Sem Romário, debate tem ataques a famílias, grito na plateia e Paes na mira

Gabriel Sabóia e Hanrrkison de Andrade

Do UOL, no Rio

Trocas de acusações envolvendo familiares, alfinetadas para todos os lados e Eduardo Paes (DEM) como alvo preferencial deram a tônica do debate com candidatos ao governo do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), promovido pelos jornais "O Globo", "Extra" e "Revista Época" em parceria com a Universidade Estácio de Sá.

Ao final do debate, o ex-prefeito do Rio chegou a ironizar os adversários Anthony Garotinho (PRP), Indio da Costa (PSD) e Tarcísio Motta (PSOL), pelo que considerou uma estratégia conjunta dos três. "Numa próxima oportunidade, peço para que a direção do jornal faça uma entrevista coletiva comigo, com os três me questionando, diante de tantas abordagens ouvidas hoje", disse. 

Ausência sentida no debate, o candidato Romário (Podemos) não compareceu ao encontro por estar "cumprindo agenda de campanha no Norte Fluminense", conforme informou sua assessoria de imprensa. Durante o debate, o senador postou fotos em uma rede social, ao lado de eleitores na cidade de Itaperuna. Uma pergunta, sobre previdência de servidores do estado, que seria direcionada a Romário foi lida no debate e, em razão da ausência, permaneceu sem resposta.

Mas foram os embates entre Paes e Garotinho que roubaram as atenções durante a maior parte do debate --os atritos renderam três direitos de resposta (dois de Paes e um de Garotinho).

No segundo bloco, o democrata chegou a olhar para o adversário enquanto decidia para quem faria uma pergunta, mas acabou optando repentinamente por Indio da Costa. Ao observar que o oponente havia evitado o confronto, Garotinho foi irônico.

Você viu que não é bom perguntar para mim, né?

Anthony Garotinho, candidato do PRP

Paes entrou na brincadeira e respondeu que não havia escolhido Garotinho porque ele "às vezes não diz muito a verdade". A plateia caiu na gargalhada.

No entanto, o clima descontraído durou pouco. Em resposta a uma pergunta feita por Tarcísio Motta sobre políticas de saúde pública em um eventual governo seu, Garotinho afirmou que acabaria com os contratos firmados com organizações sociais --acordos firmados tanto na prefeitura como no governo à época que Paes ainda era filiado ao MDB, mesmo partido do ex-governador Sérgio Cabral, hoje preso.

Garotinho seguiu dizendo que Paes fazia de tudo para esconder vínculo com o governo Cabral, assim como faria com duas contas em um banco no Panamá, em nome do pai e da mãe do ex-prefeito, que serviriam para esconder remessas ilegais de dinheiro, segundo o candidato do PRP. Durante o debate, Garotinho exibiu papéis que, segundo ele, comprovariam o uso de um laranja para a transação. O clima fechou.

Paes pediu direito de resposta e justificou a existência da conta dizendo que seu pai é um advogado bem-sucedido, que já foi investigado por essa conta e que não foi encontrada qualquer ilegalidade no fato. O democrata concluiu a réplica alfinetando Garotinho, dizendo que não precisava empregar familiares na política, em referência à mulher de Garotinho, a ex-governadora fluminense Rosinha Garotinho, e à filha do casal, a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros).

Foi quando a parlamentar, que estava na plateia, gritou para Paes: "pena que você não é bem-sucedido igual ao seu pai, é só bacharel!", sobre o fato de Eduardo Paes não ter seguido a carreira do pai.

Tarcísio Motta ironizou a situação alguns minutos depois, dizendo que "Paes e Garotinho se acusam o tempo inteiro e o melhor de tudo é que os dois têm razão no que dizem', voltando a arrancar risadas dos presentes. Mas o candidato do PSOL logo voltou a mira para o emedebista e o acusou de ser o "maior pai de elefantes brancos do Rio", referindo-se a equipamentos usados nos Jogos Olímpicos, hoje sem utilização.

Dois anos após o evento esportivo, ocorrido na gestão Paes, ainda há fornecedores sem pagamento. O ex-prefeito defendeu o legado olímpico para a mobilidade do carioca, citando vias como a Transoeste e a Transolímpica.

A Olimpíada não deixou nenhuma dívida. Os estádios não foram feitos com recursos públicos, não contraímos dívida para fazer estádio

Eduardo Paes, candidato do DEM 

Indio da Costa também foi alvo de ironias dos oponentes pelo fato de ter sido secretário da gestão de Sérgio Cabral e das prefeituras de Paes e Marcelo Crivella (PRB).

Se eu for governador, prometo que, pela primeira vez, o Indio não será secretário

Tarcísio Motta, candidato do PSOL

Já Eduardo Paes ironizou o candidato do PSD dizendo que ele não foi um bom secretário durante o seu mandato. Garotinho, por sua vez, ao questionar Índio quanto à sua participação em dois governos emedebistas, disse que ele foi secretário do "Eduardo Cabral", juntando o nome do concorrente ao do ex-governador preso.

Fui secretário várias vezes e sempre dei minha contribuição como secretário. Nunca roubei e nunca deixei roubar

Indio da Costa, candidato do PSD

Debate contou com os 5 melhor posicionados em pesquisas

Foram convidados para o debate os cinco primeiros colocados de acordo com a primeira pesquisa Ibope sobre a eleição estadual de 2018. 

A amostra, divulgada no dia 20 deste mês, apontou que três candidatos estão à frente em situação de empate técnico. Romário surgiu com 14%, enquanto Paes e Garotinho registraram 12% das intenções de voto. A igualdade se deu porque a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos

Na pesquisa Datafolha, divulgada dois dias depois, Paes liderava ao lado de Romário. O candidato do DEM marcou 18% das intenções de voto, estatisticamente ao lado do ex-jogador, com 16%. Garotinho apareceu com 12%, o que o posicionava tecnicamente empatado com Romário e, no limite, Paes (a margem de erro é de três pontos percentuais).

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