Em pré-campanha, ex-ministros de Temer evitam nome do presidente nas redes

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília*

  • Beto Barata 31.ago.2016 /PR

    Segundo levantamento do UOL, pelo menos 17 ex-ministros de Temer são candidatos

    Segundo levantamento do UOL, pelo menos 17 ex-ministros de Temer são candidatos

Nas pré-campanhas para as eleições, os ex-ministros de Michel Temer (MDB) evitam citar o nome do presidente e não se vinculam diretamente à sua gestão nas redes sociais.

Segundo levantamento da reportagem no último mês, pelo menos 17 ex-ministros do governo do emedebista deverão disputar o pleito de outubro deste ano (veja tabela abaixo). A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto, um dia após a data-limite para o registro de todas as candidaturas junto à Justiça. Na prática, sem pedir votos de forma direta e seguindo as regras estipuladas pela legislação, os políticos já deram início à pré-campanha.

No entanto, menções ao atual presidente e fotos e vídeos em que ele aparece próximo aos ex-ministros são quase inexistentes. Estes costumam defender o trabalho realizado à frente das pastas como principal vitrine e até citam ex-colegas de Esplanada, mas menções ao antigo chefe são raras. No âmbito nacional, o MDB, com Henrique Meirelles na cabeça de chapa, se coligou apenas com o PHS. As alianças estaduais variam.

Parte dos ex-integrantes do governo saiu da administração federal por motivos variados, enquanto outra pediu para ser exonerada a fim de poder concorrer às eleições. O prazo para os ex-ministros se desincompatibilizarem das pastas era 7 de abril.

A maioria dos ex-ministros deverá se candidatar à Câmara dos Deputados – 11; 5 vão tentar o Senado e um deverá disputar o governo de um estado.

O ex-ministro da Fazenda e candidato à Presidência pelo MDB foi um dos últimos a serem exonerados. Nas redes sociais, Meirelles chega a dizer que "o mundo não se divide entre quem gosta do Lula e quem não gosta. Entre quem gosta do Temer e quem não gosta. O mundo, pra mim, se divide entre quem trabalha quando o país precisa e quem não trabalha!".

Ele também chama para si a responsabilidade pelo crescimento da economia por oito anos quando presidente do Banco Central no mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – preso, mas que tenta conseguir autorização do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para concorrer.

O ex-ministro da Saúde Ricardo Barros (PP-PR) cita recorrentemente as ações à frente da pasta e escolheu a área como uma de suas principais bandeiras. No entanto, não há menção a Michel Temer.

O ex-titular do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV-MA), cujo pai, o ex-presidente da República José Sarney (MDB), faz parte do círculo íntimo de conselheiros de Temer, também não busca se vincular à imagem do presidente. O mesmo acontece com os emedebistas e ex-ministros da Integração Nacional, Helder Barbalho (MDB-PA), e do Desenvolvimento Social, Osmar Terra (MDB-RS).

Pedro Ladeira 10.out.2016 /Folhapress
Os então ministros Fernando Bezerra Filho (DEM-PE, à esq.), e Bruno Araújo (PSDB-PE) concorrem nas eleições deste ano

Do MDB, apenas o ex-ministro do Esporte, Leonardo Picciani (RJ), parece estar mais disposto a defender em público ao menos Henrique Meirelles, com postagens a favor do goiano. Quanto a Temer, há fotos do presidente em postagens com links de reportagens.

Antonio Imbassahy (PSDB-BA), que foi da Secretaria de Governo e um dos últimos tucanos a permanecer apoiando o governo, exalta o fim do imposto sindical em postagem de 21 de julho. A medida está entre os efeitos da reforma trabalhista promovida pelo Planalto enquanto articulador político de Temer. Contudo, Imbassahy preferiu se limitar a dizer que trabalhou no "Congresso Nacional para que essa vitória fosse alcançada e não deve ser objeto de nenhuma negociação".

O ex-ministro da Cultura e presidente do PPS, Roberto Freire, é um crítico constante de Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro (PSL). Mesmo assim, não costuma defender Temer nem a candidatura de Henrique Meirelles nas redes. Pelo contrário, posta fotos a favor de Geraldo Alckmin, do PSDB, com quem o PPS se coligou.

Embora não tivesse status de ministro, o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Rabello de Castro (PSC), disputará essas eleições como candidato a vice-presidente da República na chapa de Alvaro Dias (Podemos).

Impopularidade de Temer é recorde

Um fator que pode ajudar a explicar essa resistência dos candidatos é a impopularidade do governo Michel Temer. De acordo com pesquisa Ibope de 28 de junho, 79% dos entrevistados classificaram a atual gestão como ruim ou péssima. Este é o pior percentual de avaliação do governo de um presidente desde que teve início a série histórica do Ibope, em 1986, no governo José Sarney.

Entre os entrevistados, 4% avaliaram o governo Temer como ótimo ou bom, 16% como regular e 1% disseram não saber ou não responderam. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Na última pesquisa desse tipo feita pelo Ibope, divulgada em abril, o governo Temer foi avaliado como ruim ou péssimo por 72% dos entrevistados, ótimo ou bom por 5% e regular por 21%.

Outros 10 ministros não vão às urnas

Pelo menos dez antigos integrantes do ministério do governo Temer não deverão estar nas urnas em outubro. Um deles está preso, um ficou pouco mais de um ano na cadeia e outro virou ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ministro da Justiça nos primeiros noves meses da gestão, Alexandre de Moraes (ex-PSDB) foi indicado por Temer para assumir uma das cadeiras da mais alta corte do país em fevereiro do ano passado.

O ex-presidente da Câmara e ex-ministro Henrique Eduardo Alves (MDB) foi preso em junho de 2017 em operação que apurava pagamento de suborno relativa à obra da Arena das Dunas, um dos estádios da Copa do Mundo de 2014. Alves foi libertado há pouco mais de três semanas.

Já o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), que ocupou a Secretaria de Governo entre maio e novembro de 2016, está preso há quase um ano. Ele foi detido, pela segunda vez, depois que a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 51 milhões em espécie em um apartamento em Salvador. Investigações ligaram Geddel à quantia.

Outro ex-ministro que enfrenta problemas na Justiça é Helton Yomura (PTB), afastado do Ministério do Trabalho em julho pelo STF. Em seguida, pediu demissão. Segundo o ministro do STF Edson Fachin, Yomura usava o cargo para viabilizar a atuação da organização criminosa que atuava dentro da pasta com crimes relacionados à concessão de registro sindical.

Dyogo Oliveira foi ministro do Planejamento entre maio de 2016 e abril deste ano, quando assumiu a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Os demais ex-titulares que não devem disputar o pleito deste ano são Fábio Medina Osório (Advocacia-Geral da União), João Batista (Cultura), Luislinda Valois (Direitos Humanos), Fabiano Silveira (Fiscalização, Transparência e Controladoria-Geral da União) e Joaquim Oliveira (Secretaria-Geral). (Colaborou Gustavo Maia, de Brasília)

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