Marielle: Emocionado, Tarcísio diz que má condição da polícia impede avanço

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

O pré-candidato do PSOL ao governo do Rio de Janeiro, Tarcísio Motta, afirmou que o "sucateamento" da Polícia Civil prejudica a elucidação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em uma emboscada na região central da capital fluminense, em 14 de março.

Em sabatina promovida pelo UOL, Folha e SBT, na manhã desta terça-feira (12), Tarcísio também disse que a política de segurança no estado "é cega e burra porque aposta no confronto".

"No caso Marielle, a gente está vendo como o sucateamento da Polícia Civil é um dos impeditivos para que ela consiga avançar nas investigações", disse Motta ao defender mais investimentos em inteligência e prevenção do que em confrontos armados com criminosos.

"A não elucidação do crime da Marielle é um desespero para todos nós", afirmou ele, emocionado. O pré-candidato chegou a chorar durante a entrevista.

O caso Marielle completará três meses na quinta-feira (14). A polícia ainda não conseguiu identificar os autores e o possível mandante do crime, mas a principal linha de investigação aponta para o envolvimento de milicianos.

Tarcísio, que ocupa uma das 51 cadeiras do Parlamento municipal, era colega de Marielle na Câmara do Rio. Se estivesse viva, ela seria hoje a candidata a vice-governadora na chapa do PSOL, afirmou.

"Não há tema que mexa mais com a minha vida hoje do que a morte da Marielle", disse.

"A gente sabe porque ela morreu. Ela morreu porque defendia exatamente as mesmas pautas que a gente está defendendo", completou ele, em referência ao combate ao racismo, à homofobia e outras bandeiras ligadas à memória da vereadora.

Tarcísio declarou que não pretende fazer "uso eleitoreiro" da tragédia, mas que é necessário "transformar o luto em luta". "Essa é a força que ela nos dá."

Bruna Prado/Folhapress
Tarcísio chora ao falar do assassinato da amiga Marielle Franco

Segurança pública

Tarcísio sugeriu "mudar prioridades estratégicas", "investir em prevenção e inteligência" e "alterar o currículo de formação de servidores" para melhorar a segurança pública no Rio.

Questionado pelos entrevistadores sobre quais seriam suas ações de caráter mais emergencial, o pré-candidato declarou que, se eleito, a ideia é "não encarar as comunidades como inimigas" das forças policiais.

Tarcísio afirmou que, em cenários que envolvam tiroteios intensos e disputas entre grupos criminosos, seria inevitável não realizar operações policiais. Contudo, ele disse que "não vai ter helicóptero atirando de cima e caveirão atirando para todo lado".

"A lógica do confronto mata a população, mata o policial e não resolve o problema", disse.

O psolista alegou ainda que pretende romper com o acordo que instituiu, por meio de decreto do Executivo nacional, a intervenção federal na segurança pública fluminense. "Precisamos de cooperação, e não de intervenção."

Política

Motta afirmou que o PSOL se diferenciará de outros partidos na eleição para o governo do Rio porque não fará alianças pragmáticas para obter apoio ou ganhar tempo de TV.

"Não vamos fazer no período da eleição o que não queremos fazer na época do governo. Não faremos aliança no "toma lá dá cá" na eleição".

Ele disse também que essa será a estratégia durante seu eventual governo. Porém, não descartou receber apoio do pré-candidato Anthony Garotinho (PRP) em uma eventual aliança de esquerda no segundo turno – porém "sem subir em palanque e fazer acordo".

Confira a íntegra da sabatina com Tarcísio Motta

Sabatinas

Tarcísio foi o quinto sabatinado entre os pleiteantes à chefia do Executivo fluminense. Na semana passada, os pré-candidatos Rubem César Fernandes (PPS), Wilson Witzel (PSC) e Indio da Costa (PSD) participaram do evento. Nesta segunda-feira (11), foi a vez de Anthony Garotinho (PRP).

Na quarta (13), o entrevistado será Leonardo Giordano (PCdoB); na quinta (14), o pré-candidato do PT --ainda não foi definido se será Celso Amorim ou Marcia Tiburi-- e, na sexta, Pedro Fernandes (PDT).

Romário (Podemos) disse que só daria entrevistas quando fosse oficializada sua candidatura. Eduardo Paes (DEM) até o momento nega intenção de se candidatar e não aceitou o convite.

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