Bolsonaro admite privatizar Petrobras e desiste de STF com 21 ministros

Do UOL, em São Paulo

  • Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

    4.jul.2018 - Jair Bolsonaro (PSL-RJ) durante evento em Brasília

    4.jul.2018 - Jair Bolsonaro (PSL-RJ) durante evento em Brasília

Último entrevistado do programa Central das Eleições da GloboNews, depois de pedir para trocar a data de sua participação de quinta para esta sexta-feira (3) – embora tenha realizado uma sabatina própria em suas redes sociais no mesmo dia e horário –, o candidato ao PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, disse que pode privatizar a Petrobras e que desistiu da proposta de ampliar para 21 o número de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Ao ser perguntado sobre se manteria a subvenção do governo ao diesel, o candidato afirmou não ver muita solução para a alta do preço do combustível no Brasil e que a privatização da Petrobras poderia ser uma saída.

"Se não tiver uma solução, eu sugiro a privatização da Petrobras. Acaba com esse monopólio estatal. Esse é o recado que eu dou para o pessoal da Petrobras", afirmou, enfatizando que espera maior empenho da estatal para a redução do preço ao consumidor. "Internamente, eu não sou favorável. Entendo que a Petrobras é estratégica. Mas, se não tiver um acordo, você não vai ter outro caminho."

No caso de algumas estatais, ele disse ser mais viável a eliminação ante a privatização. "Extinguir, porque ninguém vai querer comprar", disse, dando como exemplo a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da qual faz parte a TV Brasil. "Gasta R$ 1 bilhão por ano. Tem que deixar de existir. Ninguém assiste", disse.

O candidato descartou, no entanto, que Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Correios possam vir a ser privatizados, por entendê-los como estrategicamente importantes para serem mantidos pelo governo. "Quem vai financiar, por exemplo, a produção rural? Meia dúzia de banqueiros vai tomar conta disso", disse, justificando sua resposta.

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Ao longo do primeiro bloco, os nove jornalistas presentes no programa enfatizaram questões sobre economia. Bolsonaro voltou a dizer que as principais decisões econômicas de um eventual governo seu caberão ao economista Paulo Guedes, que ele já disse que será seu ministro da Fazenda. "A gente só está querendo saber o que o senhor pensa de economia, porque está muito nebuloso", disse a jornalista e mediadora da sabatina, Miriam Leitão, diante das respostas menos claras do candidato.

Bastante cobrado sobre seus posicionamentos, Bolsonaro reclamou do grupo de entrevistadores e se disse alvo de uma "pegadinha", como ele, em sua sabatina própria do dia anterior, já havia antevisto que poderia acontecer – na ocasião ele afirmou que, se houvesse "pegadinha", partiria para o "vale-tudo".

Quando questionado sobre uma possível revisão dos impostos praticados hoje no Brasil, Bolsonaro disse que Paulo Guedes é quem tem se debruçado sobre o assunto e que ele não poderia adiantar nada no momento para não ser cobrado depois. Pressionado por mais detalhes, o candidato disse que os entrevistados tinham a pretensão de rotulá-lo. "Você tem 60 impostos lá, você quer que eu particularize? Eu não vou aceitar esse jogo de vocês", disse.

O deputado voltou a dizer que tem tratado Paulo Guedes como seu "Posto Ipiranga", deixando de detalhar suas propostas no campo econômico, por, segundo ele, considerar ser uma questão de humildade reconhecer que não é entendedor do assunto. "Se eu tenho do meu lado uma pessoa como Paulo Guedes, por que eu vou falar de economia?", disse. "Perto do Paulo Guedes, não entendo nada. Eu dirijo carro, por exemplo, mas, perto do Nelson Piquet, eu sou uma navalha", exemplificou, se dizendo bom sabedor das questões da Forças Armadas, já que é capitão da reserva do Exército. 

