Pré-candidato, Datena se apresenta como novidade e critica segurança de SP

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

    O ex-prefeito João Doria (PSDB) posa com o apresentador Datena (DEM), que comporá chapa com o tucano

    O ex-prefeito João Doria (PSDB) posa com o apresentador Datena (DEM), que comporá chapa com o tucano

Críticas à segurança pública de São Paulo, estado governado há mais de duas décadas pelo PSDB, e a promessa de ser uma renovação na política marcaram nesta quinta-feira (28) a apresentação de José Luiz Datena (DEM) como pré-candidato paulista ao Senado. O apresentador foi anunciado na coligação que tem o ex-prefeito João Doria (PSDB) pré-candidato ao governo estadual.

A apresentação aconteceu em um hotel de luxo no Jardins, área nobre da capital paulista.

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Há décadas focado no noticiário policial, o apresentador se queixou do crime organizado no Brasil e avaliou que a facção paulista PCC (Primeiro Comando da Capital) "é a organização que mais cresce. "Isso significa que o sistema de segurança pública está falido em São Paulo e no Brasil", definiu.

A coligação em que o jornalista se lançou ao Senado tem entre os partidos, além de DEM e PSDB, também PSD, PTC e PRB — esta, sigla ligada à Igreja Universal, vinculada à TV Record. Recentemente, Datena teve de pagar uma multa à emissora para retornar à Band.

O apresentador, que se filiou ao DEM em abril passado, defendeu sua aproximação com os políticos — personagens que ele costuma criticar em seus programas — como forma de mudar a estrutura política.

Por outro lado, fez questão de ressalvar que é "princípio básico de um acordo aceitar a parte ruim".

Anunciado por Doria, o presidente do PRB, Marcos Pereira, ex-executivo da Record e ex-ministro de Temer, não compôs a mesa em que estavam representantes das outras siglas.

"Muitos dos caras que estão fazendo acordo comigo, para eles, sou a parte ruim do acordo. Tem cara que está participando desta coligação que me odeia. Aliás, que se explodam", disse Datena, sob gargalhadas gerais.

"Vocês podem ter um político de péssima qualidade, uma porcaria de político, mas vão ter um cara que vai ser uma coisa só: honesto com vocês", discursou.

Ao se apresentar como novidade no meio, o apresentador ainda mencionou o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, que se filiou este ano ao PSB, chegou a ser considerado em alguns cenários de intenção de voto, mas anunciou que não disputaria eleição.

"Ele era a esperança de uma renovação. Fiquei triste quando ele saiu da corrida, era um outsider", avaliou.

Indagado em entrevista coletiva sobre as críticas de Datena à segurança pública, Doria afirmou que o estado tem os melhores indicadores no setor, o que não desobriga o futuro governo de melhorias.

"Datena tem uma sinceridade tão grande quanto o números de votos que ele terá. Mas isso não significa avaliar mal", minimizou o tucano.

O pré-candidato pediu desculpas aos "colegas da imprensa" ao se recusar responder quaisquer perguntas —alegou falta de condições psicológicas e emocionais tendo em vista que um amigo próximo falecera hoje.

"Não adianta ficar aqui defendendo a figura que ele foi, o homem honrado e honesto que ele foi. Eu não queria estar aqui, estou a contragosto pra caramba", enfatizou, ressalvando que o fazia "primeiro pela minha família, e ele era da família, e pelo compromisso com o povo".

"Me comprometi com PSDB a não comentar pesquisa", diz Maia

Presente ao anúncio da pré-candidatura, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), lembrou da ocasião em que Datena telefonou a ele e sugeriu a própria filiação, em abril passado. "Achei que fosse trote", disse.

Pré-candidato à Presidência pelo DEM, Maia classificou o apresentador como "a renovação, a mudança, transformação política de que o país precisa". "Nesse processo, Datena será muito símbolo disto: o que a política pode fazer para se reinventar", concluiu.

Após a cerimônia, no entanto, a jornalistas, Maia negou que o reforço do partido à coligação de Dória represente uma tomada de decisão também no plano nacional. Além da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), setores do DEM cogitam aliança com o PDT de Ciro Gomes.

"Desde o início do ano temos dito que não íamos misturar eleições nacionais com as regionais, pois estas teriam uma dinâmica diferente", disse. "E também me comprometi com a bancada do PSDB a não comentar dinâmicas de pesquisa", afirmou.

Hoje, pesquisa Ibope trouxe Alckmin estagnado em 6% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Ciro (8%).

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