Após negar ser vice de Bolsonaro, Janaina se candidata a deputada estadual

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Marcos Oliveira/Agência Senado

A advogada Janaina Paschoal anunciou nesta terça-feira (14) que é candidata a deputada estadual. Filiada ao PSL de São Paulo, ela recusou no início do mês o convite do deputado federal Jair Bolsonaro para ser vice em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto.

O anúncio foi feito no perfil de Janaina no Twitter. Na mensagem, ela diz aos mais de 186 mil seguidores, a quem chama de "amados", que falará "mais detidamente" sobre a decisão e seus planos depois desta quinta-feira (16), data que marca o início oficial da campanha das eleições desse ano.

Até as 21h30 desta terça, penúltimo dia do prazo para o registro das candidaturas em 2018, a ficha de Janaina ainda não estava disponível no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A advogada se filiou ao Partido Social Liberal no último dia do prazo para que pudesse concorrer a qualquer cargo nas eleições desse ano, em abril. Janaina Conceição Paschoal, 44, ficou nacionalmente conhecida como autora do pedido que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

A peça foi assinada por ela e pelos juristas Hélio Bicudo --morto há duas semanas, aos 96 anos-- e Miguel Reale Júnior, mas Janaina protagonizou a acusação.

Professora de direito penal da USP (Universidade de São Paulo), ela fez questão de participar de quase todas as sessões do impeachment no Congresso, em Brasília, apesar de morar na capital paulista, onde mantém um escritório de advocacia com duas irmãs.

Em maio, ela usou a mesma conta no Twitter para informar que havia se filiado ao PSL e disse ser "provável" que não disputasse nenhum cargo nas eleições desse ano. Destacou, no entanto, que tinha até agosto para decidir.

Convites recusados

Inicialmente, as lideranças do partido em São Paulo a convidaram para ser candidata ao governo do estado, mas ela recusou.

Também pela rede social, ela explicou no último dia 4, véspera do prazo para que os partidos escolhessem seus candidatos ao pleito deste ano, que não tinha como concorrer à Vice-Presidência "por questões familiares", já que, por ora, não poderia se mudar para Brasília. "A minha família não me acompanharia", escreveu.

"Eu tentei todas as composições possíveis. Peço desculpas ao Brasil e prometo, esteja onde estiver, com ou sem cargo, continuar lutando por um país livre. Acima de tudo, um país de mentes livres. Essa tem sido minha luta, desde que nasci. Acho até que nasci para isso!", acrescentou Janaina.

Bolsonaro acabou escolhendo o general da reserva do Exército Hamilton Mourão (PRTB) para compor a sua chapa. O presidenciável explicou que o nome do militar só foi "liberado" pelo presidente do partido, Levy Fidelix, na última hora.

Na mesma série de mensagens, Janaina disse acreditar em Deus e saber "que Ele move as peças do jogo da vida como devem ser movidas".

A agora candidata do PSL afirmou ainda que se concentraria na ação em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal) que trata da descriminalização do aborto nas primeiras 12 semanas da gestação. Ela participou na semana passada de audiência pública sobre o tema no Supremo.

Após sua participação, Janaina disse a jornalistas que não seria candidata a nenhum cargo, nem mesmo a tentar uma vaga na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

Na ocasião, a advogada não entrou em detalhes sobre a posição, mas afirmou que já havia informado o presidente do diretório paulista do PSL, o deputado federal Major Olímpio.

Janaina declarou ainda que "não teria sentido" aceitar comandar um ministério em caso de vitória de Bolsonaro nas eleições, já que não pode se mudar para a capital federal.

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