Também disse que não tem receio de vir a ficar sem Paulo Guedes, em meio a um possível mandato – seja no caso de uma demissão ou afastamento por qualquer motivo –, já que o economista não está sozinho e faz parte de uma equipe. Afirmou, porém, que não haverá razões para uma demissão, já que Guedes se propôs a trabalhar de acordo com o que ele acha ser importante para o país, como manter baixas inflação e taxa de juros. "Por que eu iria demiti-lo, se ele disse que vai cumprir a missão?"

O programa recuperou um vídeo de 2013 em que Guedes diz que, durante o regime militar, aumentou o grau de intervenção do governo e o número de empresas estatais. "O Brasil foi perdendo o rumo e foi sendo capturado por essa armadilha de baixo crescimento", conclui o economista no trecho da entrevista. Questionado pelo jornalista Merval Pereira se era a favor ou contra a visão estadista do período, Bolsonaro disse que não. "A gente muda, Merval. Eu tinha uma visão como essa. A gente evolui. Eu não quero ser presidente para lançar o Brasil numa aventura", disse.

STF e Lei do Feminicídio

Bolsonaro disse também que desistiu da proposta, semanas antes aventada, de ampliar para 21 o número de ministros do Supremo. Mesmo reiterando que a Corte "está deixando a desejar", com baixa credibilidade entre a população – em referência às solturas de presos da Lava Jato –, o candidato disse que "praticamente" desistiu da ideia de nomear mais componentes. Disse, porém, que não acha desejável que o STF legisle sobre causas que, no seu entendimento, cabem apenas ao Congresso, como no caso da descriminalização do aborto. "Essa questão do aborto, se for decidida um dia, que seja no parlamento."

O deputado federal também se posicionou contra a Lei do Feminicídio, argumentando que ela tem pouca eficácia. E voltou a defender que as mulheres possam andar armadas para se defender. Para ele, a solução é que haja pena de detenção de 30 anos para o crime de homicídio, não importando se contra homem ou mulher. "Matou sem motivo - porque tem legítima defesa também -, tem que puxar 30 anos de cadeia", disse.

Ele também disse que pouco se pode fazer contra a desigualdade salarial entre homens e mulheres, uma vez que não é possível interferir em decisões da empresa contratante. A afirmação foi em resposta a um questionamento dos entrevistadores sobre uma fala antiga que indicaria que a mulher ganha menos porque usufrui de licença maternidade. Fala que, segundo ele, não é sua opinião.

"Botaram na minha conta. Se fosse uma bandeira minha, tinha discursado na tribuna da Câmara", se defendeu. "Quem define é o patrão, quem decide o salário é o patrão. Por que botar na minha conta isso? Não disse, não é verdade. É uma realidade, mas não é meu pensamento", disse.

Vice-presidente

Bolsonaro disse que, na decisão sobre quem será o vice em sua chapa à Presidência, está entre a advogada Janaína Paschoal, autora do pedido que resultou no afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e Luiz Philippe de Orléans e Bragança, membro da família real brasileira. Janaína seria sua primeira opção, mas admitiu que, "nessa situação, não posso ter preferência".

"Estou conversando com a Janaina, ela apresenta alguns problemas familiares, ela tem dois filhos", disse.

Perguntado se teria ficado descontente com a fala crítica da advogada a seus seguidores durante a convenção que oficializou sua candidatura, Bolsonaro disse que não concordou em alguns pontos, mas que a respeita. "Não concordo que nós somos o PT ao contrário. Somos o contrário do PT", afirmou. "Ela é uma mulher de valor, que sofreu muito pela questão do impeachment. Ela está dentro da USP, da esquerda."

Donald Trump e Bolsa Famíla

No último de quatro blocos do programa do canal por assinatura, acionado a dar respostas curtas a perguntas pontuais, Bolsonaro disse não acreditar que a Rússia influenciou a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora a Casa Branca já tenha se pronunciado admitindo interferência. "Não acredito nessa hipótese. É uma pressão apenas sobre o Trump, logicamente por parte dos perdedores", disse. 

Questionado se manteria o programa social Bolsa Família, assegurou que sim. "Mantenho o Bolsa Família com responsabilidade. Tem muita gente que precisa. Seria um ato de desumanidade acabar com isso", afirmou.

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