Após veto do TSE, PT muda vídeo e foca em 'Lula livre' em vez de pedir voto

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

A coligação do PT alterou a propaganda que seria exibida no horário eleitoral após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) barrar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto. O espaço dos presidenciáveis no rádio e na televisão começou neste sábado (1º).

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Em vez de pedir votos ou promover o atual candidato a vice, Fernando Haddad (PT), o PT reforçou a campanha pela liberdade do ex-presidente, que está preso na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba.

No rádio, o PT pediu votos para Lula nos dois blocos de exibição, às 7h e ao meio-dia. O conteúdo havia sido enviado à geradora da transmissão antes da decisão do TSE, que foi tomada na madrugada deste sábado. A alteração foi feita apenas para as exibições na televisão, às 13h e 20h30.

Inicialmente, a coligação iria divulgar um programa que mostrava Haddad relatando suas viagens pelo país e "a saudade das pessoas do tempo de Lula".

O ex-presidente aparecia no final e dizia que o povo brasileiro precisava sonhar. Não havia pedido explícito de voto, mas fazia-se referência à candidatura do ex-presidente. A chapa tem dois minutos e 23 segundos.

Na nova peça, o PT volta a falar da recomendação do comitê de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) e diz que sua candidatura sofreu um golpe. Por meio de Haddad, o partido diz que vai insistir na candidatura de Lula e que irá com o ex-presidente até o fim, além de voltar a dizer que ele é alvo de perseguição política.

Imagens de arquivo mostram Lula dizendo que é um "inocente que está sendo julgado para evitar que volte a fazer o melhor governo do Brasil". Haddad, provável substituto de Lula na cabeça de chapa, falou em "juramento de lealdade" ao ex-presidente. "Não vamos descansar. Vamos trazer o Brasil de Lula de volta".

Reprodução
Início do espaço do PT no horário eleitoral fez menção à situação da candidatura

Geraldo diz que tem 'cabeça e coração'

Detentor da maior parcela do horário eleitoral --cinco minutos e 32 segundos--, a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) apresentou uma peça que trazia uma atriz dizendo que estava "p... da vida", se dizendo indignada com a situação do país e que havia decidido "não votar com raiva" neste ano. 

Na sequência, foram apresentadas imagens de problemas do país com tiros, em referência a Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas nos cenários sem Lula. A propaganda, então, traz a frase: "Não é na bala que se resolve". Os ataques mais fortes a Bolsonaro, porém, foram feitos no anúncio veiculado no rádio.

Alckmin, então, passa a ser apresentado, focando em sua trajetória como governador de São Paulo. A propaganda busca reforçar a figura de "Geraldo", alguém "com cabeça e coração", sendo citado por amigos. Ele, então, diz que quer cuidar de quem mais precisa. Seu jingle, em ritmo sertanejo, diz que "não dá para errar de novo". A frase é acompanha por imagens de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Bolsonaro. 

Meirelles: "Aquele cara" que resolve problemas

Dono do terceiro maior tempo --um minuto e 55 segundos--, Henrique Meirelles (MDB) começou dizendo: "Talvez você não me conheça". E continua: "Prazer, sou o Meirelles. Aquele cara que os governos chamam para resolver problemas que eles não sabem a solução". 

Sem atrelar sua imagem à do presidente Michel Temer (MDB), Meirelles disse que, para resolver os problemas do Brasil, "quem primeiro chamou foi o Lula". "Depois, me chamaram para consertar os erros da Dilma". Ele foi presidente do Banco Central do petista e ministro da Fazenda de Temer. Assim como no rádio, ele ressaltou que não é alvo de nenhum processo.

Marina fala diretamente com mulheres

Marina Silva (Rede) repetiu o anúncio transmitido pelo rádio, em que fala diretamente com as mulheres, perguntando se alguma vez já a "chamaram de fraca, de incapaz". "Eu sei como é. Juntas, nós somos fortes. Vou trabalhar todos os dias para que ninguém diga que você não pode", afirmou.

Ciro foca em quem tem nome sujo

Quem também reaproveitou o programa do rádio foi Ciro Gomes (PDT), que reforçou sua preocupação em relação à situação econômica dos brasileiros, principalmente sobre quem está com o nome sujo no mercado de crédito.

Boulos traz Wagner Moura

A campanha de Guilherme Boulos (PSOL) usou o ator Wagner Moura, conhecido pelo filme "Tropa de Elite" e pela série "Narcos", para perguntar ao telespectador se conhece o candidato.

Bolsonaro fala em defender família e pátria

Líder nas pesquisas sem Lula, Jair Bolsonaro (PSL) apareceu dizendo: "vamos caminhar juntos em defesa da família e da nossa pátria". 

Alvaro Dias faz referência a Lula

Alvaro Dias (Podemos), assim como no rádio, fez crítica velada à candidatura de Lula e foi o único a lembrar o ex-presidente. "Agora tem gente visitando Curitiba para visitar a pessoa errada: um político preso", disse.

Demais candidatos

Cabo Daciolo (Patriota) e Vera Lúcia (PSTU) fizeram críticas à política. "Glória a Deus! Chega de corrupção, chega de escravidão. Glória!", disse o candidato do Patriota. Vera disse que "as eleições são uma farsa". 

João Amôedo (Novo) voltou a dizer que, se depender dele, esse será o último pleito com horário eleitoral.

O candidato José Maria Eymael (DC) disse que quer governar o Brasil "com honra e competência". 

João Goulart Filho (PPL) disse que "vai recuperar o orgulho de ser brasileiro". 

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