há uma personificação muito grande. São questões de Estado. Eu defendo a reforma tributária. Aliás, desde a época do [ex-governador de SP] Mário Covas", declarou, ao então explicar como pensa as mudanças nos tributos brasileiros. Uma delas é a implementação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), igual ao proposto pela atual gestão emedebista.

Por sua vez, o ex-prefeito de São Paulo e candidato ao governo do Estado, João Doria, afirmou não ver "nenhum problema" em se defender a política econômica implantada pelo ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

"Ela é boa, positiva, ajudou o Brasil, estancou a inflação, melhorou os índices do país, apresentou crescimento econômico, foi responsável fiscalmente. Nenhum problema de fazer a defesa de uma política econômica feita no governo Temer, no governo do MDB", declarou.

Alguns integrantes da equipe de campanha de Alckmin são Pérsio Arida (economia), Tasso Jereissati (programa de governo), Cristovam Buarque (educação), Lula Guimarães (marketing) e Luiz Felipe D'Ávila (comunicação).

Arida, Guimarães e D'Ávila falaram de propostas em suas respectivas áreas e o esboço do programa de governo. Por exemplo, Arida demonstrou como que, "com muito esforço", seria possível zerar o déficit público em dois anos, consideradas variáveis políticas e econômicas, e deu uma explanação sobre o cenário macroeconômico brasileiro. Ele também mostrou como a educação pode ser um gatilho para aumentar a produtividade, renda e o emprego.

Para bancar a campanha deste ano, cujos recursos foram limitados pelas últimas reformas eleitorais, o PSDB pretende se voltar à arrecadação por meio de crowdfunding – espécie de vaquinha pela internet. Na reunião, exemplos bem-sucedidos foram apresentados, como o do ex-prefeito de São Paulo João Doria.

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